Análise: ToteMonstros, da Estrela

ToteMonstros é um jogo nacional de autoria dos game designers Daniel Martins e Leandro Pinto, que comporta de 2-4 jogadores e foi lançado pela Estrela, na sua recém-criada Linha Premium. Trata-se de um título simples, rápido e divertido que utiliza como mecânica principal o Peteleco.

Em ToteMonstros, cada jogador controla uma tribo de pequenas criaturas (representadas pelos dados) disputando o domínio do território até que reste apenas um único sobrevivente. Devido a sua diminuta estatura, para poderem se enfrentar, é necessário que elas subam umas sobre as outras ou em pedras formando assim o que chamamos de totens.

Visão geral de uma partida de ToteMonstros em andamento.

ToteMonstros (que anteriormente se chamava ToteMinions) é um título já bastante conhecido pelos frequentadores de eventos do RJ e que poucas alterações sofreu ao longo desse tempo. O jogo teve participação de destaque em festivais nacionais e internacionais. Inclusive, chegando a ter contrato fechado, que acabou não indo à frente, com outra editora antes da Estrela.

A grande quantidade de dados personalizados sempre mostrou um desafio para sua publicação devido ao alto custo e a mecânica de Peteleco, apesar de ser utilizada em vários jogos, ainda é algo que causa certa desconfiança. Muitas têm sido as críticas em relação aos componentes da Linha Premium, que segue os padrões já conhecidos da Estrela, algo bem abaixo do que estamos acostumados a receber de editoras especializadas.

A ideia da Linha Premium seria justamente lançar jogos com conceitos mais modernos, porém com preços bem mais acessíveis. Além do ToteMonstros, junto saiu também o Herdeiros do Khan, jogo de autoria dos game designers Rodrigo Rego e Lucas Ribeiro, que em breve também terá sua análise aqui no Turno Extra. Para que isso seja possível, não havia como o padrão ser diferente, até porque são públicos-alvo diferentes. A Estrela trabalha com mercado de massa, que é o que precisamos atingir para conseguir a tão falada popularização do hobby.

Linha Premium da Estrela leva jogos com mecânicas modernas para o mercado de massa.

Particularmente, acho muito empolgante ver uma das principais empresas do mercado de brinquedos nacional investindo em boardgames modernos de autores brasileiros. A Estrela tem um potencial para atingir todo um novo público que desconhece em absoluto que jogos de tabuleiro podem ser bem mais do que rolar dados e andar, como acontece em jogos tradicionais mais antigos.

A solução encontrada para o caso dos dados do ToteMonstros foi colar adesivos. Devo confessar que não é algo muito agradável de se fazer e eu tenho minhas dúvidas sobre como vai ficar com o passar do tempo. Será que vão descolar ou apagar aos poucos? Entretanto, considero que é um tipo de preocupação que, apesar de válida, é um pouco exagerada e meio irreal. Basta pensarmos no custo do jogo e no quanto ele deverá ser jogado antes que isso talvez aconteça.

Um jogo com muitos dados variados.

Para quem quiser saber mais sobre a trajetória do ToteMonstros e sobre a Linha Premium da Estrela, eu entrevistei o game designer Daniel Martins em 2 oportunidades. A primeira vez foi na Spiel Digital 2020, em que ele conversa e mostra o ToteMonstros e mais 2 outros jogos, e a segunda vez foi junto com o game designer Rodrigo Rego, um dos game designers do Herdeiros do Khan, falando sobre a Linha Premium.

COMO JOGAR

ToteMonstros é um jogo pensado para ser bem rápido e simples, cada jogador comandará uma tribo com poderes únicos e terá 3 pontos de ação para utilizar na sua vez da forma como desejar entre 3 possíveis opções: Mover, Atacar e Invocar.

