Especial: Mês da Mulher

Bom, este texto deveria ter sido escrito e publicado antes do Dia da Mulher, mas é como diz o ditado: “Antes tarde do nunca”. Então aqui está o texto que resume a nossa trajetória na data e apresenta a nossa ideia de um mês inteiro mobilizado na produção e divulgação de conteúdo que valorize o trabalho feminino no mundo dos boardgames, além de comentar um pouquinho sobre diversidade.

2017/2018: Um Resumo (Dois anos horríveis. Obrigada aos envolvidos!)

Apesar do Turno Extra existir desde 2014 (o primeiro post foi em dezembro de 2013) e de ter uma mulher como idealizadora, apenas em 2017 fizemos o nosso primeiro vídeo específico sobre o Dia da Mulher. A compreensão sobre a importância da data não vem de forma automática pelo simples da pessoa nascer mulher. Neste primeiro vídeo, eu convidei as figuras femininas que eu conhecia para trocar uma ideia sobre nossa a participação neste meio que é predominantemente masculino.

É irônico pensar que foi justamente esse vídeo que me trouxe o primeiro problema dentro do hobby, pois fui acusada por um homem (dono de outro canal) de copiar a ideia de fazer esse tipo de vídeo. Apesar de todo absurdo da situação, muita gente “passou pano” para o sujeito e eu fiquei como a errada da história. Isso me afetou muito, e infelizmente ainda afeta, pois depois de um ano, no vídeo de 2018 aconteceu ainda pior. Sempre é possível ficar pior, nunca duvide disso.

No ano passado, o mesmo homem que se achou muito genial por ter a ideia de fazer um vídeo especial no Dia da Mulher, fez um outro vídeo em que uma de suas convidadas aparecia falando mal de uma iniciativa feminina pelo qual tenho um enorme carinho e admiração. Então, juntando esse fato a toda a experiência triste que havia passado ao longo do ano de 2017, eu fiz do vídeo do ano passado um desabafo. É um vídeo muito pessoal para relatar a minha experiência.

O vídeo do ano passado parece ter provocado bastante incômodo, pois acabou gerando uma das piores e mais tristes experiências que já tive em todo o meu tempo no meio, com consequências ainda mais danosas para mim do que todos os acontecimentos anteriores.

Eu reassisti o vídeo recentemente tentando encontrar o que havia motivado as palavras tão duras que fui obrigada a ouvir quando a loja com a qual tínhamos parceria resolveu de forma agressiva encerrar seu vinculo com o canal em virtude daquele vídeo. Achei que a distância em relação aos acontecimentos me daria a perspectiva necessária, mas eu não encontrei respostas. Quem quiser saber todos os detalhes da história (com os nomes dos envolvidos) tem texto aqui no blog contando tudo.

2019: Levanta a cabeça… Jogos são melhores do que (algumas) pessoas

Depois de tantas experiências ruins, eu queria fazer algo diferente, algo que mesmo que tive uma consequência ruim para mim, fosse bom para outras mulheres. Então, cheguei a conclusão que queria abrir espaço para mostrar o trabalho das mulheres incríveis que tive o prazer de conhecer ao longo da minha trajetória dentro do hobby. Mulheres que também tiveram experiências ruins, mas não desistiram e estão aí lutando porque amam o que fazem, amam os jogos de tabuleiro. Apenas um conteúdo produzido especificamente no dia 8 de março não daria conta disso.

O Turno Extra sempre esteve, e sempre estará, aberto ao trabalho feminino, não apenas neste mês, como durante todo o ano. Não produzimos conteúdo sobre o assunto apenas para ganhar com a visibilidade proporcionada pela data, mas queremos aproveitar dessa visibilidade para mostrar para a maior quantidade de pessoas possíveis tantos trabalhos maravilhosos. Teremos entrevistas com donas de editoras, organizadoras de eventos e game designers; textos e vídeos analisando jogos criados por mulheres e mais alguns outros conteúdos que ainda estão sendo fechados.

Lives toda sexta-feira às 8h30:

Dia 08 – Vanessa Hellen, da Funbox Editora, falando sobre o retorno da editora. Ela que é uma das figuras femininas mais antigas e respeitadas do boardgame nacional.

Dia 15 – Patrícia Nate (Lady Lúdica) e Sabrina do Valle (Board Game Girls) falando sobre eventos com foco no público feminino.

Dia 22 – Samanta (Potato Cat), Sabrina do Valle (Sereias) e Andreza Farias (Casa do Goblin) falando sobre game design. Sabrina e Andreza também fazem parte da Oficina do Playtest, um encontro semanal aberto de playtest entre desenvolvedores.

Ainda estamos conversando com as meninas da Calamity Games e da Curió Jogos sobre a melhor data para entrevistá-las também. A game designer Bianca Melyna (Grasse/Overdrive) recusou o nosso convite por não desejar participar de nada relacionado com a data. Nossas portas estão aberta para ela em todos os demais meses do ano, assim como para todas as demais mulheres que desejem mostrar o seu trabalho aqui no nosso canal.

Sempre procuramos dar visibilidade ao trabalho feminino, por isso durante todo o mês, teremos um #TBT especial na nossa página no Instagram (@turnoextraoficial) relembrando conteúdos passados produzidos pelo nosso canal em outros meses, sem nenhuma relação com o mês de março especificamente.

Meus dois centavos sobre diversidade

O Turno Extra é um canal que valoriza a diversidade em todas as suas formas e está sempre de portas abertas para discutir o tema e mostrar trabalhos de qualidade produzidos por quem quer que seja. Essa é uma percepção que está apenas em seus primeiros degraus de desenvolvimento, muito ainda precisa ser feito. Mas acreditamos que o reconhecimento da necessidade de um trabalho consciente nesse sentido é fundamental o começo de uma mudança.

Ninguém nasce com plena consciência de si, trata-se de uma construção social, e infelizmente vivemos em uma sociedade onde o preconceito possui raízes profundas. Nada será resolvido se não reconhecermos isso e lutarmos ativamente para mudar. Não adianta fechar os olhos e fingir que está tudo bem porque no seu grupo não há, de forma explicita, atitudes preconceituosas.

Não é normal vivermos que a maior parte de tudo o que consumimos culturalmente seja produzidos por homens brancos héteros cisgênero para outros homens brancos héteros cisgênero. E tudo que foge disso é convenientemente e pejorativamente taxado de “lacração”. A sociedade é muito diversa, e por tanto sua produção cultural, aqui incluso os jogos de tabuleiro, deveriam refletir isso. A falta de diversidade não é natural.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *