Fim de parceria motivado por vídeo de Dia das Mulheres

É com um enorme pesar que me vejo hoje digitando essas linhas para dividir com aqueles que acompanham o nosso canal um triste ocorrido. Na noite do dia 6 de abril (uma sexta-feira), os responsáveis pela Game Of Boards nos chamaram para formalizar e comunicar a decisão de encerrar a parceria com a gente, alegando como motivo principal a repercussão negativa que o nosso vídeo de Dia das Mulheres teria tido entre os clientes da loja.

O entendimento da situação expressado por eles foi de que teríamos “desenterrado” uma questão antiga gerando um mal-estar desnecessário. Apesar de outros motivos terem sido alegados juntamente, tais como falta de assiduidade e crescimento, ficou claro que o fator determinante foi realmente o mencionado vídeo. O que fez com que sentíssemos esse rompimento como uma espécie de retaliação.

Para aqueles que não têm conhecimento da história prévia, aqui vai um pequeno resumo. No Dias das Mulheres do ano passado fui acusada de plágio pelo Fabrício Ferreira do canal AFTER MATCH por ter feito um vídeo sobre Participação Feminina nos Boardgames. Sendo que a única coisa em comum entre o meu vídeo e o dele foi o assunto, a abordagem foi totalmente diferente. Além da acusação absurda, já que não precisa ser nenhum gênio para pensar em fazer um vídeo sobre este assunto no Dia das Mulheres, o Fabrício não satisfeito ainda publicou chacotas e ironias em relação ao conteúdo produzido em seu perfil pessoal no Facebook.

Apenas 3 pessoas fizeram vídeo de Dia das Mulheres no ano passado: Eu, ele e Thiago Leite. Não é difícil descobrir a quem ele está se referindo.

O Turno Extra já havia sofrido ataques anteriores por parte do Fabrício no período em que ambos éramos parceiros da Game Of Boards. No intuito de evitar maiores aborrecimentos, encerramos, na época, a parceria por nossa própria iniciativa. Porém, parece que isso não foi suficiente para que a pessoa nos deixasse em paz. Desde então tenho sofrido uma espécie de retaliação passiva de pessoas que ao tomarem o lado dele passaram a me ignorar.

Nós voltamos a ser parceiros da loja por convite dos próprios sócios, apesar de não ter sido uma questão unânime entre eles desde o princípio, mas aceitamos por acreditarmos ter o apoio da maioria na questão. O ano de 2017 foi bastante pesado pessoalmente para mim, e apesar de todos os esforços do Felipe no sentido de não me deixar desanimar, eu realmente não fui capaz de manter um bom ritmo de produção de conteúdo para o canal. Em janeiro, eu escrevi um relato sobre isso. Eu gostaria de ser uma pessoa mais forte, que não se deixa abalar por atitudes lamentáveis, mas infelizmente essa não é a realidade.

Clique na imagem para ler o texto na integra.

No vídeo que gravei no Dia das Mulheres deste ano falei sobre a revolta que me causou ver a mesma pessoa que me atacou no ano passado atacando outras mulheres no vídeo deste ano. Não foi Fabrício falando, mas ele abriu espaço para que mulheres reproduzissem machismo, falassem mal do trabalho de outras mulheres no vídeo, realmente mostrando que não entende, e não se importa, absolutamente em nada com a representatividade feminina no hobby.

Mediante ao ocorrido, eu me senti na obrigação de voltar a tocar no assunto. Assim sendo, no vídeo deste ano, eu relatei a minha experiência pessoal e todos os desdobramentos ao longo de um ano. Contei como mesmo me ouvindo falar diretamente sobre o assunto durante a palestra que ocorreu no Diversão Offline RJ, tanto a pessoa quanto seus apoiadores não mudaram um milímetro em sua atitude.

Priscila Terra (Board Game Girls), Eu, Patrícia Nate (Lady Lúdica) e Vanessa Hellen (Funbox Jogos).

Não vejo como o vídeo gravado por mim poderia ter causado qualquer tipo de mal-estar a qualquer pessoa não diretamente envolvida com a situação. E se causou mal-estar a pessoas envolvidas, fico plenamente satisfeita com isso. Eu tenho vivido uma situação de mal-estar nos últimos meses, tendo recebido descrédito e desprezo, sendo ignorada, evitando determinados locais pelo desconforto de encontrar determinadas pessoas. Praticamente ninguém se importou com isso, posso contar os apoios recebidos nos dedos de uma mão só e ainda vão sobrar dedos.

Tenho certeza que muita gente vai ler este relato e vai achar que é algum tipo de vingança. Eu pensei muito antes de decidir publicar isso e resolvi por fazer por escrito para tentar manter ao máximo a clareza e não me deixar levar por questões emocionais que seriam mais difíceis de dominar em um vídeo, mesmo que gravado e editado. Não é minha intenção transformar a questão em algum tipo de espetáculo. Tudo nesta história é apenas triste e lamentável, e eu realmente gostaria de poder apagar da minha memória, se isso fosse possível.

O objetivo deste texto é através da minha experiência pessoal talvez conseguir fazer com que algumas pessoas revejam suas atitudes, principalmente a galera que tenta ser isenta para não ficar mal com ninguém. Quando você vê algo errado e se cala para não se indispor, você não está sendo isento, você está sendo cúmplice. Você ajuda a perpetuar uma situação detestável.

