Análise: Death Note Confrontation, da IDW Games

Death Note Confrontation é um jogo assimétrico de dedução exclusivo para 2 jogadores lançado pela IDW Games. De autoria dos game designers Jordan e Mandy Goddard, o título é baseado no mangá/anime de grande sucesso Death Note. Um dos jogadores será o assassino Kira enquanto o outro jogador será o detetive L. 

Quem vencerá esta disputa?

Para quem, por algum acaso, não conheça a história, aqui vai um breve resumo: O Death Note é um caderno sobrenatural em que basta escrever o nome de uma pessoa para que ela morra, sendo possível opcionalmente também escrever até mesmo a causa da morte. Ele foi deixado na Terra pelo Shinigami (deus da morte) Ryuk e encontrado pelo estudante Light Yagami, que se torna o assassino Kira, ao decidir usar o caderno para punir criminosos. Para investigar a misteriosa série de inexplicáveis mortes é convocado o mundialmente famoso detetive conhecido apenas como L.

Light Yagami, conhecido como o assassino Kira.

Death Note Confrontation se concentra nos acontecimentos do início da história, logo quando o detetive L inicia suas investigações. Pelo padrão das mortes, ele desconfia que o assassino Kira está localizado em uma área específica e para confirmar suas suspeitas adota como estratégia a manipulação das notícias daquele local para induzir suas ações.

O mundialmente famoso detetive, conhecido apenas como L.

COMO JOGAR

Death Note Confrontation possui 2 modos distintos de jogo: Básico (Capítulo Um) e Avançado (Capítulo 2). Para iniciar uma partida, os jogadores deverão escolher em qual modo jogarão e pegar o conjunto de cartas correspondente. Depois disso, eles deverão escolher qual papel cada um deles irá assumir e pegar o respectivo caderno, abrindo no mapa referente ao modo escolhido.

Baralhos de Pistas e Suspeitos dos Capítulos 1 e 2 do jogo.

Quem for jogar como o assassino Kira deverá adicionalmente comprar uma carta do Baralho de Suspeitos. O jogo vem com 2 marcadores transparentes de grade (5X5) que são utilizados para determinar os limites da área de alcance em que o suspeito se encontra. O marcador do assassino Kira será posicionado e ficará fixo durante toda a partida enquanto o marcador do detetive irá ser movimentado para verificar os diversos suspeitos.

Eu posicionei o marcador de forma a refletir a luz para ficar visível para foto.

Uma partida de Death Note Confrontation é jogada em uma série de rodadas que representam os dias da investigação, elas são dividas em duas fases: Dia e Noite. Durante o Dia, o assassino Kira visita cenas de crime na cidade descobrindo criminosos para punir enquanto o detetive L segue as pistas para tentar eliminar suspeitos e ficar cada vez mais perto de descobrir sua identidade. Durante a Noite, o detetive L manipula as notícias tentando fazer o assassino Kira se revelar através de suas ações.

  • Fase do Dia: A Perseguição

Uma carta do Baralho de Pistas, que representa uma cena de crime, é aberta com a informação de 2 armas distintas. Cada jogador deve secretamente escolher uma das opções. Se a escolha for igual, vitória do detetive L que compra uma carta do Baralho de Suspeitos, eliminando assim um deles. Se a escolha for diferente, vitória do assassino Kira que irá ganhar os pontos da opção escolhida por ele.

Vitória do detetive L, ele compra uma carta do Baralho de Suspeitos.
  • Fase da Noite: Notícias Noturnas 

O detetive L rola 3 Dados que determinarão os tipos de armas. Com base nos resultados, ele escolherá 3 números. O assassino Kira escolhe um dos números para realizar um assassinato, ganhando os pontos correspondentes a arma. Ele só pode agir dentro da área (5×5) em que está no mapa. Se os números informados estão dentro da área, ele é obrigado a matar. Se estiverem fora, nas 2 primeiras vezes, ele realiza as mortes marcando como Morte Regional. Depois disso, nada acontece e então é marcado Noite Tranquila.

O detetive L escolhe os números de acordo com as armas mostradas nos dados.

A fase do Dia tem um fator sorte aparentemente bastante alto porque é muito difícil saber se a aposta vai ser mais ousada (mais pontos) ou cautelosa (menos pontos). Porém, existe uma questão de leitura do oponente e da partida que vai sendo aperfeiçoada no decorrer das rodadas. Isso pesa mais para o lado jogando com o detetive L, mas também não pode ser deixado de lado por quem joga com o assassino Kira

Fator sorte exige boa leitura do oponente e da situação da partida para ser contornado.

A fase da Noite é a principal do jogo e não possui quase nenhuma sorte. O detetive L precisa montar uma estratégia na seleção dos números enquanto o assassino Kira precisa avaliar muito bem as suas escolhas para afastar suspeitas. Um ponto muito importante é saber utilizar muito bem o Morte Regional para confundir e induzir o detetive L a erro. Saber uma manter uma expressão facial neutra também é fundamental para não acabar dando uma dica involuntária.

É interessante perceber que ambas as fases, apesar de bem diferentes entre si, apresentam o esquema de “gato e rato” muito característico da interação desses personagens na história, em que um está sempre tentando enganar o outro, sempre tentando prever os movimentos do outro para se adiantar. 

