Board Game Girls – Evento 100% feminino

O Board Game Girls é um projeto idealizado por Priscila Terra em resposta aos diversos problemas relacionados a machismo e que acabam por afastar mulheres do hobby de jogos de tabuleiro. O projeto começou como um grupo no Facebook, depois veio a página na mesma rede social e os esforços para realização de um evento exclusivamente feminino. Tal formato foi decidido democraticamente através de enquete no grupo, não sendo uma decisão unilateral da organização. Eu mesma votei por essa opção por acreditar ser a mais adequada à proposta de criar um espaço seguro que encorajasse a participação feminina.

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Guadalupeças – Especial Quadrinhos

Eu sempre gostei muito de eventos com edições temáticas, acho que elas promovem uma maior interação entre os participantes do evento e ainda são mais atrativas para novos jogadores. Ao longo de todo o período de existência do Guadalupeças foram inúmeras as vezes que organizamos edições deste tipo, já fizemos Star Wars, Game Of Thrones e até mesmo uma de Futebol, na época da Copa do Mundo. Porém, apesar de sermos grandes fãs da nona arte, ainda não tinha acontecido de unirmos esses dois grandes hobbies.

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Análise: Por Favor, Não Corte Minha Cabeça, da Geeks N’ Orcs

Como eu já disse anteriormente em outro texto, sinto falta de uma maior diversidade de elementos nos boardgames com temática de terror, tudo acaba ficando resumido a Cthulhu e Zumbis. Adoro ambos, porém acho que já está muito saturado. Existem tantas outras possibilidades para serem exploradas. Então, quando fiquei sabendo sobre o Por favor, não corte a minha cabeça! fiquei  bem animada de cara. Ele tentar uma caminho diferente, fugindo do óbvio.

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Análise: Modern Art, da Galápagos Jogos

Modern Art é um jogo que sempre ouvi falar, mas nunca tinha tido oportunidade de jogar. Por conta disso, quando um tempo atrás apareceram aquelas cópias perdidas da lendária edição da Odysseia Jogos, nem dei muita bola. Isso foi bom, senão teria comprado por um valor mais caro, por uma edição que nem é tão bonita assim. Particularmente, gosto mais da nova, que foi produzida pela CMON e lançada no Brasil pela Galápagos Jogos.

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Saiba como foi o Guadalupeças do mês de Outubro

Em 15 de outubro aconteceu mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Por ser no final de semana de um feriado prolongado e um dia de chuva aqui no Rio de Janeiro tivemos um público um pouco menor do que o habitual. Também houve uma mudança de local, continuamos no primeiro piso do Shopping Jardim Guadalupe, mas estamos agora no extremo oposto do local anterior. Espero que ninguém tenha ficado perdido. Antes ficamos ao lado do Rei do Mate e agora estamos em frente ao Amigão. Mais uma vez só temos a agradecer ao Shopping, por acreditar na nossa proposta e preparar esse novo espaço para nos receber.

Outubro é o mês de prevenção ao câncer de mama e nós resolvemos tentar contribuir para isso de alguma forma. A Game Maker que estava presente no evento fez para nós alguns meeples no formato do laço rosa, símbolo internacional da campanha, que foram distribuídos para as mulheres que estiveram presentes no evento. É uma doença terrível, cuja descoberta cedo é fundamental para o sucesso do tratamento. Eu já vivi essa realidade na minha família e sei o quanto de sofrimento ela provoca.  Acesse o site do Inca e para saber mais informações.

Nossa humilde contribuição para uma causa tão importante.
Quer publicar um jogo ou produzir um protótipo? Procure a Game Maker.

Além do pessoal da Game Maker, tivemos também a presença dos game designers Romulo Marques e Rodrigo Rego, ambos membros do coletivo Mansão das Peças. O Romulo Marques está em plena campanha de financiamento coletivo do excelente jogo de destreza Die die DIE, tem texto sobre a versão protótipo dele aqui no blog e vídeo explicativo de regras com o próprio Romulo no nosso canal. A versão final do jogo mudou bem pouco em termos de regras. O lançamento é uma parceria entre a Ace Studios e a Redbox Editora.

Conferindo a versão final do Die die DIE.
A arte é do Lucas Ribeiro, responsável pelo Space Cantina. Ficou bem bonito.

O Rodrigo Rego estava no evento apresentando o Papertown, jogo que em breve deve estar chegando ao mercado também pela Redbox Editora. Além disso, ele também trouxe Copacabana e Break & Breakfast (antigo Su Casa, Mi Casa), que vai sair lá fora pela Braincrack Games. Todos os três jogos possuem em comum a mecânica de colocação de tiles. Eu gosto muito do Copacabana por conta da temática bem brasileira, mas acabei jogando mesmo o Papertown e o Dead & Breakfast.

Rodrigo apresentando Copacabana.

O Papertown eu já havia jogado na época em que ainda era Micropolis, ele é bem frita cérebro por conta da questão do reconhecimento de padrões. É um jogo com uma pegada bem agressiva, no qual os jogadores precisam estar muito atentos para trancar seus oponentes. É um jogo que não permite distração e pune bastante os erros. Eu joguei no modo de duplas e pude perceber um problema de “alpha player”, por isso a sugestão da mesa foi limitação de comunicação entre os jogadores. Eu prefiro o modo cada um por si mesmo. Dos jogos do Rodrigo, o Papertown é o que menos me atrai. O tema é bastante seco, eu não sou muito boa com visão espacial e jogos muito competitivos me geram certa frustração.