Talvez, o próprio agressor fosse capaz de ver o seu erro logo de início, se a postura da comunidade, tão fechada em seus grupinhos de amigos perfeitos, fosse diferente. Eu não acredito em pessoas boas ou más, todos nós temos ambos dentro de nós e o meio é um grande fator de influência para qual lado terá mais força. Se uma atitude ruim e nociva não é condenada, a pessoa acha que aquilo é aceitável e vai continuar a agir da mesma forma ou pior.

Meu outro objetivo aqui é dizer para quem já foi vítima de uma situação de alguma forma semelhante a que estou relatando, tendo sofrido qualquer tipo de agressão e sofrendo com o descrédito e o desprezo ao relatar o fato, você não está sozinho. Eu conheço a sensação de tristeza e a solidão que isso provoca, ainda mais quando vem de pessoas por quem você tinha consideração.

É sempre a mesma história, falam tanto que estamos exagerando, que foi uma interpretação equivocada e que devíamos deixar para lá, que a gente realmente começa a duvidar de nós mesmos. Isso é uma nova forma de agressão. Tanto esforço para calar a voz da vítima e nenhum para culpar o agressor.

A Game Of Boards alega que meu vídeo incomodou o seu público gerando mal-estar entre seus clientes, eu realmente não sei se isso corresponde a realidade e ou se é uma alegação feita apenas para encobrir algumas pessoas. De qualquer forma, a impressão que eu tenho é que direção da loja prefere se posicionar contra uma mulher denunciando uma situação de desrespeito do que contra aqueles que realizaram tal agressão, se isso se mostrar mais significativo financeiramente, e ainda usando seus clientes de forma generalizada para justificar uma decisão que é apenas deles.

Eu entendo a posição da loja enquanto estabelecimento comercial que tem como objetivo o lucro, não sendo uma instituição de caridade ou assistência social. Porém, determinados valores são fundamentais e devem estar acima de tudo. Parece que, infelizmente, os responsáveis pela Game Of Boards não tiveram, ou escolheram não ter, ao menos neste caso específico, a menor consciência disso.

Em um dia terminam a parceria com o canal por causa de um vídeo onde faço críticas a situações de desrespeito contra a mulher dentro do hobby, utilizando a minha própria experiência como exemplo; mas no outro estão participando de um evento de representatividade feminina só para passar a imagem de apoiadores da causa. Deixando bem claro, e sem nenhuma vergonha, que o objetivo é só a boa publicidade.

Como se tudo até aqui relatado já não fosse suficiente, a demora da Game Of Boards para declarar que não queria mais ter a sua imagem vinculada a nossa, já que segundo eles somos um canal “problemático”, nos deixou com uma impressão muito desagradável. O primeiro aviso de que a parceria iria terminar, sem explicações mais detalhadas, foi feito em 22 de março. Mas somente em 6 de abril tivemos a chance de sentar e conversar a respeito, onde os motivos reais foram explicitados. Ficou parecendo que eles esperaram até que o último vídeo da cobertura do Diversão Offline SP fosse ao ar, o conteúdo que atualmente tem mais audiência no canal. Por que esperar tanto tempo para retirar o apoio? Foi uma falta de respeito, parece que aproveitaram o canal o máximo que podiam antes de nos dispensarem.

Voltando ao argumento de que o canal não tem periodicidade, o que seria responsável pela falta de crescimento, eu perguntei se o nosso canal fosse grande, e, portanto, trouxe bastante retorno, se essa história seria diferente. Eu usei essas exatas palavras: “Se eu fosse grande poderia fazer a merda que fosse que vocês não estariam nem aí, certo?” e a resposta foi que “sim”. Reforçando ainda mais o que eles realmente valorizam.

Como eu já disse, tudo isso é muito triste e eu realmente gostaria de poder esquecer, se fosse possível. Eu me sinto cada vez mais isolada dentro do hobby, não me sentindo confortável para ir a diversos lugares sabendo como serei recebida. A Game Of Boards era um lugar onde eu me sentia bem, me sentia confortável para ir mesmo sozinha. Agora não mais. Vou sentir falta das jogatinas de sexta-feira.

Ainda acho que é a melhor loja do RJ, tem uma estrutura bacana, catálogo variado de jogos e produtos, promove eventos legais, tem bons serviços e o time de funcionários e monitores é ótimo. Sentirei falta do sanduíche de carne da dona Fátima. Porém, tudo isso não está mais ao meu alcance porque eu não me calei quando queriam que eu o fizesse.

O caminho grosseiro e desrespeitoso escolhido para terminar a parceria foi o que mais magoou. Por mais que eles achem que estão certos em seus argumentos, creio que havia tantas outras formas mais amigáveis de proceder. Eles não demonstraram o menor desejo de manter um mínimo de amizade, com alguém que sempre apoiou a loja, desde quando ainda era só online, antes de qualquer papo de parceria. A impressão que eu tive pelas palavras duras que fui obrigada a ouvir é que eles queriam simplesmente nos ver pelas costas o mais rápido possível.

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3 comentários sobre “Fim de parceria motivado por vídeo de Dia das Mulheres”

  1. É impressionante com tem idiota no mundo, principalmente esse cara. Acho muito idiota que um homem aborde esse assunto visto que não tem nenhum conhecimento de causa. Há empresas que cagam para quem realmente faz o trabalho digno… Podia tacar um processo nele para ver se aprende…

  2. Você não tá “exagerando” nem “problematizando”, você tá certíssima. A liberdade do oprimido sempre é sentida como opressão pelo opressor. Infelizmente, esse hobby tanto de boardgame quanto RPG é saturado com arrogância, machismo e adulação. Você não precisa dessa babaquice. Parabéns pela coragem e bom trabalho.

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