Análise: Dropmix, da Harmonix

A utilização de elementos digitais em boardgames não é exatamente uma novidade, apesar de sua aplicação ainda se dar de uma maneira bastante restrita, temos alguns exemplos amplamente conhecidos, tais como XCOM e Mansion Of Madness: Segunda Edição, lançados aqui no Brasil pela Galápagos Jogos. Tal integração permite ampliar a experiência oferecida aos jogadores, abrindo toda uma nova gama de possibilidades antes impensáveis.

XCOM é uma das grandes referências quando pensamos no uso de aplicações digitais em boardgames. (clique aqui para ler nossa análise do jogo)

Porém, embarcar nesse tipo de proposta ainda se mostra um desafio. Toda inovação envolve custos e riscos elevados, além disso é um novo nível de exigência requerida dos game designers. Sendo assim, apenas grandes empresas têm a viabilidade necessária para investir no segmento. Não por acaso, os dois jogos mencionados no parágrafo anterior são da Fantasy Flight Games, uma das editoras de maior destaque no mercado.

O mais comum é vermos a transposição integral de um boardgame para uma plataforma digital, principalmente com a crescente expansão do mercado mobile. A Asmodee tem investido bastante em disponibilizar seus jogos digitalmente, tendo inclusive firmado uma parceria recente para lançamentos no console Nintendo Switch. Isso amplia de forma significativa o público que vai ter contato com o produto, aumentando potencialmente a base tradicional de consumidores através da popularização de seus títulos principais.

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Se o caminho da incorporação de elementos digitais em boardgames ainda está dando os seus primeiros tímidos passos, o inverso é um terreno ainda menos explorado. Poucos jogos digitais fogem da interface tradicional de seus controles com botões e alavancas. Alguns deles, em determinados jogos, são lançados em formatos específicos para aumentar a imersão. Porém, no final das contas, ainda são apenas botões e alavancas, só que dispostos de uma forma diferente. Interfaces inovadoras que realmente procurem proporcionar aos jogadores uma nova experiência são raras.

Meu primeiro contato com algo no sentido mencionado acima se deu com um jogo de PS3 chamado Eye Of Judgment, que utilizava cartas físicas que eram lidas pela câmera fazendo as criaturas aparecem dentro do jogo. Ele tinha uma espécie de playmat onde as cartas eram posicionadas, não era só mostrar as cartas para a câmera. O jogo ficava montado fisicamente, um tipo de integração que nos faz pensar na ideia de um híbrido.

Meu sonho de princesa que resolvessem relançar esse jogo maravilhoso.

Muitos anos depois dessa primeira experiência, e agora conhecendo um pouco como isso funciona do lado dos boardgames, eis que surge o Dropmix, jogo musical desenvolvido pela Harmonix e lançado pela Hasbro. Se você não ligou o nome a empresa, eles simplesmente são os responsáveis pelas fenômenos Guitar Hero Rock Band, franquias que dominaram o mercado durante anos .

A Harmonix volta trazendo um jogo ainda mais inovador e impressionante. Apostando na amplitude do mercado mobile, Dropmix é um jogo que traz uma espécie de tabuleiro eletrônico para leitura de suas cartas. Ligado ao aplicativo através de conexão bluetooth, ele transmite a informação contida no quase imperceptível microchip de cada carta para que as músicas sejam tocadas. Cada carta não traz a música inteira, apenas instrumentos específicos. A ideia é realizar combinações entre os instrumentos das diferentes músicas. As cartas são divididas em cores e níveis que deverão ser respeitados na hora da jogada de acordo com a marcação de cada área.

Harmonix segue investindo em jogos musicais, mas se mostrando atenta as  novas tendências.

Mecanicamente, o Dropmix é bem simples, basta respeitar a cor dos espaços para jogar as cartas e os seus níveis. Não é permitido jogar uma carta menor do que aquela que está ativa, sempre precisa ser um valor igual ou superior. A partida termina quando uma determinada quantidade pré-estabelecida de pontos for alcançada. Isso se tratando do modo competitivo, que é o principal do jogo. Outros modos disponíveis são o cooperativo e o solo.

Regras simples baseadas em níveis e cores garantem um aprendizado quase imediato.

 

CONHEÇA OS MODOS DE JOGO

BATALHA (COMPETITIVO)

Eu achei mais interessante jogar como um duelo. Com dois jogadores, cada um deve utilizar dois decks juntos. Com quatro jogadores, a partida ocorre em um formato de duplas, onde cada um realizará uma das ações. Eu não gosto de jogar em dupla porque envolve negociação, complica na hora de traçar uma estratégia. Isso para não mencionar a figura do Alpha Player. Eu preferia que fosse um todos contra todos caótico.

Melhor jeito de jogar o modo Batalha é 1X1.

