Análise: Quix! da TGM Editora

A TGM Editora é o braço editorial da Game Maker, empresa que revolucionou a forma de produzir protótipos no Brasil e estabeleceu todo um novo padrão de qualidade no mercado, apresentado ao público na edição carioca do Diversão Offline do ano passado. Eles estavam divulgando seus três primeiros jogos no estande durante o evento, com destaque para um deles, o Quix!

Quix! foi destaque durante DOFF RJ 2018.

Nós entrevistamos Gabriel Calderon, um dos responsáveis pela TGM Editora, na época para sabermos mais sobre o projeto e recebemos ao término do evento uma das cópias do Quix! utilizadas no estande para divulgação. Jogamos e gostamos muito, porém resolvemos aguardar o lançamento para publicarmos qualquer tipo de análise, o que ocorre agora, já que o jogo estará sendo comercializado na edição paulista do Diversão Offline, que ocorrerá nos dias 27 e 28 de abril.

Visão geral do estande. Olha lá a gente gravando com o Gabriel.

Ter aguardado tanto tempo torna esta análise do Quix! muito mais segura do que se a tivéssemos feito no calor da empolgação após algumas partidas. É muito comum, principalmente em jogos do estilo party game, um entusiasmo inicial muito alto, mas que não se sustenta ao longo do tempo. São jogos que possuem um grande potencial de desgaste, pois costumam ser jogados muitas vezes seguidas, caindo rapidamente na repetição.

Sempre que pego um novo party game, eu me preocupo bastante com o fator rejogabilidade, pois é um ponto muito sensível para o estilo. Geralmente, os jogos que se saem melhor nisso, são aqueles que trabalham com destreza. Quix! é um jogo que trabalha com perguntas e respostas, um tipo de jogo que é muito divertido, mas cansa muito rápido, porque logo as perguntas estão se repetindo. Porém, o game designer Marco Aurélio Tayt-son teve uma ideia muito boa para resolver o problema.

Um jogo de perguntas e respostas baseado em letras e categorias. Te faz lembrar alguma coisa?

 

Acho que todos nós jogamos “Adedonha/Adedanha” incansavelmente ao longo da infância, e até mesmo na fase adulta. Não tinha nada para fazer, era só pegar escrever umas categorias no papel e sortear a letra da vez. Anos e anos jogando e não cansa nunca. Isso acontece porque tanto perguntas como respostas são abertas, são estabelecidos apenas dois critérios mínimos a serem respeitados, a pergunta é uma categoria e a resposta precisa está limitada a uma determinada letra. O segredo que faz a graça do jogo é que as categorias variam, mas a letra é uma só para todas.

Quix! é um jogo de perguntas e respostas que utiliza o princípio dessa tão querida e memorável brincadeira, aliando a isso variações nos modos de resposta das categorias para aumentar a interação entre os jogadores, algo sempre desejado em um jogo do estilo party game. Além disso, as variações de modo, tão comuns em programas de TV e jogos eletrônicos de perguntas e repostas, adicionam também uma dificuldade maior para quem está respondendo, tornando a experiência de quem assiste mais interessante.

SELECIONANDO UM MODO DE RESPOSTA

Visão geral do jogo na mesa.

Quix! é um jogo bastante simples de jogar, a explicação de regras não leva mais do que alguns poucos minutos, mesmo que seja em uma mesa em que as pessoas não são jogadoras. São apenas 2 passos no turno: abrir uma letra e rolar o dado para definir o modo. Existem 4 modos básicos: Individual, Duelo, Todos Jogam e Eventos. Os 3 primeiros modos tem tempo estabelecido de 30 segundos.

Role o dado para descobrir qual será o modo de resposta do turno.

Individual: O jogador responde 4 categorias. Elas devem ser reveladas uma de cada vez conforme as respostas sejam dadas. O jogador tem a opção de pular a categoria que não souber responder, mas depois não pode mais retornar a ela. Cada resposta correta vale 1 ponto.

Duelo: O jogador escolhe um oponente para desafiar. Cada um dos jogadores compra uma categoria e revela ao mesmo tempo. Vence quem responder corretamente mais rápido. O jogador vencedor ganha 2 pontos e o perdedor perde 2 pontos.

Todos Jogam: Cada jogador compra uma categoria e começando pelo jogador da vez todos dão as suas respostas.

Desses três modos mais básicos, o meu favorito é o Individual porque oferece a possibilidade de maior pontuação em uma única jogada, maior emoção por causa da velocidade necessária para conseguir dar todas as respostas e também a maior (e mais caótica) interação. Eu sempre torço para que saia esse modo no dado.

COLOQUE O CÉREBRO NA MESA

Cada jogador possui 2 marcadores de cérebro, um que é colocado no tabuleiro para marcar a pontuação e outro que pode ser utilizado para responder na vez de outro jogador nos modos Individual e Todos Jogam. Esse é um dos fatores mais divertidos do jogo e responsável por tornar as partidas animadas. Do contrário, seria apenas os cada um respondendo organizadamente na sua vez, com zero de interação. Para responder na vez de outro jogador, basta responder antes dele e colocar seu marcador na carta de categoria correspondente.

Pense rápido e pontue mesmo não estando na sua vez.

EVENTOS

Ao rolar o dado, se sair a face com a interrogação, o jogador deverá comprar uma carta de evento, o jogo oferece cinco possibilidades sobre as quais detalharemos daqui a pouco. O legal dos eventos é que eles elevam a dificuldade do jogo ao adicionar dinâmicas mais complexas e que aumentam a interação entre os jogadores. Algo muito legal sobre os eventos é que eles possuem um tempo aleatório desconhecido pelos jogadores. Essa é a única utilidade real que vi para o app do jogo. Vamos conhecer um pouquinho de cada evento, antes de voltarmos ao assunto.

