Confira como foi o Guadalupeças 39

Domingo tivemos mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Neste mês contamos com o prazer da visita do pessoal da LudoTable, uma empresa especializada na fabricação de mesas para boardgames. Um dos principais destaques do produto oferecido por eles é o fato de ser facilmente desmontável. Nem todo mundo tem espaço para manter uma mesa montada permanentemente para jogar.

Então, tendo uma mesa da LudoTable, a pessoa pode deixá-la guardada e só montar quando realmente for necessário, naquela reunião de amigos de fim de semana ou feriado para acomodar aqueles jogos mais pesados da coleção. A LudoTable também faz trabalhos personalizados, de acordo com as necessidades individuais de cada cliente.

Querendo aquela mesa bacana para seus boardgames? Converse com o Antonio da LudoTable.
Mesas de qualidade para acomodar confortavelmente seus jogos.

Esta edição do evento foi um pouco mais tranquila que o habitual e por conta disso consegui fazer algo que não conseguia há algum tempo: experimentar jogos diferentes. É engraçado que, no mês passado, que a gente esperava uma diminuição de público, por conta da alteração de data, tivemos mais gente do que o esperado. Mas, talvez, isso ainda seja efeito da mudança, pois resultou em um intervalo de tempo menor entre as edições.

É muito legal quando a gente tem a oportunidade de experimentar jogos que não conhece, pois assim não rola nenhum tipo de julgamento prévio, diferente de um título “hypado” ou de um autor conhecido, que gera aquela expectativa que muitas vezes prejudica a experiência. Eu comecei o dia com World Without End, jogo de Michael Rieneck e Stefan Stadler, que adapta o segundo livro da série Kingsbridge do escritor Ken Follett. Todos os livros da série foram adaptados para o universo dos tabuleiros pelos mesmos designers e lançados pela editora alemã Kosmos. A arte de toda a série fica por conta de Michael Menzel, conhecido por seu belo trabalho em jogos como Legends Of Andor e Stone Age.

World Without End é um Euro médio cuja principal mecânica é o gerenciamento de mão. Todos os jogadores possuem as mesmas 12 cartas de ação e a cada rodada precisam escolher uma para jogar e outra para descartar. O que já provoca aquela angústia saudável que tanto me atrai nesse tipo de jogo. Além disso, durante o turno são abertas cartas de evento, elas concedem bônus para todos, porém o jogador da vez é que será o responsável por definir como isso será distribuído rotacionando a carta, então não é uma escolha livre. A carta de evento ainda possui uma terceira função, a forma como for posicionada irá definir também o quanto o jogador irá andar na trilha de benefícios na parte de baixo do tabuleiro.

Word Without End é um belíssimo trabalho em todos os sentidos.

Todas as mecânicas e regras são muito bem amarradas entre si gerando uma cadeia perfeita de ação-reação. Toda decisão envolve sacrificar algo, a correta avaliação para chegar ao equilíbrio entre perda e ganho é o caminho para vitória. É um jogo relativamente simples de entender o funcionamento, ele possui aquela elegância que nasce da simplicidade de combinações em perfeita sintonia. As cartas de evento adicionam um grau de aleatoriedade ao jogo, um fator importante para rejogabilidade. Elas são determinadas por sorteio na montagem do setup da partida. Porém, não chegam a prejudicar significativamente o planejamento do jogador.

World Without End se desenvolve ao longo de 4 turnos com 6 rodadas cada um, ao termino de cada um dos turnos é necessário realizar o pagamento de tributos: alimento, fé e impostos. Os dois primeiros possuem um valor fixo, o último, no entanto, é determinado no dado. Mais um fator sorte estrategicamente posicionado. Apesar de não ser um jogo com grande carga temática, o que não surpreende em se tratando de um Euro, achei que esses pontos tem uma identificação no tema. Ele é basicamente um jogo sobre sobreviver na Idade Média. O sabor do livro está nos eventos. Tem uma parte de peste negra que eu achei bem interessante e carrega também algum nível de incerteza. Outra parte legal do jogo são as construções que vão entrando aos poucos na partida de acordo com os eventos.

As cartas de evento gerenciam todo o andamento do jogo, concedendo e retirando oportunidades conformes são reveladas. Então, é um jogo que exige bastante capacidade de planejamento e antecipação, mas também exige capacidade de adaptação. Nem sempre uma estratégia que inicialmente parece boa vai permanecer assim ao longo da partida. É preciso manter em mente caminhos alternativos e reavaliar as opções constantemente.

Eu investi no caminho da medicina, mas quando a peste negra surgiu não se mostrou tão vantajosa. As casas afetadas são determinadas pelos eventos e aconteceu de sair muitos números repetidos, então não houve uma grande expansão, não possibilitando o uso ostensivo de ação de cura para obtenção de pontos e outros benefícios. Tive a sensação que a ação de construção foi a mais vantajosa, acho que todos os monumentos entraram em jogo.  Outras opções do tabuleiro era o comércio de lã/tecido e o aluguel de casas, não consegui fazer muito do primeiro, já o segundo foi um bom investimento, uma forma de garantia de renda fixa.

