Análise: Sprawlopolis, da Funbox Editora

Sprawlopolis é um jogo Cooperativo, extremamente rápido e compacto, com tema de Construção de Cidade e que comporta de 1-4 jogadores, se destacando pela alta qualidade de seu Modo Solo. Entre suas principais mecânicas temos Colocação de Peças e Reconhecimento de Padrões.

De autoria dos game designers Steven Aramini, Danny Devine e Paul Kluka, Sprawlopolis é um dos títulos mais bem-sucedidos lançados através do inusitado concurso de 18 cartas promovido pela editora Button Shy, sendo publicado na curiosa linha Wallet Games, em que os jogos vem em carteiras de vinil, mais portátil que isso impossível.

Aqui no Brasil, o jogo foi lançado pela Funbox Editora, saindo com 4 mini expansões: O Destruidor, Pontos de Interesse, Quadras de Construção e Praias. Recentemente, a editora paulista anunciou também entre seus futuros lançamentos Agropolis, uma expansão autônoma (stand-alone) com temática de fazenda.

Linha Wallet Games da Button Shy.

Sprawlopolis é um jogo sobre o qual só ouvi elogios desde que foi publicado, isso é algo que, em geral, me deixa com um pouco de receio, porque mais comumente acaba gerando decepção. Entretanto, não foi o que aconteceu neste caso, muito pelo contrário. As expectativas geradas, não apenas foram plenamente atendidas, como também foram, em certa medida, até mesmo superadas.

Visão geral dos componentes.
As cartas perfeitamente acomodadas dentro da carteira.

Com um conjunto de apenas 18 cartas, os game designers de Sprawlopolis conseguiram criar um título com uma rejogabilidade que realmente impressiona, isso se deve ao modo como seu sistema de pontuação foi estruturado, em que o verso de cada uma de suas 18 cartas apresenta valores e critérios diferentes. A pontuação é formada pela combinação de 3 cartas escolhidas aleatoriamente. 

Diferentes critérios e valores garantem boa quantidade de novas combinações a cada partida.

Assim sendo, a partida em si é jogada com apenas 15 cartas. A parte da frente de todas as cartas possui as mesmas informações, com apenas uma variação: 4 Quadras (Comercial, Industrial, Residencial e Parques) e 1 ou 2 Estradas. As formas de colocação das cartas são bastante variadas, com pouquíssimas restrições, gerando mais uma vez uma quantidade enorme de possibilidades.

Todas as cartas possuem os mesmo elementos, mas nem por isso são todas iguais.

Sprawlopolis utiliza uma mecânica específica, que não tem uma tradução usual em português, que é o Layering, uma forma de colocação dos componentes em que eles se sobrepõem. Poderia ser traduzido como Camadas, mas nunca vi ninguém se referir a isso assim. Talvez por se tratar de uma mecânica que poderíamos colocar dentro de Colocação de Peças, ainda não tenha tanto destaque para ser tratada muitas vezes como algo independente.

Layering (Camadas) é uma mecânica bem interessante que utiliza sobreposição de elementos.

Uma outra mecânica encontrada em Sprawlopolis  que gosto bastante, poderia até apontá-la como uma das minhas favoritas, é o Card Drafting. Assim como o Layering, é uma mecânica com uma tradução um pouco difícil. Poderíamos encaixá-la dentro de Seleção de Cartas, porém da mesma forma que acima é algo um pouco mais específico. O modo mais simples de nomear em português talvez seria Comprar e Passar.

Mas como é possível Card Drafting em um jogo em que as cartas são praticamente todas iguais? Os elementos (Quadras e Estradas) são os mesmos, porém seus posicionamentos são diferentes em cada uma das cartas. Assim sendo, a escolha das cartas precisa ser realizada com ainda mais atenção da mesma forma que a decisão de sua forma de colocação. 

Cartas muito parecidas exigem ainda mais atenção na hora da escolha.

