Diversão Offline SP 2018: Análise Completa

Depois de três edições bem-sucedidas no RJ, o Diversão Offline partiu para tentar um desafio maior e realizou sua primeira edição em São Paulo nos dias 10 e 11 de março. O Turno Extra acompanha de perto o evento desde sua estreia, tendo visto todo o seu crescimento e evolução. O que é um motivo de imensa alegria, pois acreditamos que um evento desse porte é essencial para expansão do nosso hobby.

Segundo informações da organização, esta quarta edição foi recorde de público, somando, nos dois dias, cerca de 5 mil visitantes. A área escolhida para o evento em SP foi melhor do que a utilizada no RJ, sendo um grande galpão, o que permitiu não apenas uma melhor disposição dos estandes, como também um crescimento deles. Isso permitiu uma melhor circulação do público. O evento estava cheio, porém ainda confortável para circular, mesmo para nós que estávamos andando com câmera, tripé e outros equipamentos.

Os estandes menores ficaram, em sua maioria, posicionados nas áreas laterais, enquanto o meio ficou com as grandes editoras: Redbox Editora, Mandala Jogos, Meeple BR e Conclave Editora. Depois delas, tínhamos uma espécie de rua com alguns mais alguns outros pequenos estandes. E, por fim, nos fundos, a área de alimentação, que ainda deixou a desejar, mas evoluiu bastante em relação às edições cariocas. Importante destacar que neste ponto existe uma dificuldade maior imposta pelo Centro de Convenções Sulamérica, local onde o evento tradicionalmente ocorre no RJ.

O Diversão Offline SP 2018 ocorreu no Centro de Eventos São Luís que fica estrategicamente localizado bem perto da Av. Paulista. Assim sendo, os visitantes do evento tinham ainda a opção de sair para se alimentar com facilidade, do lado fora. O que infelizmente não é possível de fazer no RJ, já que o entorno aqui é completamente deserto. Porém, as opções disponíveis dentro do evento estavam com boa variedade, preço e tempo de atendimento bastante razoáveis.

O único problema que considero grave e digno de nota para que seja observado em próximas edições foi a água disponível para venda ter acabado antes do horário de término do evento no primeiro dia. Mesmo o local tendo bebedouro, é ruim que o visitante não consiga comprar água dentro do evento. Parece que foi mais uma questão de mau planejamento dos estandes da área de alimentação, que levaram um estoque insuficiente para atender a demanda, do que da própria organização.

OS ESTANDES

Mesmo em uma edição ocorrida em SP, a Devir mais uma vez ignorou o evento. A Grow também foi uma ausência sentida. Infelizmente, o Diversão Offline SP 2018 ocorreu bem próximo da ABRIN. Não sei se esse foi o motivo da participação da Galápagos Jogos ter encolhido visivelmente. Apesar da solução criativa, não passou despercebida a economia realizada.

A Galápagos Jogos não veio com estande para o evento, tendo ocupado o auditório como uma área sua e expondo seus futuros lançamentos em vitrines e painéis: Rising Sun, Dice Forge, TI4, Star Wars Rebellion, entre outros. O esquema de anúncios de lançamentos se manteve. Tivemos Azul e Five Tribes no primeiro dia e Massive Darkness e Mage Knight no segundo dia. Porém, senti muita falta de mesas para jogos. Mesmo a presença de Eric Lang não foi suficiente para evitar a sensação de decepção com a editora.

Painel com Eric Lang, a principal atração internacional do evento.

Porém, não faltaram mesas para jogos nos principais estandes do evento: Redbox Editora, Mandala Jogos, Meeple BR e Conclave Editora estão de parabéns pelos excelentes estandes. Todos com grande variedade de títulos em suas diversas mesas e monitores para atender prontamente ao público. Cada um dentro da sua proposta fez um trabalho incrível.

