Board Game Girls – Evento 100% feminino

O Board Game Girls é um projeto idealizado por Priscila Terra em resposta aos diversos problemas relacionados a machismo e que acabam por afastar mulheres do hobby de jogos de tabuleiro. O projeto começou como um grupo no Facebook, depois veio a página na mesma rede social e os esforços para realização de um evento exclusivamente feminino. Tal formato foi decidido democraticamente através de enquete no grupo, não sendo uma decisão unilateral da organização. Eu mesma votei por essa opção por acreditar ser a mais adequada à proposta de criar um espaço seguro que encorajasse a participação feminina.

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Guadalupeças – Especial Quadrinhos

Eu sempre gostei muito de eventos com edições temáticas, acho que elas promovem uma maior interação entre os participantes do evento e ainda são mais atrativas para novos jogadores. Ao longo de todo o período de existência do Guadalupeças foram inúmeras as vezes que organizamos edições deste tipo, já fizemos Star Wars, Game Of Thrones e até mesmo uma de Futebol, na época da Copa do Mundo. Porém, apesar de sermos grandes fãs da nona arte, ainda não tinha acontecido de unirmos esses dois grandes hobbies.

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Diversão Offline inicia divulgação da edição em São Paulo

O Diversão Offline 2018 terá sua primeira edição em São Paulo nos dias 10 e 11, conforme divulgado pelo Turno Extra e previamente revelado pela própria organização do evento. O anúncio oficial de data e local foi feito no fim da tarde desta quarta-feira (8) e contou com uma publicação oficial do evento no Facebook. Novidades adicionais são prometidas para breve.

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Saiba como foi o Guadalupeças do mês de Outubro

Em 15 de outubro aconteceu mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Por ser no final de semana de um feriado prolongado e um dia de chuva aqui no Rio de Janeiro tivemos um público um pouco menor do que o habitual. Também houve uma mudança de local, continuamos no primeiro piso do Shopping Jardim Guadalupe, mas estamos agora no extremo oposto do local anterior. Espero que ninguém tenha ficado perdido. Antes ficamos ao lado do Rei do Mate e agora estamos em frente ao Amigão. Mais uma vez só temos a agradecer ao Shopping, por acreditar na nossa proposta e preparar esse novo espaço para nos receber.

Outubro é o mês de prevenção ao câncer de mama e nós resolvemos tentar contribuir para isso de alguma forma. A Game Maker que estava presente no evento fez para nós alguns meeples no formato do laço rosa, símbolo internacional da campanha, que foram distribuídos para as mulheres que estiveram presentes no evento. É uma doença terrível, cuja descoberta cedo é fundamental para o sucesso do tratamento. Eu já vivi essa realidade na minha família e sei o quanto de sofrimento ela provoca.  Acesse o site do Inca e para saber mais informações.

Nossa humilde contribuição para uma causa tão importante.
Quer publicar um jogo ou produzir um protótipo? Procure a Game Maker.

Além do pessoal da Game Maker, tivemos também a presença dos game designers Romulo Marques e Rodrigo Rego, ambos membros do coletivo Mansão das Peças. O Romulo Marques está em plena campanha de financiamento coletivo do excelente jogo de destreza Die die DIE, tem texto sobre a versão protótipo dele aqui no blog e vídeo explicativo de regras com o próprio Romulo no nosso canal. A versão final do jogo mudou bem pouco em termos de regras. O lançamento é uma parceria entre a Ace Studios e a Redbox Editora.

Conferindo a versão final do Die die DIE.
A arte é do Lucas Ribeiro, responsável pelo Space Cantina. Ficou bem bonito.

O Rodrigo Rego estava no evento apresentando o Papertown, jogo que em breve deve estar chegando ao mercado também pela Redbox Editora. Além disso, ele também trouxe Copacabana e Break & Breakfast (antigo Su Casa, Mi Casa), que vai sair lá fora pela Braincrack Games. Todos os três jogos possuem em comum a mecânica de colocação de tiles. Eu gosto muito do Copacabana por conta da temática bem brasileira, mas acabei jogando mesmo o Papertown e o Dead & Breakfast.