COMO JOGAR

Sprawlopolis possui critérios básicos de pontuação por Quadras e Estradas, que serão detalhados mais adiante, e a eles são adicionados os critérios aleatórios das 3 cartas sorteadas no início da partida. Elas servem também para determinar o objetivo de pontuação a ser alcançado, que será o somatório dos valores nelas informados.

A soma dos valores dá o objetivo de pontuação a ser alcançado na partida.

Uma carta aleatória é colocada no centro da mesa como carta inicial. O primeiro jogador recebe 3 cartas e os demais 1 carta. Elas devem ser distribuídas viradas de forma que os jogadores não saibam quais são as cartas uns dos outros. As cartas que sobrarem formarão o baralho de compras com a frente virada para cima, dando uma prévia aos jogadores.

Na sua vez, o jogador escolherá 1 carta para jogar, passará as 2 restante para o próximo e pegará 1 nova do baralho de compras. Os jogadores, sempre que possível, deverão ter em suas mãos 3 opções de cartas para escolher. A partida acaba quando a última carta for jogada.

Escolha entre 3 opções de cartas.

Os jogadores podem conversar sobre as jogadas uns dos outros, opinando sobre a forma de colocação de uma carta, só não é permitido relevarem suas mãos. Uma vez que uma carta é revelada, ela deverá obrigatoriamente ser jogada.

  • Regras de Colocação: Como dito mais acima, elas são bastante variáveis, tanto é assim que fica mais fácil mencionar o que não é permitido. Existem apenas 3 restrições de colocação: as cartas não podem ser colocadas na vertical, embaixo de outra carta ou em diagonal (conectadas de quina) com outra carta. A regra fundamental é encostar ou cobrir uma ou mais Quadras de uma carta já jogada anteriormente.
As cartas só podem ser colocadas na horizontal.
  • Pontuação Básica: +1 ponto para cada Quadra no maior agrupamento de cada um dos 4 tipos possíveis: Residencial (Laranja), Comercial (Azul), Industrial (Cinza) e Parques (Verde) e -1 ponto para cada Estrada, que é formada pelas partes conectadas de forma contínua, podendo ter a extensão de apenas 1 Quadra ou várias.
Exemplo de pontuação por maior área de cada tipo.
Faça Estradas grandes para evitar grandes perdas de pontos.

MODO JOGO

No Modo Solo, quase não há nenhuma alteração de regras. O que muda é que o Card Drafting deixa de existir. O jogador compra as 3 cartas iniciais e após cada jogada compra uma nova carta para repor a mão. Todo o restante funciona exatamente igual a partidas com mais jogadores. 

Em geral, não sou uma grande fã de Modo Solo porque muitos lançam mão de uma ferramenta que particularmente não me agrada que é o “jogador fantasma” ou “automa”,  algo que também é utilizado para adaptar jogos que são para mínimo de 3 para 2 jogadores, e/ou alterações muito grandes nas regras, fazendo com que o jogador tenha que aprender quase um novo jogo.

Modo Solo muitas vezes acaba me parecendo forçados, como se fossem algo pensado depois do jogo já todo pronto, por uma questão quase de obrigação. Entretanto, no caso de Sprawlopolis, a impressão que eu tenho é justamente o contrário. Como se o jogo tivesse nascido como solo e depois tivesse sido pensado como inserir mais jogadores. Não desconsiderando a questão que cooperativos por natureza são jogos com uma maior facilidade para isso.

Sprawlopolis acabou entrando em uma lista bastante restrita de jogos que gosto do Modo Solo. Não apenas isso, ouso dizer que prefiro até jogá-lo assim do que com outras pessoas. Só não me arrisco a fazer uma afirmação mais categórica nesse sentido, pois só tive a oportunidade de jogar com 2 jogadores, sendo a mecânica de Card Drafting reconhecidamente mais interessante em uma quantidade maior de jogadores.

MINI EXPANSÕES

As 4 mini expansões que acompanham o Sprawlopolis adicionam mais desafio e rejogabilidade ao introduzirem novos elementos e possibilidades. A explicação abaixo está por ordem de complexidade. É uma opção do jogador, a forma como serão utilizadas as mini expansões em cada partida. Elas podem ser jogadas separadamente ou misturadas. Vai depender da experiência desejada e nível de familiaridade dos jogadores com o jogo e suas regras.