 

Quero jogar de novo. <3

Gostei demais de World Without End e fiquei bastante curiosa com os demais jogos da série já que são dos mesmos game designers, achei que a simplicidade das mecânicas e a forma como são tão eficientemente combinadas dão ao jogo uma elegância que verdadeiramente impressiona. É um jogo complexo nas possibilidades oferecidas sem impor uma barreira alta de entrada. Alguns dos Euros mais pesados que eu gosto acabam não sendo tão atrativos para novos jogadores por seu conjunto de conhecimento inicial requerido. Tantas regras para lembrar combinadas com muitas possibilidades estratégicas pode gerar um resultado altamente frustrante.

Angústia é algo que para mim faz parte do prazer de determinados tipos de jogos, porém a frustração é sempre um sentimento altamente indesejado, algo que leva a uma experiência negativa de jogo. A frustração de não conseguir compreender o processo lógico por trás de um determinado conjunto de regras ou a incapacidade de ação que essa falta de compreensão pode provocar, é aquela sensação de estar jogando de maneira aleatória sem saber conscientemente o que está fazendo.

Uma outra forma de experimentar frustração para mim é jogo com alto fator PvP e jogadores altamente competitivos ou que gostam de simplesmente prejudicar o amiguinho. Foi basicamente o que aconteceu com o segundo jogo do dia. Domaine, de Klaus Teuber, o famoso game designer de Catan, é um Cerco de Área com Gerenciamento de Mão.

Cada jogador começa posicionando seus 3 conjuntos de castelo e cavaleiro no tabuleiro. É importante tentar posicionar nas pontas e perto de minas, pois é desejável fechar uma área com minas o mais rápido possível para garantir mais facilmente a renda necessária para pagar o custo das cartas. É através delas que todas as ações são realizadas no jogo: colocar barreiras, cavaleiros, expandir território, fazer aliança e deserção. Na falta de dinheiro para baixar cartas, o jogador pode vendê-las, neste caso ela ficará aberta a disposição de um próximo  que queira comprá-la, normalmente a compra é feita no final da vez de um deck fechado.

Nem só de Catan vive Klaus Teuber.

Quando o jogador não consegue fechar um cerco rápido com mina para geração de renda, ele acaba ficando preso a vender cartas, o que acaba se tornando um círculo vicioso difícil de romper. O progresso da partida é determinado pelo avanço dos jogadores em seus cercos. A pontuação toda ocorre na hora de acordo com os elementos presentes no cerco fechado ou expandido, ao chegar ou ultrapassar 30 pontos a partida acaba.  O jogo é bem rápido, pois as ações se resumem a jogar uma carta ou vender uma carta. São apenas 3 cartas na mão e não há uma grande diversidade de ações para que ocorra muita dúvida sobre o que fazer.

O que pode gerar demora no turno dos jogadores é a análise da situação do tabuleiro, Domaine é um jogo que exige uma boa visão espacial, quanto mais avançada a partida, maior a quantidade de variáveis a serem analisadas: expandir território, trabalhar para fechar cerco, colocar cavaleiro para defender/atacar e a ação do desertor que muda o cavaleiro do oponente de lado.

Eu comecei levando um bloqueio logo no início da partida, eu estava trabalhando para fechar o primeiro cerco para garantir uma mina, mas tinha um castelo oponente perto de mim e ele me bloqueou totalmente. Foi uma ação muito desnecessária, faltou um certo fair-play, não tinha porque realizar um ataque tão direto. Meus outros castelos não estavam tão bem posicionados, então passei o restante do jogo travada sem conseguir fechar cerco e alternando automaticamente entre vender cartas para ganhar dinheiro e tentativas de ação para conseguir algum avanço na partida. Basicamente, eu mais assisti do que joguei.

Apesar disso, gostei de conhecer o jogo, ele é bem diferente do que estou acostumada a jogar. Foi bom conhecer um outro trabalho do Klaus Teuber, um game designer que acabou ficando marcado por um único jogo, o fenômeno Catan, considerado como um dos títulos fundamentais do boardgame moderno. Só não sei se jogaria novamente, talvez em uma mesa mais amigável.

Confira outros jogos que rolaram nesta edição do Guadalupeças:

O competitivo Star Wars Destiny, lançamento Galápagos Jogos.
O inusitado Cartas a Vapor, lançamento Potato Cat.
O popular Coup, lançamento Mandala Jogos.
O divertido Contra o Tempo, lançamento Grow.

Agradecemos a todos pela presença em mais uma edição do Guadalupeças   e espero reencontrar a todos no próximo mês. Estamos preparando uma ação especial relacionada ao Outubro Rosa, fiquem ligados aqui no blog e em nossas redes sociais para saber mais informações a respeito, assim como futuras possíveis novidades. Mais uma vez lembramos que somos um evento totalmente aberto a protótipos. Apenas pedimos, se possível, um contato prévio para que possamos divulgar com antecedência. Estamos abertos também a propostas para realização de eventos especiais de editoras e game designers, basta entrar em contato para analisarmos a viabilidade. Assim como eventos temáticos, qualquer frequentador pode deixar a sua sugestão. A partir da próxima edição, teremos uma caixinha para facilitar o nosso processo de comunicação com o público.

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