Rodrigo apresentando Copacabana.

O Papertown eu já havia jogado na época em que ainda era Micropolis, ele é bem frita cérebro por conta da questão do reconhecimento de padrões. É um jogo com uma pegada bem agressiva, no qual os jogadores precisam estar muito atentos para trancar seus oponentes. É um jogo que não permite distração e pune bastante os erros. Eu joguei no modo de duplas e pude perceber um problema de “alpha player”, por isso a sugestão da mesa foi limitação de comunicação entre os jogadores. Eu prefiro o modo cada um por si mesmo. Dos jogos do Rodrigo, o Papertown é o que menos me atrai. O tema é bastante seco, eu não sou muito boa com visão espacial e jogos muito competitivos me geram certa frustração.

Depois joguei Dead & Breakfast, um dos poucos títulos do Rodrigo que eu ainda não tinha jogado. Esse eu gostei mais porque cada jogador vai fazendo o seu independente dos demais. Claro que sempre se pode tentar bloquear o coleguinha pegando um tile que seria muito para ele, mas é uma interação mais indireta, ninguém bloqueia ninguém. Cada jogador irá montar um hotel 5X5. Os tiles são 2X2 e podem ser vertical ou horizontal. A cada andar completado, os jogadores pegam um hóspede que dará pontos de acordo com a sua exigência. Além dessa pontuação, existe também uma por flores ligadas a portaria através de uma trepadeira que cobre as paredes. Eu achei isso bastante criativo e é a parte frita cérebro do jogo porque é bem difícil manter a conexão. A pessoa que venceu a partida o fez por conta da pontuação das flores. Por último, ainda tem um objetivo geral variável. O esquema para pegar os tiles também é bacana, é um rondel no qual os jogadores podem andar de 1-3. Foi bem pensado para adicionar uma limitação ao jogador e uma possibilidade interação.

Meu hotel mal-assombrado.

Além da mecânica em si que me agradou pelos motivos que expus acima, o Dead & Breakfast me ganhou por conta do tema. Eu gosto bastante de temática de Terror/Horror e sinto falta de mais jogos. Sinto o tema muito limitado a Zumbis e Cthulhu. Sinto falta de outras abordagens, acho que por isso gostei tanto de Por Favor, Não Corte Minha Cabeça, outro jogo nacional bem divertido que em breve vai ter vídeo e texto por aqui. Gostaria de ver o tema de forma mais recorrente, variada e melhor explorada, mesmo os tão recorrentes Zumbis e Cthulhu, jogos que sejam menos caça-níquel e mais realmente tentar trazer para a mesa uma experiência assustadora e com boas referências.

Além disso, eu ainda joguei o maravilhoso Dr. Eureka, sucessor espiritual do Potion Explosion, só que muito mais simples, rápido e divertido. Pode parecer meio absurdo comparar os dois já que são propostas bem diferentes, única semelhança talvez seja o uso de bolinhas coloridas. Mas comparo porque atende o mesmo grupo de jogos casuais, só que consegue ser ainda mais amplo. Crianças menores que poderiam ter dificuldade com Potion Explosion podem jogar Dr. Eureka tranquilamente. No outro extremo, acho que é um jogo que pode divertir até mesmo “heavy gamers” que não gastariam seu tempo em uma partida de Party/Family de mais de uma hora, mas não se importariam em gastar 15 minutos colocando sua destreza e agilidade a prova. É realmente um jogo para unir a todos.

Dr. Eureka foi certamente o jogo mais jogado desta edição do Guadalupeças.