Destaco o trabalho realizado pela Mandala Jogos que estava com o estande lindamente decorado com árvores em tamanho grande para divulgação de Fotossíntese, jogo que estava sendo lançado no evento. Houve fila para comprar porque além de ser um título bastante aguardado, ainda estava com um preço excelente. Tanto que, infelizmente, no mesmo dia já era possível encontrar cópias sendo revendidas na Ludopedia por valor muito mais alto.

Fotossíntese, o grande destaque do estande da Mandala Jogos.

No estande, ainda fomos apresentados a dois futuros lançamentos da mesma linha de jogos do incrível Dr. Eureka e um título da Haba, conhecida pela excelência de seus jogos voltados para crianças. É sempre animador quando vemos títulos de qualidade destinados ao público infantil chegando por aqui. O que faz da Mandala Jogos uma editora que eu admiro é a variedade do seu catálogo. Eles oferecem opções de jogos para todos os gostos, bolsos e idades.

Novos jogos na mesma linha do sucesso Dr. Eureka estão chegando.

Além de Fotossíntese, outros lançamentos de destaque encontrados no estande da Mandala Jogos foram Um Banquete A Odin (do grande Uwe Rosenberg, autor de Agricola), Covil Mestre das Trevas (novo do brasileiro Luis Brueh, autor de Dwar7s Outono), Lisboa (novo do português Vital Lacerda), Sherlock (aquele party game de dedução que os fãs do maior detetive de todos os tempos merecem) e O Albergue Sangrento (que tem arte de Weberson Santiago, mundialmente famoso pelo seu ótimo trabalho em Coup). Além disso, ainda tínhamos Gaia Project em exibição, para deixar todo mundo babando pelo aguardado “retema” do mega sucesso Terra Mystica.

O tão esperado Gaia Project ainda estava só para exibição.

Mas, apesar de ter gostado muito do estande da Mandala Jogos, o Prêmio Turno Extra de Melhor Estande para Conclave Editora. O projeto do estande foi executado de uma forma maravilhosa. Acredito que foi o maior do evento. Além da presença de Christophe Boelinger, o francês mais brasileiro que conhecemos; ainda contou com a presença também de Igor Knop e Patrick Mateus apresentando Gnomopolis, jogo nacional que em breve sai pela editora mineira. Outro destaque foi a presença do Teseu no estande. O jogo que foi sensação na edição passada do DOFF foi anunciado nesta edição como um futuro lançamento.

Gnomopolis, criação de Patrick Matheus e Igor Knop era uma das atrações do estande.

A Conclave Editora, além das mesas comuns, ainda contou com algumas especiais da Ludotable, que fizeram brilhar ainda mais títulos magníficos como Amun-Re e Tikal, que estavam sendo lançados no evento. Outro destaque também foi o elogiado Above And Below, bastante aguardado por muitos jogadores e que tem a continuação, Near And Far, com lançamento já anunciado no Brasil. Não faltaram novos títulos anunciados, o que eu mais me chamou atenção foi Flamme Rogue.

Amun-Re em destaque em uma das mesas da Ludotable.
Alguns dos futuros lançamentos.

A Mitra repetiu o sucesso do seu Jenga gigante, atraindo um bom público ao seu estande. Além de seus títulos já tradicionais, a editora estava com três novos lançamentos. Um deles, era o Zener, que contou com a presença do seu autor. Carlos Seabra é um veterano no mercado já tendo trabalhado em títulos famosos como War II. A editora, que tem investido no público infantil, tendo inclusive levado o Prêmio Ludopedia de melhor jogo nessa categoria por Belo Jardim, veio com mais um título que promete ser destaque na área. A Toca do Tapiti adapta um clássico mundialmente conhecido utilizando elementos bem brasileiros. Sempre com aquela qualidade artesanal que a gente ama e admira, se você ainda não conhece o trabalho da Mitra dá uma entrada lá na página deles que vale muito a pena.

Carlos Seabra e Marta Giardini mostram os lançamentos da Mitra.

