Análise: Valente – O amor em jogo, da Geeks N Orcs

Valente – O amor em jogo é um cardgame baseado na premiada série de HQs do quadrinista brasileiro Vitor Caffagi, que conta as divertidas aventuras amorosas de um simpático cãozinho de nome Valente. O jogo foi lançado no ano passado pela editora Geeks N’ Orcs através de uma campanha de financiamento coletivo muito bem-sucedida, a meta foi alcançada em menos de 1 hora, e tem como game designer Renato Simões.

Valente – O amor em jogo na mesa.

Vitor Caffagi é mais conhecido por ser o autor, junto com sua irmã Lu Caffagi, da Graphic MSP Turma da Mônica: Laços, que está chegando este mês aos cinemas em uma adaptação com atores reais. Valente – O amor em jogo não é o primeiro trabalho em parceria entre o quadrinista e a editora, a estreia ocorreu na produção da arte do interessante Por Favor, Não Corte A Minha Cabeça!

Pegando autógrafo com dos irmãos Caffagi.

Apesar de gostar bastante de Valente, a notícia da produção do jogo não me empolgou muito, pois não sou uma grande fã de jogos de contação de histórias. Imaginei que seria mais um produto para fãs da obra do que um jogo propriamente dito, mas felizmente eu estava bastante enganada.

Jogo e HQ lado a lado.

O game designer Renato Simões fez um trabalho muito bom ao criar um jogo extremamente temático, mas com regras, que apesar de simples, o tornam um desafio competitivo minimamente interessante, mesmo para quem não conhece  ou não é exatamente fã da HQ.

As cartas de Valente – O amor em jogo são trechos de tirinhas que vão contando, assim como na HQ, as aventuras do cãozinho Valente, cujo coração está dividido entre Dama e Princesa. No jogo, os jogadores constroem tirinhas com conjuntos de 3 cartas e tem como objetivo fazer a declaração de amor definitiva.

Construa a história do cãozinho Valente.

Existem 2 trilhas fundamentais no jogo: a trilha do coração e a trilha de confiança. As cartas trazem ícones que vão fazer os marcadores dessas trilhas se movimentarem, além de outros que vão permitir ações especiais no jogo, conforme será detalhado mais abaixo.

Trilha do coração.
Trilha de confiança.

Na sua vez, o jogador deverá escolher 2 entre 3 ações possíveis, sendo permitido realizar 2 vezes a mesma ação. Segue abaixo as ações em detalhes:

1- Comprar 1 carta: Pode ser comprada fechada do deck ou aberta do descarte. O jogador começa a partida com 4 cartas, porém o limite de mão é de 7 cartas. O descarte é uma parte importante do jogo, a compra do descarte é sempre da carta aberta no topo e a ordem das cartas deve ser sempre mantida.

2- Baixar 1 carta: Deve seguir a ordem correta de numeração e personagem. Um jogador não pode ter mais do que 3 tirinhas incompletas na sua frente, mas pode descartar uma tirinha em construção para abrir espaço para iniciar uma nova. Ao completar uma tirinha, ela vai para o centro da mesa, apenas neste momento  é que todos os ícones das cartas são resolvidos.

Área de jogo individual de cada jogador.

3- Descartar até 3 cartas para repor a mesma quantidade. Essa é uma ação muito importante e que será muito utilizada, pois é necessário fazer rodar a mão em busca das cartas mais adequadas ao objetivo escolhido. É preciso sempre estar atento a ordem em que as cartas são colocadas no descarte, tanto para não entregar uma carta boa de bandeja para um oponente quanto para conferir se algo que lhe interessa foi colocado lá.

Quando a tirinha completa é colocada no meio da mesa e os efeitos todos são ativados, é também o momento para realizar a leitura em voz alta para todos os demais jogadores. Não é algo obrigatório, mas é algo legal a se fazer. Sendo cada tirinha composta por apenas 3 cartas é uma leitura bem rápida e como elas vão sendo completadas em diferentes momentos ao longo da partida, então a leitura vai ficando dividida, o que ajuda ainda mais para que não fique algo cansativo.

Tirinha completa no centro da mesa, hora de ativar os efeitos e fazer a leitura, se quiser.

Algo que achei bastante impressionante é como não importa a combinação de cartas que se faça, as tirinhas sempre acabam fazendo sentido e sendo engraçadas, consegue transmitir o exato sentimento que se tem ao ler a HQ. O fato de ser o exato mesmo desenho ajuda bastante, mas os textos foram adaptados para o jogo. Imagino que não deva ter sido um trabalho fácil.

Textos diferentes, mas a essência foi mantida.
O nível da alteração varia em cada carta.

Como dito anteriormente, as cartas tem ícones de Valente, Dama ou Princesa que vão fazer os marcadores das trilhas correspondentes avançarem. Porém, além desses ícones, as cartas podem conter outros 3 ícones bastante importantes em termos mecânicos, conforme detalhados abaixo:

1- Comprar 3 cartas, escolher 1 e descartar as 2 restantes.

2- Comprar do descarte qualquer carta a escolha do jogador.

3- Descartar a última carta da tirinha incompleta de um jogador qualquer.

Exemplo de tirinha com cartas com os 3 ícones mencionados.

A condição de vitória do jogo é ter no nível máximo os marcadores das trilhas de confiança e de coração, no lado escolhido. Existem cartas de fim de tirinha que vem marcadas com um ícone de declaração, elas podem vir sinalizadas como Dama, Princesa ou serem neutras, servindo para ambas. Ao colocar, no centro da mesa, uma tirinha terminada com uma carta de declaração e estando as trilhas corretamente no máximo a partida termina imediatamente.

Exemplo de carta de declaração para Dama.

Muitos jogadores podem não gostar de jogar uma partida sem uma previsão clara de término, acredito que por isso o manual apresenta a possibilidade de jogar com número fixo de rodadas. Se nenhum jogador alcançar a condição de vitória dentro do tempo estipulado é considerado que Valente teve seu coração partido, não tendo conseguido se declarar e ficando portanto sozinho.

Mostrando só o envelope, que por si só já é bem fofinho, para não estragar a surpresa de ninguém.

O conceito é muito bom, mas o jogo não vem com nenhuma forma para realizar essa marcação sugerida de rodadas, algo que considero uma falha. Claro que quem quiser adotar essa variável é fácil adaptar uma solução caseira com um D20 ou algo similar. Porém, incluir uma trilha para contagem de rodadas era o que deveria ter sido feito. É minha única reclamação sobre o jogo.

Valente – O amor em jogo foi uma boa surpresa, pois é bastante temático sem deixar de ter um interessante conjunto de regras. É um jogo pensado para ser simples e acessível sem ser bobo. Seu público alvo é principalmente os leitores da HQ, mas funciona bem mesmo com quem não conhece a história. Ele tem um elemento de contação de história forte, porém não torna isso um peso para o jogador, deixando a escolha livre. É um jogo leve legal para abrir uma jogatina ou apresentar a novos jogadores. Tem um apelo interessante também como presente.

Confira mais sobre o jogo assistindo a nossa análise em vídeo:

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