Análise: God Of War: Card Game, da Galápagos Jogos

God Of War: Card Game é um cooperativo, de autoria dos game designers Alex Olteanu e Fel Barros, publicado originalmente pela CMON e lançado no Brasil pela Galápagos Jogos. Sua mecânica principal é o Deck-Building (Construção de Baralho) e comporta de 1-4 jogadores. O jogo é baseado no mais recente título da franquia de videogames God Of War, que coloca Kratos em um cenário de mitologia nórdica dividindo o protagonismo com seu jovem filho Atreus.

Tematicamente, God Of War: Card Game não possui nenhum atrativo para mim, pois não sou fã da franquia e nem de mitologia nórdica. Então, um peso ainda maior acabou recaindo sobre a parte mecânica do jogo. Minha experiência não foi das melhores já na leitura do manual. Informações truncadas e faltantes prejudicam o bom entendimento das regras, algumas questões parecem deixadas a cargo do poder de dedução dos jogadores e conhecimento prévio do próprio jogo de videogame em que ele se baseia. Isso deixa o contato inicial bem mais complicado do que deveria.

Manual é o primeiro obstáculo a ser superado.

 

God Of War: Card Game não é um jogo de regras complexas. Pelo contrário, ele é até bem simples em sua proposta. O problema está na falha do manual em transmitir corretamente todas as informações necessárias aos jogadores de uma forma fácil e acessível. Porém, essa não é a única ressalva em relação ao jogo. Infelizmente, apesar de algumas boas ideias, existem outros pontos negativos que serão tratados ao longo deste texto, assim como os pontos positivos também.

COMO JOGAR

Em God Of War Card Game, cada jogador assumirá o papel de um dos Heróis da história e lutará cooperativamente contra os Inimigos em uma série de Cenários específicos, utilizando cartas para atacar, defender e curar. Como em todo jogo que utiliza a mecânica de Deck-Building (Construção de Baralho), os jogadores começam com uma determinada quantidade de cartas básicas iniciais e vão comprando novas cartas no decorrer da partida.

Heróis disponíveis no jogo.
Exemplo de Herói com suas cartas iniciais e sua figura representativa.

Em uma partida completa, os jogadores enfrentarão 3 Cenários, sendo o último deles o Chefe Final. Os jogadores no início da partida deverão embaralhar as 6 cartas de Missão e selecionar aleatoriamente 3 delas, devolvendo as restantes para caixa. Da mesma forma, as 4 cartas de Chefe Final deverão ser embaralhadas, 1 carta voltando para caixa e as outras 3 ficando na mesa. O manual recomenda o uso do Cenário 1 na primeira partida.

Cartas de Missão.
Cartas de Chefe Final.

Nas cartas de Missão e Chefe Final vêm a indicação do número do Cenário a ser montado, cada um deles trará diferentes Condições e Elementos de Interação. Os Cenários são formados por cartas posicionadas em 2 linhas, a quantidade de colunas será variável. As figuras dos Heróis são colocadas, e irão se deslocar, na base de cada uma delas. O limite é de 2 Heróis por coluna e eles devem ficar um atrás do outro, isso fará diferença em termos de Ataque recebido.

Cenário 1 com as figuras de Heróis posicionadas na base das colunas.

Antes de iniciar a partida, após realizar a montagem do Cenário escolhido, os jogadores devem observar com atenção todos detalhes até terem certeza do pleno entendimento de seu funcionamento. Não há explicação sobre eles no manual, então não há como tirar possíveis dúvidas. É esperado que os jogadores compreendam com base apenas no texto e iconografia das cartas. Não é nada impossível, mas gera um esforço desnecessário.

Na sua vez, cada jogador realizará a Ativação do Herói podendo jogar quantas cartas quiser e movê-lo uma vez, as ações poderão ser realizadas na ordem desejada. O movimento pode ser para qualquer outra coluna do Cenário, desde que haja espaço livre. O limite de mão inicial é de 7 cartas, podendo variar ao longo da partida.