Depois joguei Dead & Breakfast, um dos poucos títulos do Rodrigo que eu ainda não tinha jogado. Esse eu gostei mais porque cada jogador vai fazendo o seu independente dos demais. Claro que sempre se pode tentar bloquear o coleguinha pegando um tile que seria muito para ele, mas é uma interação mais indireta, ninguém bloqueia ninguém. Cada jogador irá montar um hotel 5X5. Os tiles são 2X2 e podem ser vertical ou horizontal. A cada andar completado, os jogadores pegam um hóspede que dará pontos de acordo com a sua exigência. Além dessa pontuação, existe também uma por flores ligadas a portaria através de uma trepadeira que cobre as paredes. Eu achei isso bastante criativo e é a parte frita cérebro do jogo porque é bem difícil manter a conexão. A pessoa que venceu a partida o fez por conta da pontuação das flores. Por último, ainda tem um objetivo geral variável. O esquema para pegar os tiles também é bacana, é um rondel no qual os jogadores podem andar de 1-3. Foi bem pensado para adicionar uma limitação ao jogador e uma possibilidade interação.

Meu hotel mal-assombrado.

Além da mecânica em si que me agradou pelos motivos que expus acima, o Dead & Breakfast me ganhou por conta do tema. Eu gosto bastante de temática de Terror/Horror e sinto falta de mais jogos. Sinto o tema muito limitado a Zumbis e Cthulhu. Sinto falta de outras abordagens, acho que por isso gostei tanto de Por Favor, Não Corte Minha Cabeça, outro jogo nacional bem divertido que em breve vai ter vídeo e texto por aqui. Gostaria de ver o tema de forma mais recorrente, variada e melhor explorada, mesmo os tão recorrentes Zumbis e Cthulhu, jogos que sejam menos caça-níquel e mais realmente tentar trazer para a mesa uma experiência assustadora e com boas referências.

Além disso, eu ainda joguei o maravilhoso Dr. Eureka, sucessor espiritual do Potion Explosion, só que muito mais simples, rápido e divertido. Pode parecer meio absurdo comparar os dois já que são propostas bem diferentes, única semelhança talvez seja o uso de bolinhas coloridas. Mas comparo porque atende o mesmo grupo de jogos casuais, só que consegue ser ainda mais amplo. Crianças menores que poderiam ter dificuldade com Potion Explosion podem jogar Dr. Eureka tranquilamente. No outro extremo, acho que é um jogo que pode divertir até mesmo “heavy gamers” que não gastariam seu tempo em uma partida de Party/Family de mais de uma hora, mas não se importariam em gastar 15 minutos colocando sua destreza e agilidade a prova. É realmente um jogo para unir a todos.

Dr. Eureka foi certamente o jogo mais jogado desta edição do Guadalupeças.

Dr. Eureka é extremamente simples. Cada jogador terá três tubos com duas bolinhas em cada um deles, a cada rodada uma carta será aberta no centro da mesa e ganha quem conseguir colocar as bolinhas na disposição mostrada na carta. O jogo acaba quando um jogador consegue conquistar a quinta carta. Dr. Eureka é um lançamento da Mandala Jogos e pode ser encontrado na Game Of Boards por R$120.

Um desafio de agilidade e destreza.

Para completar, o dia eu ainda joguei o maravilhoso Modern Art. Quanto mais eu jogo mais eu gosto dele, só está crescendo no meu conceito a cada partida. Ele é um jogo de leilões, o grande lance está em saber quando e como utilizar cada um dos tipos de leilões diferentes oferecidos pelo jogo. Ele tem a duração de quatro rodadas, ao termino de cada uma delas é verificado os três artistas mais populares que serão valorizados e cada jogador que tiver obras deles recebe o valor estipulado. Então, faz parte do jogo escolhas como tentar valorizar um artista em baixa ou lutar para conquistar as obras de artistas já populares. Eu não esperava que fosse gostar tanto do jogo, a edição lançada no Brasil pela Galápagos Jogos é a mais recente lançada pela CMON e eu achei bem bonita, mais do que a tão falada e cultuada edição da Odysseia Jogos. Modern Art pode ser comprado na Game Of Boards por R$130.

Modern Art é realmente uma obra de arte do boardgame moderno criada ´pelo mestre Knizia.

Confira mais algumas fotos de outros jogos que rolaram durante o evento:

Tiny Epic Quest.
China.
Pergamon.

Gostaria de agradecer a todos pela presença, espero que tenham se divertido tanto quanto a gente e que possamos nos reencontrar no próximo mês para mais uma tarde de muita jogatina. Nosso muito obrigado ao Shopping Jardim Guadalupe que abraçou o evento, a Game Maker que gentilmente confeccionou o meeples do laço rosa e aos game designers Romulo Marques e Rodrigo Rego que abrilhantaram o evento com seus jogos incríveis. Nos siga nas redes sociais para saber as novidades sobre o Guadalupeças, posso adiantar que mês que vem teremos dois títulos incríveis para fãs de quadrinhos (orientais e ocidentais). Convide seus amigos e venha jogar com a gente.

Foto com Rodrigo e Romulo, dois talentosos game designers que estão sempre nos dando o prazer da visita.
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Análise: Cartas a Vapor, da Potato Cat

Cartas a Vapor é um jogo que chamou a minha atenção por dois motivos bastante inusitados dentro do mercado nacional: ter uma mulher como game designer e ser inspirado em um livro de Steampunk brasileiro – A lição de anatomia do temível Dr. Louison, do gaúcho Enéias Tavares. Acho que mesmo fora do Brasil ambas as coisas são ainda bastante incomuns.

Um encontro do Steampunk com personagens da literatura brasileira numa trama de crime, mistério e terror.

Como mulher dentro de um hobby predominante masculino sempre é um motivo de alegria encontrar outras mulheres que compartilhem do mesmo gosto que tenho por boardgames, melhor ainda quando elas começam a desenvolver atividades na área. É muito bom poder ver mulheres como donas de lojas, editoras, organizadoras de eventos, ilustradoras e também game designers. É enriquecedor para o hobby, pois agrega uma visão diferente.