Algumas editoras estavam ausentes, mas em compensação outras marcaram presença pela primeira vez. Entre as estreantes, destaco a participação da Bucaneiros Jogos, a famosa empresa de acessórios, que está se lançando agora no mercado como editora. Eles apresentaram um jogo que despertou bastante a minha atenção, chamado A Tales Of Pirates. Além disso, eles também anunciaram que trarão a nova edição de Kingsburg, um clássico da mecânica de dice placement.

Bucaneiros Jogos estreando como editora com um jogo com tema de Piratas.

A Potato Cat foi outra estreante de destaque, Samanta e Kevin Talarico haviam ido à edição passada do DOFF, mas não com um estande próprio. Tendo realizado no final de 2017 seu segundo financiamento coletivo de sucesso, eles estavam fazendo a entrega aos apoiadores durante o evento. Mais uma vez, eles conseguiram entregar um material de qualidade respeitando o prazo prometido. Por isso, o Prêmio Turno Extra de Melhor Lançamento foi para o Café Express. Além de qualidade e prazo, o jogo ainda traz uma inovação ainda não vista no mercado nacional, com um sistema de card crafting que lembra Mystic Vale.

Cheirinho de jogo novo, Samanta Talarico posa com seu Café Express.

Além do Café Express, a Potato Cat estava apresentando ao público seus futuros projetos que incluem jogos de outros game designers. Após o lançamento de seu novo jogo, o New Eden Project – um cardgame de construção de cidades em um futuro pós-apocalíptico, o próximo da fila deve ser o simpático Sereias, dos game designers cariocas Sabrina do Valle e Jorge Luís Rocha (confira aqui minhas primeiras impressões). Os planos são para que ambos saiam ainda este ano.

Preview de como deve ficar a arte do jogo Sereias, dos cariocas Sabrina do Valle e Jorge Luis Rocha.

Mas nem tudo foram flores, um estande que poderia ter sido melhor trabalhado foi o da Game Vault. Por ser um estande de loja, por si só ele já era bastante movimentado. Eles estavam com uma grande infraestrutura e boa variedade de jogos disponíveis para venda, incluindo títulos importados. Minha crítica ao estande vem do fato dele ter agregado, de forma pouco organizada, pequenos produtores e também ter tido suas mesas utilizadas pela própria Galápagos Jogos para promover seus jogos em alguns momentos.

A intenção parece boa, abrir espaço para quem de outra forma não teria como expor seu trabalho no evento. Da mesma forma, apesar de achar equivocada, não condeno a parceria com a Galápagos Jogos. Porém, isso tornou o estande um verdadeiro caos. Apesar de bastante amplo era difícil circular por ele e até mesmo identificar o que estava sendo oferecido. Tínhamos lá, por exemplo, o pessoal do Arena: The Contest que muita gente nem chegou a ver no meio do tumulto.

Arena: The Contest era um dos destaques do estante.

Outro problema foi o uso do alto falante por parte da Game Vault. Parecia aqueles vendedores de lojas populares que ficam gritando as suas promoções. Toda vez que começava um anúncio deles no alto falante, a gente tinha que parar qualquer conversa, pois era impossível falar e ouvir com aquela altura de som. Quando o áudio era usado por outra pessoa, como a própria organização, este problema não ocorria, você conseguia continuar conversando ou gravando normalmente.

Além da Game Vault, a outra loja presente no evento era a Bodogami. Com um estande pequeno que não possibilitava uma variedade muito grande, eles investiram em levar uma boa seleção de jogos e nos conquistaram pela simpatia no atendimento. Além disso, os preços estavam convidativos e havia um esquema de promoção bem interessante, onde o cliente tinha a possibilidade de ganhar jogos de acordo com o resultado da rolagem de cinco dados. Não conseguimos ganhar nada além de um simpático cordãozinho de meeple, mas o conjunto do que foi apresentado garantiu a eles o Prêmio Turno Extra de Melhor Loja.

Conquistando a clientela com muita simpatia.