As cartas podem ser de Ataque Corporal, Ataque à Distância, Defesa, Especiais e Número. Ataque Corporal só pode ser usado na linha de baixo, enquanto Ataque à Distância pode ser usado em ambas as linhas. Os Heróis só atacam na coluna em que estão posicionados.

Ataque Corporal, Defesa, Ataque à Distância e Número. As cartas podem trazer algum efeito adicional ou apresentar mais de uma opção de escolha.

As cartas de Ataque e Defesa precisam ser jogadas acompanhadas de cartas de Número. A soma numérica determinará a força daquela ação. Em geral, ao realizar um Ataque, o jogador precisará rolar também o Dado de Defesa do Inimigo que possui valores entre 0-5 que serão descontados do dano aplicado.

Dados de Defesa do Inimigo.

Cada Herói possui ainda um poder único chamado Habilidade de Fúria que vai sendo “carregado” a cada Ataque efetuado, ficando liberada para uso quando o contador chega ao máximo. Existem também cartas Especiais com o efeito específico de fazer essa trilha avançar. Após sua utilização o contador é zerado.

Exemplo de um contador de Habilidade de Fúria de um Herói.

Após a vez de cada jogador haverá uma Ativação do Cenário. Uma carta da pilha de Aprimoramentos é revelada e o setor do Cenário ativado será conforme a Runa informada na carta. Depois da Ativação do Herói e da Ativação do Cenário de todos os jogadores, haverá ainda uma Ativação Extra do Cenário.

As cartas assim reveladas formarão a Line Up (Linha de Compras). Achei um modo simples, interessante e bem integrado de fazer isso. Ao final da Ativação Extra do Cenário, cada jogador então comprará uma carta que vai para o topo do seu baralho, sobrando uma carta que será descartada.

Exemplo de Line Up (Linha de Compra) em partida com 2 jogadores.

Durante a Ativação do Cenário, os Inimigos localizados na Runa informada na carta de Aprimoramento revelada irão realizar um Ataque. Se houver 2 Heróis na mesma coluna, aquele que estiver a frente será quem receberá o dano. Esse é o momento para utilização das cartas de Defesa.

Além do dano em si, o Ataque dos Inimigos pode ter outros efeitos, tais como Atordoado e Veneno. A carta com o efeito correspondente é colocada no topo do baralho. Quando o jogador for comprar a mão, se uma dessas cartas vir, deverá ser descartada imediatamente. Porém, no caso de Veneno, o Herói recebe 1 dano e compra uma nova carta. Essas cartas só são removidas no final da Missão ou na fase de Aprimoramento, o jogador pode optar por não comprar uma nova carta para poder realizar descarte.

Já a carta de Cristal Explosivo é um recurso que pode ser adquirido através de diferentes métodos nos Cenários. Eles são utilizados em combate contra Inimigos e para atingir objetivos em Missões. Sua forma de remoção do baralho ocorre da mesma forma que as cartas de Atordoado e Veneno.

Outros elementos representados por cartas.

Não apenas um Herói é passível de ser Atordoado, esse é um efeito que também pode ser provocado em um Inimigo. Nesse caso, ele ganha um marcador de Atordoado. Na sua próxima ativação, sua única ação possível será descartá-lo.

Marcadores diversos: Primeiro Jogador, Limite de Mão, Atordoado, Morte, Vida e Comum.

Após a conclusão da Condição do primeiro Cenário, os jogadores deverão escolher entre os 2 restantes, o que sobrar terá a sua carta virada, o verso traz uma informação de Obstáculo para ser aplicado ao novo Cenário. Após a conclusão do  Objetivo do segundo Cenário, os jogadores deverão escolher 1 das 3 cartas de Chefe Final, as 2 descartadas serão viradas e o Obstáculo de ambas aplicado a esse último Cenário.

Verso das cartas de Missão.
Verso das cartas de Chefe Final.

Caso a vida de um dos Heróis seja zerada, ele é considerado Nocauteado, ficando de fora durante o resto do Cenário e só podendo retornar no próximo, porém a Ativação do Cenário na vez dele continua a ocorrer normalmente. Se todos os Heróis forem Nocauteados em um mesmo Cenário, a partida termina em derrota.