Cartas a Vapor foi o primeiro jogo publicado pelo casal Kevin e Samanta Talarico. Para isso, eles fundaram a Potato Cat e viabilizaram o lançamento através de uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo. O jogo contou com a participação ativa do autor do livro em todo o processo de desenvolvimento, pois sua preocupação era que o Cartas a Vapor fosse acessível para todo o público.

Minha formação acadêmica em Letras, mas especificamente Literatura, sempre me faz ter grande interesse por qualquer tipo de adaptação de livros para outros meios. Isso combinado com a minha paixão por boardgames resultou em uma combinação perfeita. Apesar de não ser fã de histórias no estilo Steampunk, acho o conceito e a estética bem interessantes, principalmente para trabalhar em meios visuais.

Tendo em mente a ideia de ser acessível, Cartas a Vapor usa como base o baralho de cartas tradicional. O principal do jogo está na formação de sequências numéricas com as cartas, elas podem ser pares, ímpares ou corridas. Tais cartas numeradas que formarão a mão dos jogadores recebem o nome de Peças. O limite de sequências em jogo é 6 e elas podem ser formadas por até 6 cartas.

Uma partida de Cartas a Vapor em andamento.
Sequências numéricas válidas no jogo.

Existem 4 tipos de Peças diferentes no jogo: Pesadas (Vermelho), Leves (Marrom), Enfeitiçadas (Roxo) e Enferrujadas (Verde). Existe também a chamada Peça Brilhante, que funciona como um coringa. Cartas a Vapor utiliza cartas numeradas entre 1-8, porém os baralhos vêm completos para que os jogadores possam utilizá-los como um baralho estilizado para outros jogos de cartas tradicionais.

Tipos de cartas de Peças.

O modo como são fechadas as sequências e como as cartas serão utilizadas para comprar as cartas de Ferramenta mudam de acordo com cada missão do jogo. As missões são compostas de 3 cartas. Uma com o lore, outra com o objetivo de heróis e vilões e uma última que determina as condições de resgate e utilização das cartas. Isso garante a Cartas a Vapor uma ampla rejogabilidade, através de um número extenso de possibilidade de combinações.

O possui um total de 14 missões.

Cartas a Vapor é um jogo para ser jogado em times, um lado com os heróis e outro com os vilões. As cartas de personagem variam entre 1-3, tal variação permite equilibrar o jogo com qualquer número de jogadores, o que precisar ser igual é a soma total da pontuação total do time. Cada personagem possui uma habilidade única. Na hora de montar o time é bom que os jogadores busquem aqueles com maior sinergia.

Alguns dos personagens do jogo.

O esquema de times do Cartas a Vapor tem um lado muito bom que é o de permitir times com número de jogadores desigual. Então, se o número total de jogadores for ímpar ou ainda mais jogadores quiserem jogar em um dos lados, isso não será problema. O que dá uma flexibilidade bem maior do que se costuma verificar em jogos desse tipo. O problema é o clássico fator Alpha Player, questão recorrente em jogos com teor cooperativo em algum nível.

O número de ações que cada jogador irá ter depende da quantidade total de jogadores em cada time. As ações possíveis são: baixar carta de Peça, repor a mão (só se estiver vazia), construir ou usar Ferramenta e utilizar habilidade de personagem. As sequências de cartas de Peça compradas da mesa são de propriedade do time, não do jogador que a comprou. Portanto, a decisão quanto a sua utilização será coletiva, isso propícia muito o controle de um jogador sobre os demais. Principalmente, se tratando de um jogador mais experiente.

As missões possuem uma escala de dificuldade gradativa, o que em um primeiro olhar pode parecer bom, mas também pode ser ruim. Digo isso porque as missões iniciais possuem um fator sorte alto e podem passar uma ideia errada sobre o jogo. A primeira missão é encontrar uma determinada Ferramenta, então vira uma espécie de corrida. Porém, as missões posteriores vão crescendo em complexidade, sendo por isso bem mais interessantes.

Ferramentas exigidas na primeira missão.

A questão é o jogador não desistir nas iniciais e chegar até lá. Não que seja obrigatório jogar na ordem, cada missão funciona de maneira independente. Porém, creio que seja uma tendência mais ou menos geral seguir a ordem sequencial. Todavia após dominar as regras pode valer a pena pular as missões iniciais e partir para aquelas que se encontram do meio para o final.

Eu achei as Ferramentas em geral o ponto fraco do jogo, é bem comum acumular várias delas sem utilizar. Tem regra para evitar que o jogador fique com Ferramentas inúteis, porém mesmo assim ainda acho problemático. Principalmente, nas primeiras partidas, nas quais acaba rolando uma tendência de apenas ficar acumulando. Não existe um limite de quantas se pode ter e acontece de simplesmente esquecer um ou outro efeito útil que poderia ter sido utilizado. Saber usar bem as Ferramentas pode demandar algumas partidas.

Apesar da recomendação que dei de pular as missões iniciais após aprender a regra, o jogador não precisa se preocupar com falta de material no jogo. Além das variantes que vêm apresentadas no manual, Cartas a Vapor ainda vem com uma expansão que apresenta traz novos tipos de missões. Existe ainda a variante de cenário que adiciona as belas cartas abaixo.

Adiciona regras específicas. Na minha opinião, é o conteúdo extra mais legal do jogo.
Cartas especiais da missão da expansão que utiliza personagens de O Cortiço, romance de Aluísio Azevedo. Eu gosto muito desse livro.

A arte do jogo em geral não me agradou, principalmente a referente aos personagens. Eu acho a capa do livro muito bonita e preferia que o jogo tivesse seguido o mesmo estilo. Porém, não acho a arte ruim ao ponto de ser algum tipo de demérito.

As cartas de Peças até são bonitas, fornecendo um interessante baralho estilizado. O único problema em relação a elas é que os tons das cartas vermelhas e marrons ficaram bem próximas, o que pode gerar alguma confusão. Porém, nada que prejudique fundamentalmente o jogo, já que as cartas possuem ícones para diferenciar seus tipos.