4 mini expansões que adicionam ainda mais rejogabilidade.
  • O Destruidor: É uma mini expansão que considero simples e bastante atrativa para começar por conta do seu tema. Ela acrescenta uma nova carta que deve ser misturada junto com as demais no baralho de compras. Quando revelada deve ser colocada cobrindo totalmente a que foi jogada antes. Durante a partida, apenas a Quadra em que o monstro se encontra não pode ser coberta, todas as demais seguem a regra normal do jogo. No final, cada Quadra Residencial (Azul) na mesma linha ou coluna valerá -2 pontos. Caso isso seja evitado, além de se livrar da perda de pontos, ainda é recebido um bônus de +3 pontos. 
A carta O Destruidor é colocada cobrindo completamente a jogada antes dela.
  • Pontos de Interesse: É uma mini expansão tematicamente menos interessante que a anterior, mas o legal dela é a geração de combo. A carta desta mini expansão é posicionada junto com a carta inicial da partida, ela deve ser coberta de forma que apenas uma opção fique visível. A pontuação será +1 por Quadra do mesmo tipo da opção escolhida jogada ortogonalmente adjacente. Não é uma pontuação alta, mas faz combo com a pontuação por maior Quadra de um determinado tipo.
Diagonal não pontua.
  • Quadras de Construção: É uma mini expansão um pouco mais complexa porque diferente das anteriores que adicionavam apenas 1 nova carta, com um único critério de pontuação extra, aqui temos 4 cartas que serão embaralhadas, 1 delas servirá para o critério adicional de pontuação enquanto as 3 restantes serão misturadas ao baralho de compras. Em cada uma das cartas dessa mini expansão, uma Quadra estará destacada como Em Construção, sendo o objetivo cobri-las até o fim da partida. O diferencial dessa mini expansão é que não há ganho de pontuação, o desafio é evitar perder pontos.
A Quadra Em Construção (linha amarela e preta) deve ser coberta até o final da partida.
  • Praias: A mini expansão mais legal e complexa de todas. Vem com 4 cartas assim como a anterior. Da mesma forma, separa 1 carta para pontuação e as 3 restantes são misturadas ao baralho de compras. As cartas desta mini expansão vão estabelecendo limites para colocação de novas cartas. Lendo assim a descrição não parece ser nada demais, entretanto é uma adição de dificuldade bem grande limitar a colocação de cartas dessa forma. 
A mini expansão mais desafiadora de todas.

CONCLUSÃO

Sprawlopolis é uma das melhores opções no quesito custo-benefício disponíveis atualmente no mercado. Seja para jogar sozinho ou com mais jogadores renderá bons momentos de diversão. É um jogo que pode ser levado para qualquer lugar com extrema facilidade. Suas regras são bem simples e rápidas de explicar, o texto aqui ficou grande devido a uma série de comentários e detalhamentos feitos. As partidas são bem curtas, dá para jogar em melhor de 3 ou 5 até para quem quiser algo um pouco maior.

Acredito ser acessível para pessoas de todas as idades e níveis de experiência. Com crianças, a dificuldade seria a contagem da pontuação e os critérios adicionais. Porém, o nível de dificuldade do jogo é bem ajustável. No manual, por exemplo, fala para não contar a pontuação negativa das Estradas como uma opção. Uma sugestão que eu daria seria talvez escolher as cartas que serão usadas na pontuação, seja para ter uma soma menor e/ou critérios mais simples.

Não é querendo puxar o saco não, mas é difícil enxergar um ponto fraco em Sprawlopolis. Talvez um não tão forte, seja o tema pouco atrativo. Entretanto, jogos de Construção de Cidade são uma categoria já estabelecida e bastante popular, mesmo fora dos boardgames.

Assista também ao nosso vídeo sobre Sprawlopolis para conferir mais informações:

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