Análise: Modern Art, da Galápagos Jogos

Modern Art é um jogo que sempre ouvi falar, mas nunca tinha tido oportunidade de jogar. Por conta disso, quando um tempo atrás apareceram aquelas cópias perdidas da lendária edição da Odysseia Jogos, nem dei muita bola. Isso foi bom, senão teria comprado por um valor mais caro, por uma edição que nem é tão bonita assim. Particularmente, gosto mais da nova, que foi produzida pela CMON e lançada no Brasil pela Galápagos Jogos.

Lendária edição brasileira lançada pela Odysseia Jogos em 2006.

O jogo, de autoria do respeitado game designer Reiner Knizia, foi lançado pela tradicional Hans Im Glück, em 1992. Sua primeira edição chegou ao Brasil em 2006, bem antes do boom do boardgame nacional, que ocorreu entre 4 e 5 anos atrás. A edição, em língua inglesa, na época era da Mayfair Games, tendo sido lançada 2 anos antes e considerada bem “feia”. A nossa edição recebeu uma arte própria, bancada pela editora na época, o que a tornou famosa e muito querida entre membros mais antigos do hobby.

A primeira edição em língua inglesa produzida pela Mayfair Games em 2004.

Modern Art é um jogo com regras muito simples, que podem ser facilmente explicadas em menos de cinco minutos, mesmo para pessoas não acostumadas aos boardgames modernos. Ele é um jogo de cartas cujas mecânicas são gestão de mão, especulação financeira e leilão. Durante a partida serão negociadas diversas obras de cinco artistas diferentes através de cinco tipos de leilões possíveis ao longo de quatro rodadas.

Mesa montada para três jogadores.
Cinco artistas e cinco tipos de leilão.

Ao término de cada rodada será realizada a valorização dos artistas de acordo com a soma da quantidade de suas obras adquirida por cada um dos jogadores. Uma rodada é encerrada imediatamente quando a quinta obra de qualquer artista é colocada na mesa, ela não é leiloada, porém conta no cálculo de popularidade do artista.

Os três artistas mais populares recebem marcadores de valorização que irão determinar quanto os jogadores receberam de dinheiro de acordo com as obras que possuem de cada artista e sua respectiva popularidade acumulada. As valorizações dos artistas ao longo das rodadas vão sendo acumuladas, diferente de suas obras que são sempre descartadas ao iniciar uma nova rodada.

Na quarta rodada, o artista mais popular estaria rendendo 80 de dinheiro por obra.

Um dos pontos fundamentais de Modern Art é saber avaliar as cartas da sua mão em relação às ações dos demais jogadores para escolher os melhores momentos para um determinado tipo de leilão e artista, a fim de maximizar seus ganhos. Conseguir ganhar bastante nas vendas e tomar cuidado para não gastar demais nas compras. Porém, é preciso tomar cuidado para não vender uma obra de artista popular que vai permitir ao oponente um grande ganho ou se empolgar em um leilão pagando mais do que a obra vai render de lucro.

Tipos de Leilão:

Aberto: Todos dão seus lances em voz alta, em qualquer ordem e quantas vezes quiserem. É o meu tipo favorito. Dependendo do comportamento dos demais jogadores, pode ser um bom tipo de leilão para jogar um blefe e inflacionar o valor de uma obra, levando um oponente a gastar mais do que pretendia. Porém, é preciso ter cuidado para não terminar você tendo o prejuízo.

Oferta única: Na ordem do turno cada jogador pode dar um único lance, o leiloeiro é o último a dar o lance. Então, é uma boa forma de garantir a obra de um artista disputado, se você tiver o dinheiro suficiente. Se alguém der um lance muito alto que você ou que não seja interessante cobrir, ao menos fez a pessoa gastar dinheiro.

Fechado: É o tipo de leilão mais imprevisível. Todos colocam o lance em segredo na mão fechada e revelam ao mesmo tempo. É um pouco de tentar a sorte. Pode ser uma opção interessante quando se percebe que os demais jogadores estão com pouco dinheiro.