Cartas de Peças organizadas nas sequências conforme determina as regras do jogo.

O jogo apresenta também problemas de variação de tonalidade das cartas que afetam também o verso das cartas, isso pode causar problemas para jogadores mais competitivos, ainda mais se tratando de um jogo de cartas. Isso prejudica o propósito de colocar como item adicional no jogo, baralhos tradicionais completos. Porém, no Cartas a Vapor em si essa é uma questão que não atrapalha em nada.

Tirando a questão pontual de diferença de tonalidade no verso de algumas cartas e tonalidade parecida em dois tipos de cartas específicos, nada há para reclamar em relação à qualidade material do jogo. A caixa é firme, sem ser exageradamente grossa, comporta todas as cartas de forma confortável. Parece ter espaço para cartas com sleeve, porém não posso afirmar se cabe ou não por não ter sleevado a minha cópia.

A caixa de Cartas a Vapor ainda vem com insert de verdade, não aquele papelão inútil que vem na maioria dos jogos. A divisória para acomodar as cartas é feita de um material rígido e revestido de um tecido que me pareceu ser veludo. Nunca tinha visto algo semelhante em jogos. Impressiona todos que veem pela primeira vez. Ainda sobre a caixa, ela possui um bom tamanho que permite carregar o jogo com facilidade para qualquer lugar. Ela também não é folgada nem apertada demais.

Componentes do jogo na caixa e manuais.

Cartas a Vapor está a venda nas melhores lojas do ramo. Na Game Of Boards, o jogo pode ser adquirido por R$139,9. Existe uma cópia dele na ludoteca da loja, então é possível testar antes de comprar.

Confira a explicação de regras que gravamos com Kevin Talarico:

Confira também a entrevista que fizemos com o Kevin e a Samanta Talarico:

 

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Saiba como foi o aniversário da Game of Boards

No último sábado (23), os sócios da Game Of Boards abriram suas portas para receber clientes, amigos e familiares para celebrar o seu primeiro ano de atividade. Eles têm muito para comemorar, pois conseguiram em seu pouco tempo de existência se tornar a principal referência em boardgames no RJ, e não foi ao acaso. O estabelecimento é, hoje, reconhecido por suas jogatinas semanais, eventos ocasionais e outras programações que sempre rolam por lá. Mais que uma loja, é um “point” para quem quer marcar de encontrar pessoas ou conhecer gente nova.

Daniel, Léo, Thiago e Victor, os proprietários da Game Of Boards.

A LOJA:

A Game Of Boards começou seu funcionamento em um espaço bem pequeno, porém após alguns poucos meses já estava de mudança para um local maior dentro da mesma galeria. Isso proporcionou muito mais conforto aos clientes que agora podem contar com mesas para jogar a qualquer dia e horário da semana em um espaço climatizado.

Game Of Boards quando inaugurou.
Game Of Boards atual.

A mudança também permitiu a ampliação da linha de produtos e serviços oferecidos pela loja, sendo o principal deles o aluguel de jogos. Com um catálogo que abrange boa parte dos jogos lançados no Brasil e ainda alguns títulos importados (mais de 150 no total), os valores são divididos em três categorias de acordo com tamanho e preço de venda, variando entre R$15, R$30 e R$50. O tempo de aluguel é de uma semana. Existe também a opção de assinatura de planos mensais.

Os jogos que aparecem na foto são os disponíveis para alugar ou jogar na própria loja.

A Game Of Boards cobra uma taxa de R$ 10 de segunda a quinta e um valor entre R$ 10 e R$ 20 sexta e sábado, por pessoa, que permite uso por tempo ilimitado de mesas e jogos disponíveis. Todavia, o valor pode ser convertido em consumação. Não sabe jogar? Não se preocupe, pois os funcionários da loja são sempre bastante solícitos para explicar e nas sextas-feiras rola um reforço de monitores.

Leandro, um dos monitores, explicando Tail Feathers.

A jogatina de sexta-feira é o maior encontro semanal do hobby no RJ e se tornou uma tradição para muitos jogadores cariocas. Além do espaço da própria Game Of Boards, um salão em anexo é alugado para comportar a todos com conforto e comodidade. A loja comercializa bebidas e alguns pequenos lanches, mas o casal que cuida do salão vende umas opções de comida mais robustas. Recomendo fortemente o sanduíche de carne assada.

Salão ao lado da loja usado para os mais diversos eventos.

Mais do que apenas uma loja que comercializa jogos e produtos na linha nerd/geek, a Game Of Boards tem marcado uma importante presença no fomento ao hobby. A loja sediou as edições iniciais do Lady Lúdica, evento cuja proposta é incentivar o crescimento da participação feminina; o concurso de protótipos, uma importante iniciativa para novos game designers; lançamento de jogos como foi o Anime Saga; além de campeonatos e pré-releases tais como Carcassonne Star Wars Destiny. É uma loja sempre muito receptiva para eventos que atendam aos mais diversos grupos de jogadores.

Uma das coisas que eu mais gosto na Game Of Boards é justamente a diversidade do público. Acho que eles conseguiram criar um ambiente muito amigável que atrai todos os tipos de pessoas. Então, tem aquele pessoal “heavy gamer”, que a gente já conhece dos eventos por aí; mas também sempre tem muitos jogadores novatos ou casuais. A quantidade de mulheres e famílias que sempre vejo na loja também chama atenção.

É uma loja em que a gente entra e se sente bem-vindo. Meu maior medo em ir desacompanhada aos lugares é ficar me sentindo isolada, não conseguir me integrar, isso porque sou muito tímida. Mas, nas vezes em que estive na loja nessa situação, sempre teve alguém para me convidar para jogar.

O EVENTO:

Além dos jogos, teve também uns comes e bebes.