Dr. Eureka é extremamente simples. Cada jogador terá três tubos com duas bolinhas em cada um deles, a cada rodada uma carta será aberta no centro da mesa e ganha quem conseguir colocar as bolinhas na disposição mostrada na carta. O jogo acaba quando um jogador consegue conquistar a quinta carta. Dr. Eureka é um lançamento da Mandala Jogos e pode ser encontrado na Game Of Boards por R$120.

Um desafio de agilidade e destreza.

Para completar, o dia eu ainda joguei o maravilhoso Modern Art. Quanto mais eu jogo mais eu gosto dele, só está crescendo no meu conceito a cada partida. Ele é um jogo de leilões, o grande lance está em saber quando e como utilizar cada um dos tipos de leilões diferentes oferecidos pelo jogo. Ele tem a duração de quatro rodadas, ao termino de cada uma delas é verificado os três artistas mais populares que serão valorizados e cada jogador que tiver obras deles recebe o valor estipulado. Então, faz parte do jogo escolhas como tentar valorizar um artista em baixa ou lutar para conquistar as obras de artistas já populares. Eu não esperava que fosse gostar tanto do jogo, a edição lançada no Brasil pela Galápagos Jogos é a mais recente lançada pela CMON e eu achei bem bonita, mais do que a tão falada e cultuada edição da Odysseia Jogos. Modern Art pode ser comprado na Game Of Boards por R$130.

Modern Art é realmente uma obra de arte do boardgame moderno criada ´pelo mestre Knizia.

Confira mais algumas fotos de outros jogos que rolaram durante o evento:

Tiny Epic Quest.
China.
Pergamon.

Gostaria de agradecer a todos pela presença, espero que tenham se divertido tanto quanto a gente e que possamos nos reencontrar no próximo mês para mais uma tarde de muita jogatina. Nosso muito obrigado ao Shopping Jardim Guadalupe que abraçou o evento, a Game Maker que gentilmente confeccionou o meeples do laço rosa e aos game designers Romulo Marques e Rodrigo Rego que abrilhantaram o evento com seus jogos incríveis. Nos siga nas redes sociais para saber as novidades sobre o Guadalupeças, posso adiantar que mês que vem teremos dois títulos incríveis para fãs de quadrinhos (orientais e ocidentais). Convide seus amigos e venha jogar com a gente.

Foto com Rodrigo e Romulo, dois talentosos game designers que estão sempre nos dando o prazer da visita.
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Saiba como foi o aniversário da Game of Boards

No último sábado (23), os sócios da Game Of Boards abriram suas portas para receber clientes, amigos e familiares para celebrar o seu primeiro ano de atividade. Eles têm muito para comemorar, pois conseguiram em seu pouco tempo de existência se tornar a principal referência em boardgames no RJ, e não foi ao acaso. O estabelecimento é, hoje, reconhecido por suas jogatinas semanais, eventos ocasionais e outras programações que sempre rolam por lá. Mais que uma loja, é um “point” para quem quer marcar de encontrar pessoas ou conhecer gente nova.

Daniel, Léo, Thiago e Victor, os proprietários da Game Of Boards.

A LOJA:

A Game Of Boards começou seu funcionamento em um espaço bem pequeno, porém após alguns poucos meses já estava de mudança para um local maior dentro da mesma galeria. Isso proporcionou muito mais conforto aos clientes que agora podem contar com mesas para jogar a qualquer dia e horário da semana em um espaço climatizado.

Game Of Boards quando inaugurou.
Game Of Boards atual.

A mudança também permitiu a ampliação da linha de produtos e serviços oferecidos pela loja, sendo o principal deles o aluguel de jogos. Com um catálogo que abrange boa parte dos jogos lançados no Brasil e ainda alguns títulos importados (mais de 150 no total), os valores são divididos em três categorias de acordo com tamanho e preço de venda, variando entre R$15, R$30 e R$50. O tempo de aluguel é de uma semana. Existe também a opção de assinatura de planos mensais.

Os jogos que aparecem na foto são os disponíveis para alugar ou jogar na própria loja.