Preço Fixo: O leiloeiro determina o valor e na ordem do turno cada jogador tem a opção de pagar ou passar. Se todos passarem o leiloeiro é obrigado a pagar e ficar com a obra. É o tipo de leilão que eu menos gosto, pois não é o modo mais zero interação.

Duplo: Dois quadros do mesmo artista, a modalidade de leilão será definida pelo segundo quadro, portanto não é possível colocar duas obras do tipo duplo. Eu gosto muito de Duplo com Aberto de artista popular porque geralmente os preços vão às alturas.

Além de avaliar qual tipo de leilão usar em qual momento mais adequado, é preciso ficar atento à popularidade dos artistas. Tentando ao máximo impedir que um jogador acumule muitas obras de um artista que está rendendo um valor alto. Uma forma de atrapalhar é acelerando o encerramento da rodada. Porém, é importante avaliar qual será o nível de prejuízo de cada jogador, para não acabar prejudicando mais a si mesmo.

Acho que é bom ficar atento para não deixar nenhum artista disparar muito na frente dos demais, a menos que se tenha várias obras dele na mão, aí dependendo o tipo de leilão de cada uma delas e da quantidade de dinheiro acumulado pode ser uma boa.

Como você deve ter percebido, todas as ações em Modern Art devem levar em consideração uma série de fatores que estão em constante mudança durante toda a partida, isso é o que faz dele um jogo incrível, em minha opinião. É difícil que alguém tenha dúvidas quanto a regras durante a partida, o máximo que ocorre é o jogador esquecer o tipo de leilão discriminado por determinado ícone. Faz falta uma carta de referência individual, aí o manual acaba rodando de mão em mão.

Manual passa de mão em mão por falta de cartas de referência individuais.

Modern Art é um jogo bastante rápido e que permite boas reviravoltas, nada está definido até o final. A experiência no jogo faz diferença, mas nada que gere um tipo de disparidade que leve a frustração. Durante toda a partida, o jogo não te deixa ter aquela sensação de “não tem mais jeito, já perdi”. Por mais que um jogador possa ficar perdido no início, escolhendo as cartas meio que aleatoriamente, depois da segunda rodada é quase certo que ele comece a entender a lógica do jogo.

Acho que Modern Art foi um dos jogos de entrada mais agradáveis que joguei não apenas este ano, mas talvez em todo o meu tempo de hobby. Ele tem um conjunto de regras simples que gera uma série de situações que permitem aos jogadores atuarem em variados níveis estratégicos sem ocorram exclusões, todos se mantêm ativos durante toda a partida.

Além disso, Modern Art é visualmente muito agradável, mesmo para aquele que não admiram esse tipo de arte. Eu mesma não sou fã, preferiria obras de autores de outros estilos. Os biombos com imagens de museus famosos são bem bonitos, o representante brasileiro é o MASP. Os tokens de dinheiro são bem práticos, já que os jogadores precisam ficar trocando os valores o tempo todo.

Biombos com imagem de museus famosos.
Simples e eficientes: tokens ao invés de notas.

Dos cinco artistas, quatro são brasileiros, e apenas um é estrangeiro. Só as páginas iniciais do manual são de regras, o restante é um artbook com uma breve biografia e mostrando um pouco mais sobre suas obras. Aproveito para deixar aqui também os links para as páginas dos artistas para quem tiver interesse em conhecer mais, basta clicar no nome: Manuel Carvalho, Ramon Martins, Daniel Melim, Rafael Silveira e Sigrid Thaler.

Artbook muito bacana que vem junto com o manual.
Lembra aqueles catálogos que a gente recebe em exposições. Eu colecionava quando era mais nova. 🙂

Modern Art está disponível na Game Of Boards por R$130. Uma ótima opção de um jogo não apenas bonito, mas extremamente divertido. Pode ser até mesmo um presente para apresentar alguém ao hobby, principalmente se a pessoa for ligada em arte.

Assista também ao nosso vídeo sobre o jogo:

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