Análise: Sirvam o Rei, da TGM Editora

Sirvam o Rei, do game designer Joshua Kritz, é uma primeira tentativa muito necessária da TGM Editora de lançar um jogo pequeno e de baixo custo. Com uma caixinha que cabe no bolso e valor abaixo da linha dos 50 reais, o jogo para 3-6 jogadores é uma combinação de Memória e Gestão de Mão, com algumas doses de Toma Essa e Blefe. Destaque para a bela arte de Diego Sá.

TGM Editora segue entregando jogos com artes de encher os olhos.

COMO JOGAR

Sirvam o Rei possui regras bastante simples. É jogo para menos de 5 minutos de explicação. No início da partida, cada jogador recebe 4 cartas de Receita fechadas que devem ser posicionadas à sua frente, 2 em cima e 2 embaixo.

Posicionamento das cartas dos jogadores.

Apenas as cartas inferiores deverão ser visualizadas secretamente pelos jogadores no início da partida, e apenas neste momento específico, as cartas superiores permanecem ocultas. Somente através do uso de efeitos de cartas ao longo da partida será possível olhar as cartas novamente.

O jogo possui 5 cartas de Rei diferentes, cada uma com um tipo de requisito a ser cumprido. É utilizada apenas 1 carta desse tipo por vez. Essas cartas são responsáveis por dar maior variabilidade e desafio ao jogo. Os requisitos variam entre maior ou menor soma, com alguma outra exigência adicional.

Bela arte das cartas de Rei, mas iconografia é praticamente enfeite.
Leitura da descrição é quase sempre necessária.

Na sua vez, o jogador deve comprar uma carta do monte comum de cartas de Receita e escolher entre as 2 opções possíveis: 1) Descartá-la para usar o seu efeito, que varia entre olhar e/ou trocar uma carta. 2) Trocá-la com uma das 4 cartas posicionadas à sua frente. Quando um jogador descarta uma carta, outro pode descartar uma igual imediatamente. Isso vale apenas para o primeiro a realizar a ação. É necessário agir rapidamente. Porém, é preciso ter atenção, pois ao descartar errado, o jogador recebe como punição uma carta extra.

Usar o efeito da carta ou a sua numeração?

A partida segue assim até que algum jogador acredite ter cumprido o requisito da carta de Rei em jogo. Se isso acontecer, na sua vez, em vez de comprar uma carta, ele deverá apenas declarar “Sirvam o Rei”. Os demais jogadores jogam mais uma vez e depois é feita a verificação do resultado. Nem sempre quem aciona o fim de jogo vai ganhar.

A hora de revelar as cartas é sempre o momento da surpresa.

Para não agir de forma precipitada, entregando a vitória para outro jogador, contar a quantidade de cartas é um bom caminho. As cartas de Receita variam de -1 até 10 e 15. Temos no jogo 3 cartas de -1 e 15, 5 cartas de 0 e 10 e 4 cartas para os demais valores. A atenção ao descarte pode ser um fator decisivo.

As cartas de Receita presentes no jogo.

Porém, isso é algo bem difícil de fazer. Passados alguns turnos, ninguém mais sabe nenhuma de suas cartas, seja porque esqueceram mesmo ou porque já foram trocadas diversas vezes. É comum desperdiçar ação para olhar uma carta já conhecida. É frustrante quando acontece isso.

UM COMPLEMENTO DESNECESSÁRIO

No chamado modo completo, o Sirvam o Rei é jogado em uma série de 3 rodadas. Sendo que em cada uma delas será utilizada uma carta de Rei diferente. Além disso, ao final de cada rodada, os jogadores utilizarão cartas de Ajudante para apostar secretamente, antes de serem reveladas as cartas de Receitas e verificado o resultado.

Os Ajudantes trapalhões.

Essas cartas são embaralhadas para ninguém saber quem jogou qual e, em ordem de proximidade do cumprimento do requisito da carta do Rei, cada jogador irá escolher uma delas para si. A soma dessas cartas é o que irá determinar no final da partida quem foi seu vencedor.

Eu detestei o funcionamento das cartas de Ajudante e pretendo ignorá-las em partidas futuras. Achei o uso muito aleatório. Diminui a dinâmica e a competitividade do jogo. É um acréscimo burocrático desnecessário. Uma tentativa falha de dar ao jogo uma camada estratégica mais profunda.

Já a ideia de 3 rodadas até acho boa, o jogo é bem rapidinho mesmo. Porém, acho mais interessante aplicar Melhor de 3, venceu 2 acabou, para evitar uma terceira rodada morta. As cartas inúteis de Ajudante podem servir para ir contando as vitórias a cada rodada.

CONCLUSÃO

A TGM Editora tem como proposta trabalhar com jogos familiares e festivos nacionais, porém um problema enfrentado por eles é o valor elevado de seus títulos lançados até então. Apesar da alta qualidade, tanto em termos de jogo em si quanto de material e arte, a competição nessa linha de jogos é bastante acirrada. Muitas vezes o preço é o fator decisivo na hora da escolha entre as tantas opções disponíveis no mercado. Portanto, a decisão de incluir um jogo como Sirvam o Rei no catálogo foi bastante acertada.

O problema é que, como eu disse acima, é uma parte do mercado muito disputada. Ele é um jogo legal apenas, mas bem esquecível. Até porque é tematicamente genérico. Apesar de eu ter gostado bastante do esquema de Memória proposto, ele não tem nada de diferente ou marcante, nada que dê vontade de jogá-lo repetidas vezes. A partida termina com você pensando sobre qual é o próximo jogo que vai querer colocar na mesa.

Para completar, dois problemas específicos minam o já escasso entusiasmo provocado, além da questão das cartas de Ajudante, apresentada anteriormente, eu achei o próprio mecanismo de disparo de fim de partida/rodada um pouco frustrante.

Dependendo de como vierem as suas 2 cartas de baixo, em 2 turnos dá já pra dizer “Sirvam o Rei” com razoável convicção. Isso para não mencionar a possibilidade de um jogador querer ser troll e mandar um “Sirvam o Rei” de cara só para sacanear os demais ou simplesmente para tentar a sorte mesmo. Algo que poderia ser evitado se fossem utilizadas cartas de que disparassem o final entre as cartas de Receita, o que deixaria o jogo ainda mais temático.

Sirvam o Rei não chega a ser uma opção ruim, sua ideia central é interessante e possui uma arte bem bacana, o problema é que ele é um jogo apenas mediano concorrendo em uma categoria com muitos jogos bons ou até mesmo excelentes. Sua chance está realmente na combinação preço e arte, as pessoas não costumam fazer grandes reflexões para comprar jogos baratos, e a arte faz ele se destacar entre outros tantos títulos até melhores, mas que não possuem um tratamento artístico tão caprichado. A TGM Editora sabe como fazer um bom trabalho visual em seus produtos.

Assista também a nossa análise em vídeo:

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Um comentário em “Análise: Sirvam o Rei, da TGM Editora”

  1. Olá Aline, tudo bem?
    Nossa, fiquei super feliz em ler sua análise! Me sinto lisonjeado pelos elogios feitos a arte do jogo e pela quantidade de vezes que você volta ao assunto reforçando o quanto você gostou dela tanto na mídia escrita quanto no vídeo.
    Muito obrigado por isso! Realmente fico feliz quando isso acontece e sinto uma sensação de dever cumprido.
    Abraço pra vocês!

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