Para comemorar seu primeiro ano de existência, a Game Of Boards fez um esquema de Play To Win. Foram mais de 10 mesas disponíveis com monitores para orientar e ajudar os jogadores. Ao término da partida, todos recebiam um cupom para se inscrever no sorteio daquele jogo específico. Eu participei como monitora dos jogos da editora Arcano Games, Anime Saga e Contária. Foi cansativo, mas também muito legal. Tive a oportunidade de interagir com bastante gente.

Mesa de Contária não parou. Nunca tinha explicado tantas vezes um mesmo jogo.

O único problema foram as filas de espera que acabaram ficando um pouco longas e confusas, pois era apenas um único responsável cuidando da lista para uma grande fluxo de pessoas. Muitas se inscreviam em várias mesas ao mesmo tempo, aí quando eram chamadas já estavam jogando outra coisa, fora que boa parte estava em grupos e queriam permanecer juntos.

Os jogos mais disputados me pareceram ser Dead Of Winter e Tail Feathers, dois títulos cujo tempo de partida eram maiores e não me pareceram muito adequados ao esquema Play To Win, no qual a galera quer jogar a maior quantidade de jogos possíveis para participar da maior quantidade de sorteios. Por mais que tenha ocorrido adaptação para encurtar a partida, ainda assim é bem complicado.

Dead Of Winter, uma das mesas mais disputadas.

Além dos sorteios do Play To Win, ainda rolou desconto de 12% em relação em compras a vista e parcelamento em até 12x para compras de qualquer valor. Eu achei um pouco fraco, nada que me estimulasse a abrir a carteira. Para não dizer que saímos de mãos vazias, compramos o Dr. Eureka, lançamento da Mandala Jogos que estávamos de olho desde que foi anunciado.

Nossos parabéns para toda equipe Game Of Boards. Que este tenha sido apenas o primeiro de muito outros anos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Eu curti muito a ideia do Play To Win e pretendo tentar algo na mesma linha em alguma edição futura do Guadalupeças. Eu gosto de promoções que façam as pessoas se envolverem com o hobby. Tenho pensado muito em formas de fazer ações nesse sentido, não apenas dar prêmios para encher evento ou aumentar inscritos e curtidas, mas que promovam interação.

Acho que mais importante do que aumentar os números é conseguir construir um relacionamento com quem consome o nosso conteúdo ou frequenta nosso evento. Eu fico bem feliz com cada comentário que recebo e cada vez que alguém vem falar pessoalmente comigo. Mesmo que, por vezes, eu não consiga demonstrar isso claramente, pois sou extremamente tímida.

Sempre que possível estamos presentes na jogatina de sexta-feira da Game Of Boards. Venha jogar com a gente! Estamos analisando a viabilidade de gravar algumas partidas que jogarmos lá para colocar no canal. É isso aí, mais do que assistir ao Turno Extra, talvez, em breve, seja possível também aparecer no canal.

Confira mais algumas fotos:

Mesa de Dead Men Tell No Tales.
Mesa de Bushido.
Ganhador do sorteio do Tail Feathers.

Confira também o vídeo que gravamos:

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Confira como foi o Guadalupeças 39

Domingo tivemos mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Neste mês contamos com o prazer da visita do pessoal da LudoTable, uma empresa especializada na fabricação de mesas para boardgames. Um dos principais destaques do produto oferecido por eles é o fato de ser facilmente desmontável. Nem todo mundo tem espaço para manter uma mesa montada permanentemente para jogar.

Então, tendo uma mesa da LudoTable, a pessoa pode deixá-la guardada e só montar quando realmente for necessário, naquela reunião de amigos de fim de semana ou feriado para acomodar aqueles jogos mais pesados da coleção. A LudoTable também faz trabalhos personalizados, de acordo com as necessidades individuais de cada cliente.

Querendo aquela mesa bacana para seus boardgames? Converse com o Antonio da LudoTable.
Mesas de qualidade para acomodar confortavelmente seus jogos.

Esta edição do evento foi um pouco mais tranquila que o habitual e por conta disso consegui fazer algo que não conseguia há algum tempo: experimentar jogos diferentes. É engraçado que, no mês passado, que a gente esperava uma diminuição de público, por conta da alteração de data, tivemos mais gente do que o esperado. Mas, talvez, isso ainda seja efeito da mudança, pois resultou em um intervalo de tempo menor entre as edições.

É muito legal quando a gente tem a oportunidade de experimentar jogos que não conhece, pois assim não rola nenhum tipo de julgamento prévio, diferente de um título “hypado” ou de um autor conhecido, que gera aquela expectativa que muitas vezes prejudica a experiência. Eu comecei o dia com World Without End, jogo de Michael Rieneck e Stefan Stadler, que adapta o segundo livro da série Kingsbridge do escritor Ken Follett. Todos os livros da série foram adaptados para o universo dos tabuleiros pelos mesmos designers e lançados pela editora alemã Kosmos. A arte de toda a série fica por conta de Michael Menzel, conhecido por seu belo trabalho em jogos como Legends Of Andor e Stone Age.

World Without End é um Euro médio cuja principal mecânica é o gerenciamento de mão. Todos os jogadores possuem as mesmas 12 cartas de ação e a cada rodada precisam escolher uma para jogar e outra para descartar. O que já provoca aquela angústia saudável que tanto me atrai nesse tipo de jogo. Além disso, durante o turno são abertas cartas de evento, elas concedem bônus para todos, porém o jogador da vez é que será o responsável por definir como isso será distribuído rotacionando a carta, então não é uma escolha livre. A carta de evento ainda possui uma terceira função, a forma como for posicionada irá definir também o quanto o jogador irá andar na trilha de benefícios na parte de baixo do tabuleiro.

Word Without End é um belíssimo trabalho em todos os sentidos.

