Recicle: Tempos de Crise

Eu tinha planejado e estava me preparando para postar sobre um outro jogo, porém Recicle: Tempos de Crise me deixou tão empolgada que eu tive que escrever sobre ele imediatamente. Saí da mesa de jogo direto para o computador. Mais uma vez temos um jogo que a princípio você não dá nada. Tanto o tema quanto a arte de capa não ajudam. Pelo tema de reciclagem, você pensa logo em algo educativo e consequentemente chato. Já a capa parece que é um problema geral de todos os jogos da fase “underground” da Galápagos Jogos (eu tenho todos, só me faltava esse). Não vou dizer que é injustiçado também, porque até onde sei ele sempre foi bem avaliado e está esgotado há algum tempo.

Em Recicle: Tempos de Crise cada jogador administra uma cooperativa de reciclagem. Não preciso dizer que vence a que for melhor administrada, certo? A mecânica do jogo é totalmente Euro, a sorte é zero. Você tem três catadores para se mover pelo tabuleiro de cidade recolhendo os recursos. Além das áreas de materiais recicláveis, você tem materiais orgânicos (vão direto para o aterro sanitário da cooperativa e a cada três você ganha um ponto), praça (permite se mover para determinados lugares do mapa), carta (ações que beneficiam o jogador) e cooperativa (onde o catador vende para você). Nesse tabuleiro também temos a contagem de pontos e turnos. São seis para dois jogadores e cinco para três ou quatro jogadores. O jogo é muito rápido, tive um pouco a sensação que tenho ao jogar Agrícola, vai chegando o final e você acha que não fez nada.

Os catadores vendem o material reciclável à cooperativa (você gasta dinheiro) ou ao armazém público (você ganha dinheiro). A questão do armazém público é que para comprar de lá depois pode ser mais caro e por mais que pense que não vai precisar comprar lá, chega um momento que o jogo meio que te obriga. Além dos carrinhos dos catadores e do armazém público, esse é o tabuleiro que conta o dinheiro, item muito importante no jogo. Perceba que é possível ficar com valor negativo, isso significa que você pegou emprestado e tem também um esquema de pagamento de juros. Além disso, tem os impostos a partir do momento que se atinge uma determinada quantia de dinheiro. Estar no vermelho no final da partida perde ponto, assim como ter dinheiro sobrando dá pontos.

Outra ação possível é aquisição de fichas de equipamento de fichas de melhoria. Os principais são os equipamentos de reciclagem, você pode ter dois por vez. Sem eles não tem como reciclar e essa é claro a principal forma de ganhar dinheiro e pontos. Eles podem ser vendidos pela metade do preço de compra para abrir espaço para outros melhores. Se você não tiver os dois espaços de equipamento de reciclagem completos no final da partida perde ponto. Outra forma de reciclar que são os Ateliês, esses são livres. Existem outras melhorias que vão facilitar a administração da cooperativa. Todas muito bem pensadas.

Jogamos em apenas duas pessoas e já foi incrível, mal posso esperar para jogar com quatro. O jogo possui uma mecânica muito redonda. A princípio não percebi nenhum problema de regra, tudo funciona perfeitamente. Se fosse para reclamar de alguma coisa, nem é bem uma reclamação, é mais uma observação. Acho que pelo tema teria sido muito legal se o jogo fosse de material reciclado, tipo o Banco Imobiliário Sustentável. Não sei se os componentes são todos de material reciclável ou só a caixa, mas passa uma boa impressão. Uma outra questão é o tabuleiro da cooperativa, acho que poderia ser maior, com espaço para as outras fichas de melhorias além dos equipamentos de reciclagem.

Mas no geral adorei o jogo e recomendo fortemente. Se você ver vendendo em algum lugar compre porque é muito bom. O meu veio da Livraria Cultura lá do Recife. Cobraram um pouco a mais por causa disso, mas posso dizer que valeu cada centavo e mesmo com acréscimo nem foi tão caro. Achei bem justo o preço. É legal comprar em promoção, mas também você precisar saber reconhecer o valor das coisas.
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O Último Grande Campeão

Meu noivo comprou esse jogo bem barato em uma promoção no site da Galápagos. Para quem não conhece, é um jogo nacional cuja temática é MMA. Pelo preço, a própria temática e arte pensei que seria dinheiro jogado fora. Sim, a arte dele também não é lá grandes coisas. Levou algum tempo até esse jogo finalmente conseguir ver mesa.