Além das cartas divididas por cores e níveis, o jogo ainda possui cartas de poderes variados (brancas), que oferecem aquela possibilidade de virada de jogo. Nada está realmente definido até se chegue ao fim da partida. Essas cartas não possuem nenhuma música, nem dão nenhuma pontuação, sua função é apenas mecânica. A opção pela utilização de apenas iconografia é compreensível, mas pode dificultar a vida dos jogadores, ao mesmo de início. O texto explicativo do efeito da carta é mostrado no aplicativo apenas quando ela é colocada em jogo.

Apenas iconografia nas cartas para aumentar a acessibilidade ao jogo.
O efeito é mostrado no aplicativo no momento em que a carta é baixada.

Por fim, temos as cartas coringas, elas podem ser jogadas em qualquer posição, pois possuem todas as cores. Cada cor é um instrumento diverso, então ela vai tocar de forma diferente conforme o local em que for baixada. É uma carta com um efeito muito interessante musicalmente.

Minha carta coringa favorita.

Com o avançar da partida, os espaços vão ficando cada vez bloqueados, pois a tendência é todos atingirem o nível máximo. Caso os jogadores não tenham cartas disponíveis para jogar, eles deverão recorrer ao botão Dropmix, que gira uma roda de opções, que irá determinar uma limpeza no tabuleiro. O uso do botão Dropmix é uma solução para não travar a partida, mas não necessariamente seu uso só ocorrerá nesse momento de falta de opções. Dependendo de qual estratégia o jogador estiver utilizando, pode ser interessante utilizar o botão mesmo tendo cartas jogáveis na mão.

Inicialmente, uma opção apenas para não travar o jogo, pode se tornar parte de uma estratégia mais elaborada para jogadores experientes.

FESTA (COOPERATIVO)

O modo cooperativo é aquele “partyzão” para jogar com a galera. Apesar de o jogo base vir com quatro decks, o aplicativo dá opção para um quinto jogador, basta para isso ter comprado algum deck de expansão. E é claro que esse jogo já possui várias.

É um desafio de tentar atender as demandas mostradas da maneira mais rápida e eficiente possível. É como se os jogadores fossem Djs em uma festa atendendo aos pedidos da galera. A partida dura um determinado número de rodadas que vão aumentando cada vez mais de duração e complexidade. Quanto mais rápida a carta for baixada, mais pontos ela vai render.

Rodada curta e com pedidos simples abre a partida.
Uma carta verde de nível 2 é a jogada perfeita para atender a esse pedido.

Como todo modo cooperativo, aqui temos novamente o problema da figura do Alpha Player. E isso é piorado pelo fato de ser um modo que exige agilidade e todos jogam simultaneamente. Baixar uma carta errada causa perda de pontos e na pressa é comum que enganos aconteçam.

Jogadores mais competitivos também podem ser um problema ao intimidarem os demais. Se não encarado da maneira certa, como um party sem compromisso, a experiência pode ser desagradável. Então, não tente mandar na jogada dos outros e não fique irritado com os erros cometidos.

QUEBRA-CABEÇA (SOLO)

O modo solo é parecido com o modo cooperativo com o esquema de atendimento de demandas que surgem na tela exigindo agilidade e precisão, porém ele tem como diferencial usar um interessante esquema de Tetris, para agregar complexidade. Além de uma opção muito boa quando se estar sozinho, também é uma ótima alternativa para a galerinha que são sabe jogar cooperativamente sem estragar a experiência dos demais jogadores.

Maximize seus pontos dentro de um número de ações limitado.
O modo solo é o mais hard do Dropmix. É para quem quer realmente algum desafio.
No final, ele detalha o seu desempenho.

FREESTYLE

Por fim, nós temos o modo Freestyle, que como o nome indica, é só para mandar aquele som sem compromisso. Uma das coisas mais impressionantes do Dropmix é a forma como todas as cartas combinam com perfeição, gerando um novo mix perfeito a cada alteração, quase que instantaneamente. É interessante notar que algumas cartas demoram mais do que outras para tocar não por um delay na leitura, mas simplesmente por estarem aguardando o momento certo dentro do que está sendo tocado naquele instante.

O tempo passa e você nem sente utilizando esse modo. É bem viciante porque são tantas possibilidades de combinação.

NOTAS FINAIS

Dropmix é um excelente exemplar de integração analógico digital, altamente recomendado para fãs de jogos musicais. Sendo um trabalho da Harmonix podemos esperar um grande número de músicas famosas e nos mais variados estilos, para agradar a todos os gostos. Ele ainda não foi lançado oficialmente no Brasil, apesar do aplicativo possuir opção para o nosso idioma, como pode ser visto pelos prints utilizados para ilustrar o presente texto.

Por fim, mas não menos importante, quero exaltar o trabalho de arte maravilhoso das cartas. Um cuidado muito perceptível para que cada uma das ilustrações combinem com a música que representam. Elas seguem as cores das cartas de forma tão natural que é quase imperceptível, não fica parecendo que foram coloridas dessa forma propositalmente para servirem ao jogo.

Confira mais sobre o Dropmix, assistindo ao vídeo abaixo:

 

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2 comentários em “Análise: Dropmix, da Harmonix”

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