Todas as mecânicas e regras são muito bem amarradas entre si gerando uma cadeia perfeita de ação-reação. Toda decisão envolve sacrificar algo, a correta avaliação para chegar ao equilíbrio entre perda e ganho é o caminho para vitória. É um jogo relativamente simples de entender o funcionamento, ele possui aquela elegância que nasce da simplicidade de combinações em perfeita sintonia. As cartas de evento adicionam um grau de aleatoriedade ao jogo, um fator importante para rejogabilidade. Elas são determinadas por sorteio na montagem do setup da partida. Porém, não chegam a prejudicar significativamente o planejamento do jogador.

World Without End se desenvolve ao longo de 4 turnos com 6 rodadas cada um, ao termino de cada um dos turnos é necessário realizar o pagamento de tributos: alimento, fé e impostos. Os dois primeiros possuem um valor fixo, o último, no entanto, é determinado no dado. Mais um fator sorte estrategicamente posicionado. Apesar de não ser um jogo com grande carga temática, o que não surpreende em se tratando de um Euro, achei que esses pontos tem uma identificação no tema. Ele é basicamente um jogo sobre sobreviver na Idade Média. O sabor do livro está nos eventos. Tem uma parte de peste negra que eu achei bem interessante e carrega também algum nível de incerteza. Outra parte legal do jogo são as construções que vão entrando aos poucos na partida de acordo com os eventos.

As cartas de evento gerenciam todo o andamento do jogo, concedendo e retirando oportunidades conformes são reveladas. Então, é um jogo que exige bastante capacidade de planejamento e antecipação, mas também exige capacidade de adaptação. Nem sempre uma estratégia que inicialmente parece boa vai permanecer assim ao longo da partida. É preciso manter em mente caminhos alternativos e reavaliar as opções constantemente.

Eu investi no caminho da medicina, mas quando a peste negra surgiu não se mostrou tão vantajosa. As casas afetadas são determinadas pelos eventos e aconteceu de sair muitos números repetidos, então não houve uma grande expansão, não possibilitando o uso ostensivo de ação de cura para obtenção de pontos e outros benefícios. Tive a sensação que a ação de construção foi a mais vantajosa, acho que todos os monumentos entraram em jogo.  Outras opções do tabuleiro era o comércio de lã/tecido e o aluguel de casas, não consegui fazer muito do primeiro, já o segundo foi um bom investimento, uma forma de garantia de renda fixa.

 

Quero jogar de novo. <3

Gostei demais de World Without End e fiquei bastante curiosa com os demais jogos da série já que são dos mesmos game designers, achei que a simplicidade das mecânicas e a forma como são tão eficientemente combinadas dão ao jogo uma elegância que verdadeiramente impressiona. É um jogo complexo nas possibilidades oferecidas sem impor uma barreira alta de entrada. Alguns dos Euros mais pesados que eu gosto acabam não sendo tão atrativos para novos jogadores por seu conjunto de conhecimento inicial requerido. Tantas regras para lembrar combinadas com muitas possibilidades estratégicas pode gerar um resultado altamente frustrante.

Angústia é algo que para mim faz parte do prazer de determinados tipos de jogos, porém a frustração é sempre um sentimento altamente indesejado, algo que leva a uma experiência negativa de jogo. A frustração de não conseguir compreender o processo lógico por trás de um determinado conjunto de regras ou a incapacidade de ação que essa falta de compreensão pode provocar, é aquela sensação de estar jogando de maneira aleatória sem saber conscientemente o que está fazendo.

Uma outra forma de experimentar frustração para mim é jogo com alto fator PvP e jogadores altamente competitivos ou que gostam de simplesmente prejudicar o amiguinho. Foi basicamente o que aconteceu com o segundo jogo do dia. Domaine, de Klaus Teuber, o famoso game designer de Catan, é um Cerco de Área com Gerenciamento de Mão.

Cada jogador começa posicionando seus 3 conjuntos de castelo e cavaleiro no tabuleiro. É importante tentar posicionar nas pontas e perto de minas, pois é desejável fechar uma área com minas o mais rápido possível para garantir mais facilmente a renda necessária para pagar o custo das cartas. É através delas que todas as ações são realizadas no jogo: colocar barreiras, cavaleiros, expandir território, fazer aliança e deserção. Na falta de dinheiro para baixar cartas, o jogador pode vendê-las, neste caso ela ficará aberta a disposição de um próximo  que queira comprá-la, normalmente a compra é feita no final da vez de um deck fechado.

Nem só de Catan vive Klaus Teuber.

Quando o jogador não consegue fechar um cerco rápido com mina para geração de renda, ele acaba ficando preso a vender cartas, o que acaba se tornando um círculo vicioso difícil de romper. O progresso da partida é determinado pelo avanço dos jogadores em seus cercos. A pontuação toda ocorre na hora de acordo com os elementos presentes no cerco fechado ou expandido, ao chegar ou ultrapassar 30 pontos a partida acaba.  O jogo é bem rápido, pois as ações se resumem a jogar uma carta ou vender uma carta. São apenas 3 cartas na mão e não há uma grande diversidade de ações para que ocorra muita dúvida sobre o que fazer.

O que pode gerar demora no turno dos jogadores é a análise da situação do tabuleiro, Domaine é um jogo que exige uma boa visão espacial, quanto mais avançada a partida, maior a quantidade de variáveis a serem analisadas: expandir território, trabalhar para fechar cerco, colocar cavaleiro para defender/atacar e a ação do desertor que muda o cavaleiro do oponente de lado.

Eu comecei levando um bloqueio logo no início da partida, eu estava trabalhando para fechar o primeiro cerco para garantir uma mina, mas tinha um castelo oponente perto de mim e ele me bloqueou totalmente. Foi uma ação muito desnecessária, faltou um certo fair-play, não tinha porque realizar um ataque tão direto. Meus outros castelos não estavam tão bem posicionados, então passei o restante do jogo travada sem conseguir fechar cerco e alternando automaticamente entre vender cartas para ganhar dinheiro e tentativas de ação para conseguir algum avanço na partida. Basicamente, eu mais assisti do que joguei.