O problema dos pequenos game designers e editoras que se amontoam em um único estande não é uma novidade no evento e sempre temos criticado. Não é algo cuja solução possa partir deles, creio eu, que veem em qualquer tipo de exposição uma vantagem para o seu produto. Mas, creio, deveria haver alguma ação da organização do evento no sentido de facilitar o acesso deles, talvez a criação de um espaço especialmente destinado, com valores mais acessíveis. Ou, talvez, uma Área Freeplay melhor organizada já resolvesse o problema, realizar ações para torná-la mais atrativa.

ÁREA DE PROTÓTIPOS CATARSE

Infelizmente, o ponto mais baixo do evento. A Área de Protótipos que vinha melhorando edição após edição teve a sua primeira piora na edição paulista do Diversão Offline. O espaço diminuiu consideravelmente de tamanho, deixando os protótipos amontoados e consequentemente sem uma boa visibilidade e atratividade ao público, apesar da boa localização, quase na entrada do evento e ao lado do auditório ocupado pela Galápagos Jogos, e que trazia uma boa circulação de pessoas.

Eu achei boa a ideia do concurso com um júri técnico, foi algo que eu sugeri na crítica da edição passada do evento. Porém, faltou clareza de quem eram os jurados e os critérios utilizados, tanto para a escolha dos cinco finalistas quanto para escolha do vencedor. Faltou um trabalho melhor de divulgação e organização, creio eu, por parte do Catarse, o responsável pela área. Mas, sendo algo ocorrido dentro do evento, não podemos isentar aqui a organização do Diversão Offline dos problemas.

Meeple Up, de Sanderson Virgolino, vencedor do concurso pelo juri técnico.

Não havia uma indicação de quais eram os jogos participantes do concurso e nem uma adequada sinalização da votação popular. Apesar do júri técnico para o concurso, também considero importante a manutenção do voto popular, porém é preciso que haja controle e organização para assegurar a idoneidade do resultado.

Fury Gods, de Fábio Arraes, vencedor pelo juri popular.

A urna estava em local pouco visível e sem nenhuma pessoa responsável fiscalizando. Acredito que o correto seria a urna ficar na entrada da Área de Protótipos e que haja algum funcionário tomando conta e orientando as pessoas quanto à votação. Os formulários deveriam ficar com esse responsável e não nas mesas de jogos. Isso tornaria a votação mais livre. Querendo ou não, receber o papel da mão do designer do jogo coloca uma pressão no jogador, que pode se sentir constrangido a dar seu voto para aquele jogo.

Primeiro Comando, de Marcelo Dias, também estava entre os finalistas do concurso.

Voltando aos finalistas do concurso, não havia nenhuma sinalização e nem padronização. Acho que se tratando de um concurso todos deveriam ter as mesmas condições, mas a partir do momento em que um tem maior visibilidade que o outro, seja por posicionamento ou por um banner, isso já seriamente prejudicado.

Seven Galaxies: The Card Game, de William Borba, foi mais um jogo que estava na disputa.

Infelizmente, mais uma vez, não tive tanto tempo quanto gostaria para aproveitar a Área de Protótipo. Eu só passei por lá no domingo de manhã e pedi a cada um dos participantes do concurso para me apresentarem seus jogos, sendo que dois deles eu já conhecia em virtude serem designers aqui do RJ. Eu tentei ao máximo prestar atenção às regras e à proposta dos jogos para realizar uma boa escolha para o vencedor de Melhor Protótipo do Prêmio Turno Extra. Ênfase em uma boa escolha pois, mesmo que eu tivesse jogado todos, seria muito difícil escolher realmente o melhor no meio de tanto projeto bacana.

Fábio Arraes montou a Gamehives com o intuito de viabilizar o lançamento do seu jogo.

Foi disparada a categoria de decisão mais difícil, acabei por escolher o Fury Gods, pois foi o jogo que pareceu combinar da forma mais equilibrada duas questões que considero fundamentais para o sucesso de um jogo, regras sólidas e tema atrativo, colocados de forma clara e objetiva. Não é um jogo que apresente nenhuma inovação considerável, parece mais uma adaptação de algum game mobile para o analógico, eu cheguei a perguntar se havia alguma inspiração nesse sentido. Não foi surpresa alguma quando eu soube que ele ganhou a votação popular também.