A tribo de cada jogador é composta por 3 Recrutas, 1 Furtivo e 1 Brucutu. Os Recrutas são os dados que sempre começam no jogo, variando sua quantidade pelo número de jogadores na partida. O Furtivo e o Brucutu sempre começam do lado de fora e necessitam ser invocados no mapa.

Cartas correspondentes a cada um dos dados das 4 tribos: Diabretes, Goblins, Kobolds e Gnomos. Elas mostram todas as faces daquele dado e também seus pontos de vida.

O tabuleiro do ToteMonstros é modular e vai variar de acordo com o número de jogadores, entretanto essa variação é mais na forma de disposição das peças do que na quantidade em si. Além das peças de terreno, cada tribo também tem também as suas peças iniciais, que é onde começam com os dados posicionados e onde eles são invocados.

2 jogadores.
3 jogadores.
4 jogadores.
  • Ações:

Mover: Gasta 1 ponto de ação para cada movimento realizado. É permitido passar por espaços ocupados por oponentes, mas não parar neles. Se o movimento terminar em um espaço ocupado por outro dado da sua tribo ou um dado de pedra, ele será colocado por cima formando um totem. Os totens já existentes podem ser movidos da mesma forma que dados individuais. Porém, apenas aqueles formados por dados da sua tribo, afinal pedras são imóveis.

Os dados brancos são pedras e servem de apoio extra para formação dos totens.

Atacar: Gasta 1 ponto de ação para realizar um ataque. Entretanto, é necessário que primeiro tenha sido formado um totem. Não existe limite para empilhamento de dados, porém eles devem ser sempre da mesma tribo. Não é possível subir em dados dos oponentes. Se o totem for formado por um número maior de dados, o jogador pode continuar petelecando até que ele seja desfeito sem gasto de ação adicional.

Um totem alto oferece a vantagem de múltiplos ataques sem gastar ação, mas também tem a desvantagem de receber múltiplos danos quando atacado.

Regra do Peteleco: Normalmente, damos um Peteleco segurando o dedo indicador com o polegar para depois soltá-lo, o que dá mais impulso ao movimento. Porém, no ToteMonstros, isso não é permitido. O Peteleco deve ser dado apenas utilizando o movimento do dedo indicador, sem nenhum impulso adicional.

Atenção ao modo correto de petelecar os dados no ToteMonstros.
Nada de segurar o indicador com o polegar.

Cada dado de oponente atingido pelo dado atacante recebe 1 ponto de dano. Os dados ficam posicionados onde caírem, independente da quantidade que esteja dividindo um mesmo espaço. Pedras movidas através de ataque também permanecem onde pararam. O único acerto de posicionamento que ocorre é em dados entre espaços, nesse caso o atacante escolhe onde colocá-los.

Dados da sua própria tribo não sofrem dano de ataque se forem atingidos. Porém, qualquer dado que sair do tabuleiro, seja seu ou dos oponentes, está imediatamente fora da partida, é uma eliminação instantânea. Entretanto, dados que saírem de forma apenas parcial, ficando “pendurados” na borda do tabuleiro, ainda estão dentro da partida.

Exemplo de uma situação pós ataque com dado que saiu do tabuleiro, que ficou “pendurado”, dividindo o mesmo espaço e entre diferentes espaços.

Após a distribuição dos danos nos oponentes atingidos e realização das possíveis eliminações, ainda existe uma última fase a ser realizada no ataque que é verificação da face do dado atacante após o peteleco e aplicação de seus efeitos.

Dado eliminado a carta é virada e assim fica diferenciado daqueles que ainda vão entrar no tabuleiro. Os danos são indicados com marcadores específicos para isso.
Algumas fases dos dados possuem marcadores adicionais para serem colocados nos dados atingidos pelo efeito.

Invocar: Gasta 2 pontos de ação, o novo dado deve entrar em um dos espaços iniciais da tribo. Estar ocupado não impede a invocação, mas obriga o jogador a mover o dado para um espaço livre adjacente logo em seguida.

Vence o último jogador a permanecer com dados de sua tribo no tabuleiro.