Apesar disso, gostei de conhecer o jogo, ele é bem diferente do que estou acostumada a jogar. Foi bom conhecer um outro trabalho do Klaus Teuber, um game designer que acabou ficando marcado por um único jogo, o fenômeno Catan, considerado como um dos títulos fundamentais do boardgame moderno. Só não sei se jogaria novamente, talvez em uma mesa mais amigável.

Confira outros jogos que rolaram nesta edição do Guadalupeças:

O competitivo Star Wars Destiny, lançamento Galápagos Jogos.
O inusitado Cartas a Vapor, lançamento Potato Cat.
O popular Coup, lançamento Mandala Jogos.
O divertido Contra o Tempo, lançamento Grow.

Agradecemos a todos pela presença em mais uma edição do Guadalupeças   e espero reencontrar a todos no próximo mês. Estamos preparando uma ação especial relacionada ao Outubro Rosa, fiquem ligados aqui no blog e em nossas redes sociais para saber mais informações a respeito, assim como futuras possíveis novidades. Mais uma vez lembramos que somos um evento totalmente aberto a protótipos. Apenas pedimos, se possível, um contato prévio para que possamos divulgar com antecedência. Estamos abertos também a propostas para realização de eventos especiais de editoras e game designers, basta entrar em contato para analisarmos a viabilidade. Assim como eventos temáticos, qualquer frequentador pode deixar a sua sugestão. A partir da próxima edição, teremos uma caixinha para facilitar o nosso processo de comunicação com o público.

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Análise: Dwar7s Outono, da Mandala Jogos

Dwar7s Outono foi um jogo que me despertou zero interesse inicialmente. Acho que, como quem acompanha regularmente o blog e o canal sabem, eu estou bem cansada da temática medieval e de fantasia. Assim sendo, a ideia de montar um reino de anões não é nada atrativa para mim. Porém, o jogo reúne uma combinação de mecânicas e regras bem simples, mas muito bem amarradinhas. Eu gosto muito disso, quando o jogo é redondo e fica claro o esquema ação-reação.

Exemplo de partida em andamento com 2 jogadores.

Aprender o jogo é bem fácil e rápido, ele tem uma barreira de entrada praticamente inexistente. É possível jogar tranquilamente com novos jogadores. Dwar7s Outono brilha nos pequenos detalhes que dão o teor estratégico ao jogo, fazendo com que seja uma opção interessante também para jogadores mais experientes. O problema disso é que em uma mesa misturando os dois tipos de jogadores a chance dos novatos serem massacrados é bem grande, o que pode ser desestimulante ou frustrante para alguns. É um jogo que leva uma ou duas partidas para pegar a malícia.

Os jogadores em Dwar7s Outono possuem a mesma 9 cartas: minas, castelo, troca objetivo, ogro, troll e dragão, sendo essa quantidade também o limite de mão. As ações do jogo são apenas duas: baixar uma carta e alocar anões nas cartas. Em seus turnos, os jogadores podem realizar três ações em qualquer combinação. Cada carta pede uma quantidade específica de anões para realizar seu efeito. O final do jogo é disparado quando um jogador cumpre o terceiro objetivo.

Todos os jogadores começam a partida com as mesmas 9 cartas na mão.

Os jogadores começam a partida com um objetivo individual secreto, os demais ficarão abertos na mesa. Sempre teremos 3 objetivos disponíveis para serem cumpridos. Os requisitos são sempre combinações dos quatro gemas presentes no jogo, a quantidade de pontos é variável de acordo com o nível de dificuldade. As gemas são cartas que vão para a mão dos jogadores. Assim sendo, é preciso baixar logo as cartas iniciais para abrir espaço para guardar as cartas de gemas. A questão é que nem sempre é vantagem colocar tudo tão rapidamente em jogo.

Objetivos secretos.
Demais objetivos.

As cartas de troca objetivo, troll e dragão podem ser mais vantajosas de segurar para um uso posterior dependendo do andamento da partida, mesmo as minas podem sofrer com essa questão. Colocar ou não em jogo depende muito do que os oponentes estão jogando. Por exemplo: Se já tem minas azuis em jogo, talvez seja mais vantajoso segurar a sua um pouco. Um anão de outro jogador pode trancar uma mina futuramente ou jogar uma mina de outro tipo em cima daquela. É um jogo com bastante formas de manipulação e as situações são bem variáveis.

Para cumprir um objetivo não basta conseguir reunir as gemas solicitadas, após isso ainda é preciso colocar seus anões na carta de troca objetivos, então é muito comum que um oponente tente trancar essa carta, principalmente ao notar que você está próximo de cumprir um objetivo que concede uma pontuação grande. Saber o momento certo de baixar sua própria carta de troca objetivo pode dar uma boa vantagem estratégica.

Um único anão vermelho está alocado na carta de troca objetivo apenas para travar o espaço e impedir sua utilização pelo oponente.

A única carta que é claramente vantagem jogar logo no início é o castelo, pois ele concede ao jogador uma quarta ação, além de possibilitar recuperar cartas que estão em baixo de outras cartas. Para jogar uma carta sobre a outra basta que ambas sejam do mesmo tipo. O castelo também serve para determinar o seu reino, que será formado por todas as construções dentro da muralha. Essa é uma questão muito importante do jogo, além dos pontos de objetivos, os jogadores pontuam também pelo tamanho do reino. É preciso se manter atento a isso, uma muralha bem ou mal colocada pode fazer grande diferença no resultado final.

O castelo vermelho foi posicionado de forma a evitar o efeito negativo da carta do troll. Assim sendo, apenas o castelo verde está com sua habilidade anulada.