Quanto aos demais jogos presentes na Área de Protótipos, a impressão que eu tive é que entrou quem quis sem nenhum controle, apenas para aproveitar a melhor visibilidade. Porque mesmo estando inferior a das edições anteriores, ainda estava melhor do que a da Área Freeplay, que realmente ficou bastante abandonada. Acredito que essa é uma área que precisa ser repensada para ser uma opção mais interessante dentro do evento no futuro.

AS PALESTRAS

Apesar das minhas críticas em relação à opção da Galápagos Jogos de não ter estande e usar o auditório como espaço para exposição dos seus jogos, creio que tal fato trouxe algo muito positivo que foi aumentar o público presente nas palestras. Além disso, acho que este foi o ano mais equilibrado e diversificado em termos de temáticas oferecidas.

Palestra sobre Arte em Jogos.

Tivemos pela primeira vez uma palestra falando sobre a representatividade LGBT, que é um público que ainda sofre bastante com preconceitos, e que precisa de espaço para fazer sua voz ser ouvida também. Todo e qualquer movimento no sentido de tornar o hobby mais aberto e receptivo para os mais variados tipos de pessoas sempre vai ter o nosso apoio.

Palestra sobre Representatividade LGBT.

Tivemos uma palestra muito bacana com Michel Fischman, da Bureau de Juegos, a maior empresa de jogos da Argentina. Ele falou um pouco sobre mercado por lá, que para nós é bastante desconhecido, apesar de estar bem ao nosso lado. Conhecemos muito mais o que acontece na Europa e nos EUA, do que aqui no nosso próprio continente. O Michel Fischman veio a convite do Antônio Pop, da Redbox Editora, já que ele está levando o Tsukiji, jogo do Leandro Pires, para ser lançado por lá.

Além de todas as palestras e anúncios incríveis que tivemos, uma informação merecia também ter tido o seu lugar no palco do auditório do Diversão Offline. A Vanessa Hellen confirmou, em entrevista exclusiva ao Turno Extra, o retorno da Funbox Jogos como editora, além de explicar algumas questões relativas à sua relação com a Mandala Jogos. O Prêmio Turno Extra de Melhor Anúncio foi o mais fácil de todos de decidir, pois não poderia ter sido outro. Vanessa é uma profissional admirável e um exemplo dentro do hobby, estávamos perdendo muito sem sua presença mais atuante no mercado.

Vanessa Hellen, dona da Funbox.

SALA DE IMPRENSA

Antes das considerações finais, resolvi adicionar mais uma última sessão nesta análise sobre o evento. Eu fiquei em dúvida sobre tocar ou não neste ponto, pois é algo bastante específico e que não afeta o público em geral. Então, tive dúvidas se valia a pena ou era adequado colocar isso aqui . Porém, mesmo não sendo algo com a qual o público tenha contato, é uma área que faz parte do evento, então é válido, sim, colocar minha avaliação sobre ela aqui.

A sala de imprensa, infelizmente, foi mais uma das coisas que piorou em comparação as edições anteriores. O espaço, em teoria, precisa servir para que possamos ter uma estrutura para produzir e enviar conteúdo direto do evento, mas ele é montado apenas como um local para realização de entrevistas, com um sofá e o painel do evento. Sendo o resto da sala um imenso vazio.

Um sofá com um painel do evento atrás para ser usado nas entrevistas, assim pode ser resumida a sala de impressa do DOFF SP 2018.

Não se trata de querer exigir do evento tratamento especial, apenas a colaboração e o fornecimento do mínimo que permita o nosso trabalho. Antes de tratar do negativo, vamos a um ponto positivo, o único. Disponibilizaram Wi-Fi que funcionou bem.

A falta de água nos pontos de venda entrou em coro com a falta de água na própria sala de imprensa. Você está o dia inteiro andando para cima e para baixo no evento, carregando equipamento, falando o tempo todo. Uma parada na sala de imprensa é momento para dar uma respirada e se hidratar. Nós estamos ali fazendo algo que gostamos, que é cobrir o evento, mas apesar disso é um trabalho também.

