Análise: Villainous, da Ravensburger

Villainous foi um jogo que me surpreendeu bastante, por causa do tema eu esperava algo bem mais simples, até mesmo mais pensando para o público infantil. Porém, apesar de ser jogo sobre vilões da Disney, ele apresenta uma complexidade razoável. Isso acontece porque cada vilão de um objetivo distinto, portanto a forma de jogar com cada um deles muda bastante.

Jogo montado para 4 jogadores.

Villainous é um jogo de 2 a 6 jogadores em que cada um assume o papel de um dos vilões clássicos da Disney lutando para conquistar primeiro o seu objetivo. Sua mecânica básica é Gestão de Mão. As regras do jogo em si são até simples, a malícia está no entendimento das vantagens e desvantagens de cada personagem. O jogador precisa conhecer bem os 2 decks de cartas com que irá jogar, mesmo um deles sendo passivo.

Vilões disponíveis no jogo: Úrsula (Pequena Sereia), Rainha de Copas (Alice no País das Maravilhas), Malévola (Bela Adormecida), Príncipe John (Robin Hood), Capitão Gancho (Peter Pan) e Jafar (Aladdin).

Cada jogador possui um mini tabuleiro que representa o seu reino, dividido em 4 localidades, cada uma delas com 4 ações disponíveis. Quais são as ações e como elas estão distribuídas muda de um vilão para o outro. O jogador começa o seu turno movendo o  marcador do seu personagem para uma dessas localidades e fazendo uma vez quantas ações desejar das 4 possíveis, em qualquer ordem. Não é permitido ficar parado.

Tabuleiros de cada um dos personagens.

Os jogadores sempre ficam com 4 cartas na mão, quando jogam cartas ou as descartam, eles completam a mão. O jogador possui o deck do personagem com o qual irá jogar diretamente e um outro deck que são dos heróis relacionados a história daquele vilão, que será utilizado pelos seus oponentes para tentar lhe atrapalhar, a esse deck é dado o nome de Destino.

Deck do vilão colorido e deck de Destino branco para todos.

Ao realizar uma ação Destino, o jogador escolhe um oponente como alvo e compra 2 cartas do deck de Destino daquele vilão, escolhe uma para usar e descarta a outra. Pode acontecer de sair 2 cartas que não são possíveis de utilizar naquele momento, se isso acontecer ambas são descartas e a ação foi meio que perdida.

Cartas de Destino cortam pela metade a quantidade de ações disponíveis em uma localidade.

As cartas de Destino que um jogador recebe contra si são posicionadas na parte de cima do seu mini tabuleiro, bloqueando metade das ações daquela localidade. Em partidas com 5 ou 6 jogadores, não é permitido que um mesmo jogador seja alvo de ação de Destino 2 vezes seguidas. Eu achei isso um pouco errado, pois em uma partida com 4 jogadores pode acontecer de um mesmo jogador ser atacado 3 vezes seguidas.

Marcador indicando que jogador não pode ser alvo de ação de Destino.

Quando um jogador conclui o seu objetivo, a partida não acaba imediatamente, cada oponente ainda joga mais uma vez. Um objetivo nunca está definitivamente cumprido, então a jogada dos demais jogadores é, se possível, usar ação de Destino para tentar desfazê-lo. É preciso avaliar bem o melhor momento para tentar fechar uma partida.

Objetivo da Malévola é colocar uma maldição em cada localidade.

As cartas de Destino não possuem custo, basta apenas o jogador escolher qual ele achar melhor para jogar, mas as cartas próprias de cada vilão possuem um custo determinado a ser pago. Então, além de ir na localidade de permita jogar a carta, o jogador precisa ter a quantidade de poder requisitada para pagar pela carta que deseja jogar. O Poder é a moeda do jogo. As cartas do deck de vilão são jogadas na parte de baixo do mini tabuleiro.

O jogo vem com um suporte bem bonito só para colocar os marcadores de Poder.

Para derrotar um herói jogado por um oponente para lhe atrapalhar, além de ter cartas de aliados com poder suficiente para isso, é preciso também utilizar uma ação Derrotar. Acontece bastante de querer fazer outras ações, mas ter que abrir mão para se livrar logo de um herói jogado contra você, não é bom deixar acumular. Existe outros meios de vencê-los, porém a ação Derrotar é única, não sendo possível usá-la 2 turnos seguidos. E ela é a principal forma de resolver o problema com os heróis.

Úrsula não possui ação de Derrotar, por isso seu principal meio é utilizando a carta de Item acima. Mas ela e outros vilões também possuem cartas de Efeito e Condição para se livrar dos heróis.

Em uma partida com mesa cheia, o jogo pode durar mais do que deveria, pois fica muito naquela de um jogador cumprir o seu objetivo e os outros irem lá desfazer, mas creio que numa mesa com jogadores mais experientes esse não deve ser um problema tão recorrente. Sempre antes de jogar é recomendável ler pelo menos o guia de cada vilão antes de escolher qual jogar, uma escolha baseada apenas na preferencia por um determinado personagem pode ocasionar frustrações.

Eu gostei muito de jogar 1X1, a partida fica bem mais rápida e dinâmica, além do uso da ação de Destino, e consequentemente Derrotar, aumentar bastante. É possível rodar o deck inteiro antes da partida acabar e quando o objetivo é concluído fica muito difícil para o oponente virar a situação. Porém, tenho minhas dúvidas se todos os personagens se sairiam bem nessa modalidade.

Villainous é um jogo que enche os olhos esteticamente desde a capa, todos os seus componentes são extremamente bonitos e bem pensados. Quanto a arte não é nem preciso comentar já que são as oficiais da Disney. Eu gostei muito dos marcadores estilizados dos personagens em material translucido. O design gráfico das cartas também é primoroso.

Acho que essas são as costas de cartas mais bonitas que já vi em um jogo.

Porém, o jogo requer um certo cuidado em sua manipulação, as cartas precisam ser sleevadas o mais rápido possível e os mini tabuleiros, por dobrarem ao meio, ficam rapidamente marcados com o uso. Apesar da caixa ser um pouco frágil, o jogo vem com um insert muito bom que acomoda muito bem todos os componentes, um item importante, pois muitas vezes peças se estragam nos jogos por ficarem soltas ou mal acomodadas na caixa.

Tabuleiros dos vilões dobrados.

Parece que a grande aposta do mercado atualmente é fazer a adaptação de franquias de sucesso para o universo dos jogos analógicos. Cada vez mais editoras tem aberto espaço para esse tipo de jogo, temos a Cryptozoic, USAopoly e a IDW Games que já são bem conhecidas por lançarem jogos desse tipo, e agora vemos a Ravensburger também entrando no segmento, uma editora tão tradicional.

Villainous foi lançado em 2018, ganhou o Toty Awards 2019, na categoria Jogo do Ano, e está concorrendo ao Origins Awards 2019, na categoria Card Game. O jogo já conta com uma expansão, que também funciona como jogo próprio, chamada Villainous: Wicked To The Core, que traz a aguardada Rainha Má. O jogo ainda não está disponível no Brasil, mas pode ser importado com facilidade, seu preço varia entre 30-40 dólares.

Confira também o nosso vídeo sobre o jogo:

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