Além de tudo o que já foi exposto, o jogo ainda dispõe de três formas de ataque direto. As cartas de ogro são as mais efetivas porque são ações ativas instantâneas que não são podem ser bloqueadas. Já as cartas de dragão e troll possuem um efeito passivo de desativação de efeito de localidades nos reinos onde forem colocadas, elas podem ser anuladas ao alocar a quantidade de anões solicitada na carta. Isso ainda concede ao jogador 3 pontos. Em virtude disso, é comum jogar essas cartas mais na intenção de ganhar esses pontos do que prejudicar o oponente.

Cartas de ogro.

Dwar7s Outono é um jogo com partidas bem rápidas e bastante interação entre os jogadores. Além disso, ele é bem fácil de explicar e não exige muito espaço. É um jogo também de fácil transporte, pois a caixa é pequena e seus componentes se resumem a uma quantidade relativamente pequena de cartas e os conjuntos de meeples de anões de cada jogador, o que o torna bastante leve.

Um jogo bastante compacto. Fácil de carregar para qualquer lugar.

A arte do jogo é bem bonita, apesar de considerar o tema pouco atrativo. Ele está sendo vendido a R$ 109,90, o que considero um preço bastante vantajoso para o que é oferecido. O jogo ainda possui um modo solo para o qual é necessário comprar um playmat no valor de R$40. Eu tenho usado o playmat nas partidas multiplayer do jogo só pelo fator beleza e acho que é uma aquisição que vale a pena, apesar de não agregar nada em jogabilidade.

Playmat bem bonito para incrementar o jogo.

Dwar7s Outono pode ser adquirido nas melhores lojas do ramo. Nossa recomendação é a Game Of Boards, a casa do boardgamer carioca. Além de comprar com um ótimo preço e um super atendimento, você ainda pode dar aquela testada para ter certeza do que está levando para casa. Eles possuem programa de aluguel de jogos e também a jogatina semanal toda sexta-feira a partir das 18h. Estamos sempre por lá, se quiser jogar com a gente ou trocar uma ideia é só chegar.

Confira a seguir o Turno Cast sobre Dwar7s Outono:

Em breve, vai ao ar uma entrevista que gravamos com Luis Brueh, autor do jogo. Fiquem ligados e façam a inscrição no canal para não perder nenhum vídeo.

Foto tirada com Luis Brueh na jogatina de sexta-feira da Game Of Boards.
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Como foi o 38º Guadalupeças

Excepcionalmente em agosto, o Guadalupeças ocorreu no quarto domingo, em virtude do Diversão Offline. Por esse motivo, esperávamos uma edição mais vazia do que o habitual. E realmente, sentimos a ausência de várias pessoas que costumam estar mensalmente com a gente. Porém, apesar disso, tivemos um bom público. Várias pessoas que conheceram o evento por serem frequentadoras do shopping marcaram presença. Algumas já nos seguem nas redes sociais e viram o aviso sobre a mudança de data.

Bom público, apesar da alteração excepcional de data

Nesta edição do evento praticamente só levamos os jogos adquiridos e recebidos mais recentemente. Os títulos gentilmente doados pela Grow ao nosso acervo fizeram bastante sucesso, como já era esperado, tendo em vista que temos um crescente número de participantes que estão conhecendo agora os jogos modernos, além de pais com crianças e famílias em geral.

Galera se divertindo com Pictopia Disney.

Outro título que fez bastante sucesso foi Attack On Titan: The Last Stand. O jogo tem agradado bastante em todas as mesas pelas quais têm passado. É um cooperativo com overlord bem simples, porém com um detalhe de assimetria interessante. O jogador que controla o titã utiliza a mecânica de hand management, enquanto os demais que assumem o papel dos personagens do anime que lutam contra sua ameaça utilizam as mecânicas de dice rolling e press your luck. As partidas são bem rápidas. Sinto que vai ser muito jogado pelos próximos meses.

Potencial para se tornar um dos jogos mais jogados do evento nos próximos meses.

O Guadalupeças é um evento que não apenas acolhe os jogos nacionais, sejam eles protótipos ou já lançados, como também incentiva para eles sejam jogados. Portanto, tivemos mais uma edição em que a grande maioria de tudo o que foi jogado era de autores brasileiros. Legal é que cada vez mais isso vem acontecendo naturalmente. Contamos com a presença de 3 mesas de protótipo: Ira das Lendas, Sereias e Grasse. Todos são muito bem-vindos a apresentar livremente seus jogos no evento, só pedimos se possível para sermos avisados antes, por questões de logística e até para realizar a divulgação.

Ira das Lendas.
Sereias.
Grasse.

Além disso, tivemos também mesas de Bushido e Unfairy, dois dos jogos recém-lançados pelo sistema de print on demand da Game Maker, que estavam a venda no Diversão Offline. Tivemos mesas de Piratas e Por Favor! Não Corte Minha Cabeça, ambos da editora Geek N Orcs. Tendo o último o atrativo adicional da bela arte de Vitor Caffagi, mais conhecido por seu trabalho em MSP Turma da Mônica.

Bushido.
Por Favor! Não Cortem Minha Cabeça.

Confira mais alguns jogos que rolaram na edição de agosto do Guadalupeças:

Bohnanza – Papergames
Dwar7s Outono – Mandala Jogos.
Anime Saga – Arcano Games.

Obrigada a todos que estiveram presente a mais uma edição do Guadalupeças, espero poder rever a todos na edição de setembro, que volta a ser realizada terceiro domingo do mês. Nos acompanhe em nossas redes sociais para ficar sabendo antecipadamente o que esperar do evento, seja novos títulos disponíveis no catálogo ou protótipos que participarão. Se você gostaria de playtestar seu jogo com a gente entre em contato para divulgarmos com antecedência. Todos os jogos disponíveis no Guadalupeças, e que foram lançados no Brasil, você pode adquirir na Game Of Boards, a casa do jogador de boardgame no RJ.

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