Então, querida (não é ironia!) organização, pensem com carinho nas futuras edições. Não pedimos muito, só queremos um Wi-Fi que funcione, mesas, cadeiras e tomadas em quantidade suficiente e água para não morremos desidratados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A cada edição do Diversão Offline, o desafio de escrever esse texto, e até mesmo produzir os demais conteúdo, se torna maior conforme o evento se expande. O saldo geral para mim foi bastante positivo, conseguiram fazer uma boa edição fora de casa. Foi muito legal ver a evolução dos estandes, deu uma aparência mais profissional ao evento, além de demonstrar a confiança das editoras, pois é um investimento que elas estão fazendo ao aumentarem o tamanho e a estrutura dos seus estandes. Assim como a própria promoção de lançamentos e anúncios em ascensão dentro do evento. Tudo isso é fruto de uma credibilidade construída com muito trabalho.

O local que abrigou o evento em SP foi uma escolha bastante satisfatória, oferecendo a infraestrutura necessária para que os visitantes se sentissem confortáveis, além de ter uma ótima localização. Além do deslocamento fácil e rápido, isso permitiu acesso a opções de alimentação no entorno, fazendo com os visitantes não ficassem reféns do que era oferecido dentro do evento, apesar da oferta ter melhorado bastante, é sempre bom ter liberdade de escolha.

Espero ver a área de palestras evoluindo cada vez, sendo um espaço para trazer ao público informação sobre os problemas relacionados ao hobby, os diversos profissionais e tarefas envolvidas na comercialização de um jogo, como anda o mercado internacional (não apenas EUA e Europa), ter contato com os grandes game designers estrangeiros, promover a integração entre as editoras (é importante que elas conversem entre si e com o público). Nosso hobby ainda sofre com uma forte carência de informação de qualidade e creio que o Diversão Offline pode desempenhar um papel importante nesse sentido.

Todas as críticas presentes ao longo do texto, principalmente no que se refere à Área de Protótipos, apesar de reconhecermos o mérito do Catarse na organização do concurso e em estar fomentando o trabalho dos novos game designers,  possam ser encaradas de forma positiva, pois tudo que está aqui é visando a melhoria deste evento que tanto amamos e admiramos – a nossa Essen brasileira.

O que desejamos ao Diversão Offline é que em breve o evento venha a ser reconhecido internacionalmente, com as grandes editoras estrangeiras mandando representantes para cá, eu acho que o evento já possui porte suficiente para começar a ter uma área formal de business. Somos um mercado em expansão, diversos jogos brasileiros estão sendo lançados lá fora com sucesso e o espaço entre os lançamentos internacionais e nacionais está diminuindo cada vez.

Obrigada a todos que nos acompanharam em mais uma divertida aventura que é cobrir o Diversão Offline. Tentamos trazer até vocês conteúdos nos mais variados formatos. Nosso formato principal foram as entrevistas postadas em nosso canal no Youtube, mas vocês puderam conferir com a gente muitas fotos, stories e lives postadas no Instagram e Facebook, além dos textos de notícia aqui no blog.

Infelizmente, a gente não consegue entrevistar todo mundo nem fotografar tudo, nós somos apenas duas pessoas com algumas ajudas eventuais. Nossos agradecimentos especiais a Rodnei Rosa, responsável pela edição dos nossos vídeos, e Jesiel Araújo que nos emprestou uma câmera melhor que a nossa, o que nos permitiu gravações de maior qualidade.

Nos vemos em agosto, aqui no Rio de Janeiro, para mais um Diversão Offline. Mas não deixe de nos acompanhar ao longo do ano, tanto aqui no blog, quanto no canal no Youtube e nas redes sociais. O Turno Extra está sempre tentando produzir um conteúdo interessante sobre o nosso querido hobby, principalmente mostrando o mercado nacional. Fique com a gente!

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