Análise: Codenames Marvel

Codenames é um party game criado pelo consagrado game designer Vlaada Chvátil, autor de sucessos como Through The Ages, Mage Knight e Galaxy Trucker. Tendo sido lançado em 2015, virou um verdadeiro fenômeno mundial, gerando uma série de derivados. Ao todo a franquia possui até agora um total de 6 títulos lançados e um sétimo já está a caminho. O ganhador do Spiel des Jahres 2016 está em primeiro lugar absoluto no rank do BGG na categoria Party (segundo e décimo também, com Duet e Pictures) e em 44º na categoria Geral.

Lançamento de diversos títulos comprova sucesso da franquia.

Apesar de tudo isso, eu particularmente nunca tinha me interessado pelo jogo. Tanto é assim, que no momento em que escrevo o presente texto, apenas joguei a versão Marvel. Assim sendo, tudo o que vier a ser aqui exposto será referente apenas a minha experiência com essa edição específica. Codenames sempre me pareceu um jogo muito “hypado” sem motivo, pois olhando suas regras não é possível identificar nada que provoque admiração.

Jogando Codenames Marvel no evento Selva Jogos.

Seu conjunto de regras é extremamente simples e fácil de entender, sendo um tipo de jogo que depende bastante da criatividade e engajamento dos jogadores. Como todo bom party game, quanto mais jogadores mais divertido fica. Ele é basicamente um jogo de dedução em que times de jogadores tentam descobrir as cartas corretas através de dicas que utilizam elementos de memória, reconhecimento de padrões e alguma sorte.

Hydra Vs SHIELD.

Um grid de cartas de 5X5 é disposto na mesa e os jogadores são divididos em dois times. Um jogador de cada time ficará responsável por dar as dicas aos demais. Esse jogador terá acesso a uma carta que indica o posicionamento e classificação de todas as cartas: elas podem ser do seu time, do time oponente, neutras e uma delas será o assassino. O objetivo é levar o seu time a descobrir todas as suas cartas antes do time oponente.

 

Mapa de função de cada uma das cartas em jogo.

A criatividade e engajamento dos jogadores entra na questão das dicas que são limitadas a uma palavra e um número. A palavra indica o elemento para identificação presente na carta e o número a quantidade de cartas do time que o possuem. Os jogadores então deverão discutir entre si para chegarem em um consenso e apontarem a carta que acham correta. Se errarem o ponto vai para o oponente e sua vez se encerra.

Identifique as cartas do seu time com apenas uma palavra e um número.

Quando os jogadores acertam de maneira completa as cartas da dica dada, eles podem ter a possibilidade de tentar utilizar dicas passadas nas quais falharam ou até mesmo dar um chute, isso é determinado pelo número da dica atual, ela indicará quantas cartas a mais o time poderá indicar. Uma dica de numeração mais alta, em geral é mais arriscada, mas pode abrir uma ampla vantagem quando corretamente interpretada.

Essa versão Marvel tem duas coisas bastante interessantes: a possibilidade de dar dicas específicas relacionadas ao universo criado pela Casa das Ideias, se todos os jogadores forem bons conhecedores das histórias e personagens, e a variante da Manopla do Infinito que coloca uma pressão a mais na partida, pois o time a colocar o última joia (marcador de carta neutra) em jogo perde automaticamente. Isso adiciona um segundo critério de derrota, já que apontar a carta do assassino, representado pelo Thanos, também resulta em fim imediato de partida.

Variante Manopla do Infinito aumenta desafio, além de tematizar mais o jogo.

Porém, não conhecer o universo Marvel não atrapalha em nada, pois sempre se pode usar dicas genéricas, esse conhecimento específico é só um gostinho adicional. As cartas presentes no jogo fazem referência apenas a personagens e elementos dos filmes e séries, infelizmente não temos X-Men e Quarteto Fantástico. Apesar disso, podem ficar aliviados que as imagens utilizadas são das artes das HQs.

Ausências marcantes para nossa tristeza.

Acho que grande parte da minha diversão com o jogo foi justamente em razão da temática. É legal observar as cartas e identificar os elementos. O jogo vem com uma quantidade bem grande de cartas, então as combinações sempre serão diferentes a cada nova partida. Não sei se me divertiria tanto jogando a versão original. Codenames Marvel é aquele party game perfeito para jogar com a galera antes ou depois de uma boa sessão de Vingadores: Guerra Infinita.

Grande variedade de cartas garante a rejogabilidade alta.

Codenames é um jogo que utiliza palavras, isso era uma barreira para sua expansão, pois exigia que o jogador soube inglês ou que tivesse uma edição em sua língua de origem. A versão Pictures veio para “corrigir” essa limitação, tornando o jogo muito mais acessível. Porém, é possível jogar Codenames Marvel usando apenas palavras também, elas vem no verso das cartas, como pode ser observado na foto acima, talvez essa possa ser uma opção interessante para aqueles que desejem um desafio maior.

Codenames Marvel ainda não está disponível no Brasil, porém creio que exista grande chance de chegar por aqui em breve. As edições nacionais de Codenames e Codenames Pictures foram lançadas pela editora Devir.

Assista também ao nosso vídeo sobre o jogo:

 

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