CONCLUSÃO

Após finalizar o primeiro Cenário, a sensação que se tem é de fim de partida, pois eles não são simples e nem rápidos. Lembrar que ainda falta 2/3 para realmente chegar ao término pode ser desanimador. God Of War: Card Game não desperta aquela vontade de continuar jogando um Cenário após o outro, apesar deles serem certamente um dos pontos altos do jogo.

Superada a questão sobre uma dificuldade inicial que pode ocorrer no correto entendimento de como funcionam, conforme explicado mais acima, achei os Cenários uma ideia bem legal. Os painéis formados são muito bonitos, além de extremamente temáticos, sendo um bom mecanismo de imersão. Eles servem também para proporcionar uma grande variabilidade, pois são bem diferentes entre si.

A dinâmica do Cenário 2 é completamente diferente dos Cenários antes e depois dele.
No Cenário 3, encontramos novas formas de interação e Inimigos.

O fato das cartas de Cenário serem dupla-face, as cartas vão virando de acordo com os acontecimentos da partida, aumenta bastante as possibilidades e ainda acrescenta um fator surpresa bem interessante. Muito da questão de causa e efeito é tornada visual. Apesar de não funcionar em 100% dos casos, ainda assim impressiona.

Cartas da segunda coluna do Cenário 3 após viradas.

Com tantos detalhes assim em cada Cenário, ele provê o suficiente para provocar uma sensação de partida completa. Além disso, faz como que os Obstáculos que são adicionados a partir do segundo Cenário pareçam inúteis. Porém, acho que o peso maior das partidas parecem demasiadamente longas está na implementação fraca da mecânica de Deck-Building (Construção de Baralho).

As partidas de God Of War: Card Game parecem longas demais porque elas, por mais diferentes que os Cenários sejam, são repetitivas. Isso acontece porque o Deck-Building (Construção de Baralho) é bastante mal utilizado, pois não há uma grande variação de cartas no jogo, elas são fundamentalmente sem graça e bastante parecidas. Não há mudanças significativas entre cartas de Aprimoramento e as cartas Básicas Iniciais. Isso faz com que não exista uma sensação de construção de baralho efetivamente.

Cartas de Aprimoramento muito parecidas com as Básicas.
As cartas Especiais são as únicas realmente diferentes entre as de Aprimoramento.

O jogo se resume a atacar, defender e curar utilizando cartas extremamente genéricas. Não existe emoção alguma na fase de compra de novas cartas. Toda a parte das cartas é burocraticamente chata e por mais que o Cenários sejam legais, depois de rodadas e mais rodadas jogando e comprando as mesmas cartas, o jogo se torna repetitivo e chato.

O jogador quando chega em um dos Cenários de Chefe Final já está sem ânimo para continuar.

God Of War: Card Game pode ser uma boa opção para fãs da franquia de videogames God Of War. Fico em dúvida se seria para fãs de cooperativos, acho  que existem opções mais interessantes no mercado. Porém, certamente, não é um jogo que eu recomendaria para fãs de Deck-Building (Construção de Baralho). Mas apesar de ter seus pontos negativos, não achei um jogo exatamente ruim. Ele apenas acabou deixando uma sensação estranha de frustração, mesmo que as minhas expectativas em relação a ele não fossem das mais elevadas.

Sobre a parte física do God Of War: Card Game, não há do que reclamar. Em geral, os jogos da CMON costumam ter um padrão de qualidade muito bom e aqui não é diferente, componentes com ótimo acabamento e gramatura. Além disso, a caixa é agradável ao toque e bem resistente. O insert personalizado acomoda adequadamente todos os componentes, inclusive as cartas sleevadas. A caixa não fica estufada e não é preciso esforço na hora de guardar o jogo. Gostei muito da tampa que vem no insert e não deixa os componentes ficarem “dançando” dentro da caixa.

Assista também ao nosso vídeo para conferir mais detalhes sobre o jogo:

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