O assassino Kira ganha a partida se somar 15 pontos ou se completar a terceira Noite Tranquila. O detetive L só ganha se conseguir identificar exatamente qual é a letra de suspeito do assassino Kira, o que pode ser feito a qualquer momento da partida, mas apenas uma única vez. Uma forma comum de vitória do assassino Kira é através do erro do detetive L em apontar o suspeito correto.

É preciso muito cuidado com a precipitação na hora de apontar qual suspeito é o assassino Kira. Entretanto, esperar demais também pode ser um caminho para derrota.

Das 2 formas de vitórias próprias do assassino Kira, a mais comum é a por pontuação, mas eu gosto muito da possibilidade do Noite Tranquila, pois é bastante temática. Se durante 3 noites não houver mortes significa que o caso esfriou, assim o assassino Kira escapa do radar do detetive L que perdeu aquela linha investigativa.

  • Capítulo 2: O que muda?

A ideia é elevar um pouco mais o nível de dificuldade do jogo, porém sem realizar grandes alterações ou adições nas regras. O mapa passa a ser completamente preenchido, o que aumenta a quantidade de números possíveis, já que os espaços em branco são eliminados. Além disso, o limite de Noite Tranquila diminui de 3 para 2, o de Morte Regional aumenta de 2 para 3 e a pontuação necessária para vitória do assassino Kira aumenta de 15 para 20. As cartas do Capítulo 2 trazem informações adicionais que destravam o uso de certa Habilidades Especiais tanto pelo assassino Kira quanto pelo detetive L.

Mapa completamente preenchido aumenta bastante as opções de escolha de números.

As cartas do Baralho de Pistas do Capítulo 2 trazem adicionalmente o desenho de maças em uma das opções. Ao vencer o detetive L tendo escolhido essa opção, o assassino Kira recolhe a quantidade de maças indicada, distribuindo-as da forma como preferir entre as Habilidades Especiais disponíveis de serem destravadas. 

Comparativo entre os Baralhos de Pistas dos Capítulos 1 e 2.

O Capítulo 2 traz para o jogo o Shinigami (deus da morte) Ryuk, dono original do caderno, que sempre acompanha o assassino Kira. Ele adora comer maças e por algumas delas realiza favores. No jogo temos 4 Habilidades Especiais que podem ser destravadas: Mudar a face de até 3 dados, 2 pontos, Trocar A/B depois de revelado e 3 pontos. As opções de pontuação só são válidas se forem a quantidade necessária para fechar a partida.

Do lado do detetive L, o Baralho de Suspeitos passa a trazer adicionalmente o desenho de estrelas, que representam informações obtidas através daquele suspeito eliminado. As 4 Habilidades Especiais que podem ser destravadas são: Mudar a face de até 3 dados, Comprar uma carta de suspeito, Trocar A/B depois de revelado e Noite Tranquila adicional.

Comparativo entre os Baralhos de Suspeitos dos Capítulos 1 e 2.

Ao conquistar um símbolo referente a Habilidade Especial, seja maça ou estrela, o jogador deve escolher um dos respectivos espaços disponíveis para preencher em seu mapa. Ao completar todos os símbolos de uma determinada Habilidade Especial, ela fica liberada para utilização. Cada uma delas só poder ser ativada uma única vez na partida e o jogador é livre para fazê-lo no momento que achar mais oportuno.

Habilidades Especiais adicionam novas possibilidades de reviravoltas ao jogo.

CONCLUSÃO

Um acerto de Death Note Confrontation é focar em um ponto específico da história em vez de tentar adaptá-la como um todo, o que poderia acabar resultando em algo genérico. Assim os game designers conseguiram desenvolver uma adaptação bastante temática em que as mecânicas e regras trabalham perfeitamente em função da história.

Tudo isso em um título pequeno e simples, bastante acessível para não-jogadores, com um conjunto de componentes enxuto mas atrativo, utilizando cadernos como elemento principal e os demais como apoio. É um jogo que desperta a curiosidade apenas de olhar para ele, mesmo para quem não é necessariamente fã do mangá/anime.

Visão geral dos componentes do jogo reunidos, os lápis são minha adição.

Algo que considero importante é não ser um jogo apenas para quem gosta de uma determinada franquia. Death Note Confrontation é um título a ser considerado por qualquer um que goste de jogos dedutivos. Desperta a curiosidade por seus componentes bem pensados e conquista pela precisão com que cumpre o que se propõe. 

Porém, apesar de ter gostado bastante dos componentes do jogo, não posso deixar de registrar a minha crítica a questão da forma como a questão das anotações é trabalhada no jogo. O fato de não vir lápis, apesar de ser um ponto fácil de resolver, não deixa de ser uma falha. Entretanto, meu maior incomodo foi com o número bastante limitado de páginas.

Anotar no caderno é legal pelo fator temático, mas em termos práticos a coisa muda de figura.

Usando uma página do caderno por partida não levaria muito tempo para que elas acabassem, o que torna relativamente curta a vida útil do jogo. Claro que não é algo tão difícil de resolver, basta utilizar uma outra folha a parte para anotações ou então, como eu faço, anotar e apagar depois. Ainda sim vejo como um ponto merecedor de críticas, pois são gambiarras. O jogo não possui tantas informações para serem anotadas ao ponto de ser necessário o descarte de folhas inteiras por partida, outra solução deveria ter sido encontrada. 

Assista também o nosso vídeo sobre Death Note Confrontation:

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