Eu só tive oportunidade, até o momento, de jogar apenas partidas com 2 jogadores, por isso a questão da eliminação de jogadores não foi algo que tive a chance de testar de fato. Sei que esse é um ponto que costuma gerar incômodo, mas acredito que pelo tempo de duração da partida não deve ser um problema.

Os dados possuem poucos pontos de vida: Recrutas (3PV), Furtivo (2PV) e Brucutu (4PV). Não existe cura neste jogo. Além disso, o fato deles serem imediatamente eliminados quando saem do tabuleiro acelera bastante a partida. É algo muito comum os dados saírem porque a área do tabuleiro é restrita. E bem, particularmente, eu acho que uma das graças do ToteMonstros é justamente tentar lançar os oponentes para fora sem acabar saindo você próprio.

CONCLUSÃO

Acabei gostando de ToteMonstros bem mais do que o esperado, como eu disse mais acima, ele já era conhecido entre os frequentadores de eventos do RJ, mas nunca me chamou grande atenção. Parecia ser um jogo que ia agradar mais ao Felipe do que a mim, ele já havia jogado anteriormente e gostado bastante. Então, foi uma bela surpresa o quanto não apenas ele se divertiu jogando como eu também. É um joguinho de treta bem gostoso que gera muitos xingamentos e risadas, ótimo para relaxar. Dá para emendar uma partida atrás da outra tentando diferentes tribos.

É um jogo que definitivamente estou bem curiosa para jogar com mesa cheia, acho que vai ser ainda mais divertido do que ele já é em 2 jogadores. Apesar de ser tabuleiro modular, é um jogo que por ser pequeno, sua montagem é bem rápida, o que significa que também ocupa pouco espaço de mesa. É o tabuleiro no meio e os jogadores com suas cartas. Jogar sentado é bem difícil e uma mesa redonda ou quadrada pequena pode facilitar na hora de encontrar o melhor ângulo para o seu peteleco.

Acredito que ToteMonstros é um jogo para qualquer idade, desde adultos até crianças, no caso dos pequenos o único porém seriam os efeitos das faces dos dados que acredito precisariam ser administrados por um adulto ou então eliminados para facilitar. Jogadores mais hardcores podem achar um pouco bobo um jogo de peteleco, mas existe uma estratégia de posicionamento para um combate de arena em um tabuleiro tão pequeno. Talvez tal linha de pensamento possa tornar o jogo mais interessante para este público específico.

Por fim, gostaria de dar um merecido destaque ao manual do jogo. Apesar do ponto negativo de ser de uma única cor, seu texto é muito bem escrito e agradável de ler, porque ele não apenas explica as regras, mas faz isso de forma bem humorada e dialogando com o leitor. A explicação de como realizar a colagem dos adesivos também é feita de forma eficiente e o próprio posicionamento deles na cartela já ajuda. Um outro elemento que merece elogios é a carta de ajuda ao jogador, que traz um ótimo resumo de todas as informações necessárias.

O manual todo em azul é desagradável, mas o texto ser destaca por sua qualidade.
Cartas de guia dos jogadores apresentam ótimo resumo das informações principais.

Como sempre a resenha escrita do jogo vem acompanhada pela sua versão vídeo, pelo menos é o que eu venho me esforçando para fazer nos últimos tempos. Desta vez, além das tradicionais analises e explicações de regras, trago também um unboxing com uma análise mais detalhada dos componentes, inclusive mostrando a colagem de adesivos nos dados.

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Um comentário em “Análise: ToteMonstros, da Estrela”

  1. ToteMonstros foi uma surpresa muito agradável e, até o momento momento, o jogo mas divertido do ano praticamente nós! Também jogamos pra dois e ele é rapidinho, mas tivemos a oportunidade de jogar uma partida em três e foi diversão do início ao fim.

    Ótimo texto, como sempre, Aline! Continue com o excelente trabalho.

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