Apesar de ser um jogo de luta, ele precisa de três jogadores no mínimo.  Todo jogo assim acaba ficando um pouco encostado aqui em casa. Sendo um jogo do qual nada se esperava, ficou ainda mais tempo que o normal.

A oportunidade veio em um dia que fui jogar na casa de um vizinho. Já era de noite e no dia seguinte, eu iria acordar cedo para trabalhar, então precisava de algo rápido e fácil de carregar. Resolvi então dar uma chance. Jogamos em cinco pessoas e qual não foi minha surpresa ao perceber o quanto o jogo era divertido. Depois tive a oportunidade de jogar com três pessoas e achei que não funcionou tão bem. Acredito que o ideal seja cinco ou seis pessoas mesmo.
De maneira bem resumida, ele funciona da seguinte forma. Um dos jogadores (aleatório) começa com a peça que representa o Cinturão de Campeão. O objetivo do jogo é juntar oito ou dez pontos de vitória (varia de acordo com a quantidade de jogadores) e conquistar esse componente. Cada jogador pode realizar duas ações de um total de quatro (que não podem ser repetidas), sendo que quem estiver com o Cinturão só pode realizar apenas uma ação. As ações são: desafiar o campeão, treinar, comprar carta e curar.

No início da partida, cada jogador escolhe a carta do seu lutador. Essa carta vem com os símbolos das habilidades que esse lutador possui. É possível adquirir novas habilidades ou melhorar as que já tem na carta através do treinamento. As lutas e treinamentos são realizadas através dos dados que vem com os símbolos das habilidades. A quantidade de dano vai ser igual a quantidade símbolos correspondentes do dado e da carta. Depois de rolar os dados de ataque, você rola os dados de dano para saber quanto você se machucou e depois vai ser a vez do oponente. Aqui você bate, mas também apanha e não tem defesa.

Os dados são a única parte bonita do jogo. Eles são uma graça, os dados de luta pretos com os símbolos das habilidades e os dados de dano amarelos e um vermelho com as conhecidas onomatopeias de lutas.

As cartas são naquele velho esquema: ajuda você ou atrapalha o adversário. O importante é que comprar cartas é ação, mas jogá-las não. Assim sendo, você pode combar frenético.

Agora só falta falar da ação de curar que, na minha humilde opinião, é o maior problema do jogo. Você pode usar uma das suas ações para curar um dano ou passar a vez e curar três danos. Não existe um limite de dano que um lutador pode ter, ninguém é eliminado por isso. O dano diminui a quantidade de dados que você joga na luta. A cada dois danos você fica com um dado a menos. Porém, só vai até três. Quando joguei a primeira vez, não prestei atenção nisso e fui zerando os dados, o que obrigava as pessoas a se curar. Se você fica sempre com três dados e ainda tem carta que acrescenta dado na sua rolagem, para que vai gastar ação curando?
Outra coisa que eu achei mais ou menos foram as peças variantes. O Mestre é razoável, mas é muito esforço para pouco benefício, só dá defesa contra um tipo de golpe. A Ring Girl é repetição da carta, faz exatamente a mesma coisa, concede ponto de vitória automático. As outras duas são para você próprio criar as regras. Não consigo me decidir se isso foi uma boa ideia ou não.

Enfim, o jogo tem alguns problemas, tanto na questão arte quanto na questão jogabilidade, mas não merecia ter sido tão fracassado. Eu comecei o texto informando que o jogo foi comprado em uma promoção no site da Galápagos. Foi um grande saldão que eles fizeram, acho que estavam querendo liberar estoque. Bem, todos os jogos esgotaram rapidamente. Ou melhor, quase todos, O Último Grande Campeão foi o único que ficou lá encalhado. Atualmente, ele consta como esgotado, mas levou muito tempo e ele era o mais barato de todos.
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