As cartas de eventos adicionam mais dinamismo ao jogo. Atenção: valores alterados na versão final.

Batata Quente: O jogador da vez responde responde uma categoria. Caso tenha sucesso, o próximo jogador deve responder a essa mesma categoria, só que com a próxima letra do alfabeto.

Começo do Fim: O jogador da vez responde responde uma categoria. Caso tenha sucesso, o próximo jogador deve responder a essa mesma categoria, só que com a última letra da resposta dada anteriormente.

Bola de Neve: O jogador da vez responde responde uma categoria. Caso tenha sucesso, o próximo jogador deve abrir uma nova categoria e responder junto com a anterior. É permitido repetir as respostas anteriores. Vira um pouco exercício de memória.

Brain Storm: Uma categoria é aberta no centro da mesa para que todos os jogadores tentem responder, o primeiro a responder pega a carta para si e uma próxima é aberta. O jogador com mais cartas ao final de 30 segundos ganha 3 pontos.

Tudo ou Nada: Único evento jogado individualmente. O jogador da abre três categorias e precisa responder a todas elas. Caso tenha sucesso, ganha 3 pontos.

Nos três primeiros eventos, quando o tempo acaba, o jogador com quem está a vez não ganha nada e todos os demais ganham 1 ponto. Anteriormente, o jogador perdia 2 pontos e todos os demais não ganhavam nada. Porém, para evitar muito vai e volta na pontuação foi realizada essa alteração, que também serve para acelerar a partida. Quando joguei com a regra antiga, sempre tinha jogadores perguntando com estranheza sobre a questão de ninguém ganhar pontos.

Esses marcadores em formato de cérebros são maravilhosos e rendem boas risadas sempre.

Meus eventos favoritos são os três primeiros, o Brain Storm não funciona legal comigo porque sou ruim em qualquer coisa que seja simultânea, nunca sou rápida o suficiente e tenho tendência a ficar travada. O Tudo ou Nada é um Individual mais difícil, não tem nada de realmente novo. Por isso, apesar de eu gostar bastante do Individual, esse evento não me atrai tanto quanto os demais.

APP

Quix! possui um app que controla o tempo e substitui as cartas de evento. Eu sou a favor da integração analógico e digital quando ela realmente agrega valor a experiência. O digital precisa fornecer ao analógico algo que apenas ele é capaz fazer, não apenas servir como substituto de componente.

Quando anteriormente o tempo de cada modo era fixo em 30 segundos bastaria colocar uma ampulheta. A adição posterior do tempo variável aleatório em 4 dos 5 eventos é a única coisa que justifica o uso do app. Mesmo assim, eu acho que isso deveria ser uma opção a mais para o jogador. Apesar de tal alteração, continuo acreditando ser um erro não vir uma ampulheta no jogo.

Quanto a questão de substituir as cartas de evento, qual é a necessidade disso? Se o app introduzisse novas cartas por uma impossibilidade de fornecer fisicamente um número mais variado ou adicionasse eventos que dependessem de alguma forma do app para serem realizados. Mas não parece ser esse o caso, talvez venha a ser útil no futuro para adicionar com mais facilidade novos eventos, mas isso é apenas uma especulação minha.

PODERES VARIADOS… SEMPRE ELES

Uma das maneiras mais utilizadas de adicionar variabilidade a um jogo são as cartas de poderes variados, cujo uso permite ao jogador se esquivar de alguma regra do jogo em seu benefício ou para atrapalhar algum oponente. Quix! também faz uso desse tipo de elemento surpresa. Ao passar em alguns pontos, sinalizados em amarelo, da trilha de pontuação, o jogador compra uma carta chamada aqui chamada de Eureca.

Os diferentes tipos de carta de Eureca presentes no jogo.

É um artifício usado em tantos jogos que considero já bastante desgastado. Para mim não faz tanta diferença, às vezes até esqueço das que tenho comigo. Só lembrando quando vejo um outro jogador utilizar, principalmente se for para me atrapalhar. O jogo possui 8 cartas diferentes desse tipo. Porém, o jogador só pode possuir simultaneamente 2 dessas cartas.

CONCLUSÃO

Quix! reúne de forma interessante e inteligente diversos elementos com os quais já somos familiarizados para entregar um party game com real potencial de ser divertido um público muito diverso, unindo harmonicamente na mesma mesa pessoas de idades e personalidades diferentes. Quix! brilha por sua simplicidade e funciona muito bem seja numa mesa com muitas ou poucas pessoas, não importando se são desconhecidas ou super íntimas, se são extrovertidas ou introvertidas.

Eu sou uma pessoa muito tímida, então por vezes me sinto muito insegura em relação a esse estilo de jogo. Porém, eu vi em Quix! um jogo com alta interação, mas livre de situações potencialmente desconfortáveis. Por conseguir agradar perfis tão diversos de pessoas e oferecer sempre uma experiência renovada de diversão é que considero atualmente Quix! como o melhor party game nacional disponível no mercado. TGM Editora acertou em cheio na escolha de seu jogo de estreia, que os próximos sigam o mesmo caminho.

Os outros dois Jogos anunciados no DOFF RJ 2018. Histórias de Pescador chega junto com Quix!

Assista também a nossa análise em vídeo:

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