Análise: Amun-Re, da Conclave Editora

Amun-Re é um clássico do badalado game designer Reiner Knizia. É praticamente impossível estar neste hobby sem ter ouvido esse nome ainda. A versão lançada pela Conclave Editora no Brasil é a da Super Meeple, que tem feito um belo trabalho dando aquele merecido upgrade de componentes em diversos jogos consagrados, porém considerados originalmente feios. Já tivemos a oportunidade de conferir sua qualidade anteriormente por aqui com Mexica, também lançado pela editora mineira.

Setup montado para 4 jogadores.

Eu já tinha jogado Amun-Re na sua versão antiga, apesar de não ter sido uma partida completa, deu para ter uma ideia de que se tratava de um jogão. Porém, não fiquei muito empolgada em adquiri-lo porque por ter como mecânica principal o leilão, ele é mínimo de 3 jogadores. E eu realmente tenho procurado evitar jogos em que eu fique na dependência de outras pessoas para poder jogar.

Eu jogando a versão antiga uns aninhos atrás. É até difícil acreditar que se trata do mesmo jogo.

Eu tenho me descoberto uma grande apreciadora de jogos de leilão para minha tristeza porque essa é justamente uma mecânica que pede mesa cheia nos jogos. Meu Power Grid está lá coitadinho juntando poeira. Quando conheci o Modern Art (confira a nossa análise), também do Knizia, achei que tinha encontrado a solução dos meus problemas, já que ele é um jogo bastante dinâmico, e por isso mais fácil de  ser colocar na mesa.

Porém, o Felipe ficou encantado com as pirâmides e tijolos de Amun- Re. Parece até que estou me referindo a uma criança, né? Ele insistiu para comprarmos e eu pensei: “se ficar acumulando poeira na estante é só vender”. Ainda bem que o Felipe insistiu para comprarmos, porque ao jogar a primeira partida completa tive certeza que ele vai permanecer um bom tempo na coleção.

Olhem esses detalhes que coisa linda.

Além das pirâmides e tijolos que sem dúvida são os elementos que chamam mais atenção, nesta nova edição temos um tabuleiro maior e com uma arte bem mais bonita. Foi colocado um espaço para acomodar cada item, anteriormente eles ficavam do lado de fora. A pintura do rio é outro detalhe que merece destaque, antes ela parecia desenho de criança. A trilha de pontuação fazendo referência aos tijolos foi uma ótima ideia. É notável o capricho e a atenção em cada detalhe.

A Super Meeple também refez todo o design das cartas para lhes dar uma aparência mais moderna, os tokens utilizados pelos jogadores no leilão foram substituídos por meeples personalizados e os templos, que anteriormente eram impressos no tabuleiro, viraram tiles. O único ponto que parece que não conseguiram encontrar uma boa solução foram os tokens de trabalhador, que continuam exatamente os mesmos. Eles me pareceram destoar um pouco de todo o restante que foi tão satisfatoriamente melhorado.

Meeples personalizados dão um charme todo especial ao jogo.
Os tokens de trabalhadores foram os únicos componentes que permaneceram inalterados.

Em Amun-Re é um jogo de leilão com controle de área, que comporta de 3-5 jogadores e tem duração média entre 1h30-2h. A partida é dividida em duas grandes etapas, cada uma composta por um total de 3 turnos, que são divididos em 4 fases: leilão de províncias, recursos e construções, oferta a Amun-Re e coleta de recursos.

O número de províncias leiloadas será sempre igual à quantidade de jogadores. Elas entram em jogo de maneira aleatória. Os lances são dados de acordo com o valor discriminado na própria carta da província. Ao dar um lance, o jogador posiciona um dos seus meeples sobre o valor desejado, se outro jogador superar o lance, o anterior é obrigado a se mudar para outra província. O leilão termina quando tiver um meeple de cada jogador sobre cada uma das províncias leiloadas naquele turno. Os jogadores pagam o valor devido e recebem suas recompensas imediatas.

O jogador branco vai precisar dar lance em outra província.

Em partidas para 3-4 jogadores, existe uma regra avançada de entregar 3 cartas de província para cada jogador. Isso acrescentaria mais estratégia ao jogo, já que daria algum nível de controle aos jogadores sobre o momento em que a província iria entrar jogo, permitindo assim um melhor planejamento.

A segunda fase é realizada de forma individual, os jogadores podem comprar cartas de benefício, trabalhadores e pedras exatamente nessa ordem e pagando o custo na proporção indicada na tabela que consta no próprio tabuleiro. Os dois primeiros itens sendo limitados pelo disposto na província controlada pelo jogador. Apenas pedra é livre. Com 3 pedras o jogador constrói uma pirâmide.

Tabela de custos dos recursos.
A província de Memphis permite comprar três cartas e comporta apenas 3 trabalhadores.
Tem cartas para usar em todas as fases do turno.

A terceira fase é simultânea e ela serve para determinar quanto dinheiro os jogadores obterão. Cada jogador escolhe secretamente quando deseja ofertar. A soma determinará qual templo será utilizado na próxima fase. Aquele que der a maior oferta recebe o marcador de jogador inicial e 3 recursos a sua livre escolha. Quem ficar em segundo lugar pega 2 recursos e todos os demais que contribuíram ganham um recurso.

De acordo com o somatório das oferendas, um templo será utilizado na fase de coleta de dinheiro.

É possível não contribuir para o somatório e diminuir o seu valor. Uma opção que o jogador tem é utilizar uma carta de roubo, ela subtrai 3 da soma e permite ao jogador pegar 3 de dinheiro do banco. Outra opção é a carta de benefício que permite manipular o resultado 3 para cima ou para baixo a escolha do jogador.

Cartas de Roubo e Arquiteto são cartas que já começam na mão dos jogadores.

 

A principal fonte de dinheiro do jogo são os trabalhadores. Jogadores que possuem províncias com muitos campos terão maior interesse em um somatório alto de oferendas, pois o valor informado no templo é quanto cada trabalhador irá lhe render. Já para jogadores com províncias com pouco ou nenhum campo, o mais interessante é tentar derrubar o valor. Existem outras fontes de renda secundárias, uma província pode ter templos, minas e caravanas. Elas podem oferecer vantagens a curto ou a longo prazo.

Para compensar o grande número de espaços para trabalhadores, a província de Mendes não oferece mais nenhum outro tipo de benefício.
A província de Damanhur possui dois templos, por isso seus outros benefícios são pequenos.

Ao término do terceiro turno é encerrada a primeira etapa da partida e realizada uma contagem parcial de pontos. Basicamente o que dá ponto são as pirâmides, seja de maneira individual ou tendo a maior quantidade delas em uma das margens do Nilo. Outra forma de pontuar é através da realização de objetivos, porém essa é apenas uma pontuação auxiliar.

Objetivos possíveis no jogo.

Depois de contados os pontos, trabalhadores e meeples dos jogadores são retirados do tabuleiro, ficando apenas as pirâmides e as pedras. É aí que o jogo cresce de uma maneira espetacular, porque a disputa pelas províncias se torna muito mais acirrada, já que agora elas oferecem vantagens muito mais significativas do que aquelas iniciais, que ainda continuam valendo.

É triste ver aquelas pirâmides construídas com tanto amor e carinho na etapa anterior caindo nas mãos de um oponente. Porém, creio que não construir na primeira metade da partida não é uma opção viável. O custo alto para compras em grande quantidade me parecer inviabilizar a ideia de acumular dinheiro para tentar construir tudo na metade final. Acho que é mais fácil investir em compras as províncias mais vantajosas nos leilões.

A contagem de pontos final segue os mesmos critérios da parcial de meio de partida, apenas com a adição de pontos extras sendo concedidos para os jogadores que terminarem com mais dinheiro. O critério de desempate é a quantidade de pirâmides e pedras. A contagem de pontos é bem tranquila e fácil de entender. Dá ir calculando mentalmente ao longo da partida.

Fim de partida.

Amun-Re pode assustar um pouco quem não conhece, ainda mais agora com seu tabuleiro ampliado. Porém, ele segue complexidade estratégica com regras simples. Todos os jogadores sempre possuem a mesma quantidade de província e elas são bastante equilibradas entre si, isso faz com que não ocorra uma disparidade muito grande no desempenho dos jogadores. Não acontece aquela sensação chata de ter ficado muito para trás ou não ter mais como recuperar.

Apesar de ser um jogo de fácil entendimento, acredito que não é dos mais amigáveis para novatos. Não chega a ser um jogo de queimar os neurônios, mas exige algum nível de concentração e raciocínio. Amun-Re não é um jogo com forte apelo temático, mesmo que os componentes desta nova versão sejam de encher os olhos, o maior atrativo dele continua a ser a elegância da sua mecânica.

Não deixe de conferir também o nosso vídeo sobre o jogo:

 

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