A Game Of Boards cobra uma taxa de R$ 10 de segunda a quinta e um valor entre R$ 10 e R$ 20 sexta e sábado, por pessoa, que permite uso por tempo ilimitado de mesas e jogos disponíveis. Todavia, o valor pode ser convertido em consumação. Não sabe jogar? Não se preocupe, pois os funcionários da loja são sempre bastante solícitos para explicar e nas sextas-feiras rola um reforço de monitores.

Leandro, um dos monitores, explicando Tail Feathers.

A jogatina de sexta-feira é o maior encontro semanal do hobby no RJ e se tornou uma tradição para muitos jogadores cariocas. Além do espaço da própria Game Of Boards, um salão em anexo é alugado para comportar a todos com conforto e comodidade. A loja comercializa bebidas e alguns pequenos lanches, mas o casal que cuida do salão vende umas opções de comida mais robustas. Recomendo fortemente o sanduíche de carne assada.

Salão ao lado da loja usado para os mais diversos eventos.

Mais do que apenas uma loja que comercializa jogos e produtos na linha nerd/geek, a Game Of Boards tem marcado uma importante presença no fomento ao hobby. A loja sediou as edições iniciais do Lady Lúdica, evento cuja proposta é incentivar o crescimento da participação feminina; o concurso de protótipos, uma importante iniciativa para novos game designers; lançamento de jogos como foi o Anime Saga; além de campeonatos e pré-releases tais como Carcassonne Star Wars Destiny. É uma loja sempre muito receptiva para eventos que atendam aos mais diversos grupos de jogadores.

Uma das coisas que eu mais gosto na Game Of Boards é justamente a diversidade do público. Acho que eles conseguiram criar um ambiente muito amigável que atrai todos os tipos de pessoas. Então, tem aquele pessoal “heavy gamer”, que a gente já conhece dos eventos por aí; mas também sempre tem muitos jogadores novatos ou casuais. A quantidade de mulheres e famílias que sempre vejo na loja também chama atenção.

É uma loja em que a gente entra e se sente bem-vindo. Meu maior medo em ir desacompanhada aos lugares é ficar me sentindo isolada, não conseguir me integrar, isso porque sou muito tímida. Mas, nas vezes em que estive na loja nessa situação, sempre teve alguém para me convidar para jogar.

O EVENTO:

Além dos jogos, teve também uns comes e bebes.

Para comemorar seu primeiro ano de existência, a Game Of Boards fez um esquema de Play To Win. Foram mais de 10 mesas disponíveis com monitores para orientar e ajudar os jogadores. Ao término da partida, todos recebiam um cupom para se inscrever no sorteio daquele jogo específico. Eu participei como monitora dos jogos da editora Arcano Games, Anime Saga e Contária. Foi cansativo, mas também muito legal. Tive a oportunidade de interagir com bastante gente.

Mesa de Contária não parou. Nunca tinha explicado tantas vezes um mesmo jogo.

O único problema foram as filas de espera que acabaram ficando um pouco longas e confusas, pois era apenas um único responsável cuidando da lista para uma grande fluxo de pessoas. Muitas se inscreviam em várias mesas ao mesmo tempo, aí quando eram chamadas já estavam jogando outra coisa, fora que boa parte estava em grupos e queriam permanecer juntos.

Os jogos mais disputados me pareceram ser Dead Of Winter e Tail Feathers, dois títulos cujo tempo de partida eram maiores e não me pareceram muito adequados ao esquema Play To Win, no qual a galera quer jogar a maior quantidade de jogos possíveis para participar da maior quantidade de sorteios. Por mais que tenha ocorrido adaptação para encurtar a partida, ainda assim é bem complicado.

Dead Of Winter, uma das mesas mais disputadas.

Além dos sorteios do Play To Win, ainda rolou desconto de 12% em relação em compras a vista e parcelamento em até 12x para compras de qualquer valor. Eu achei um pouco fraco, nada que me estimulasse a abrir a carteira. Para não dizer que saímos de mãos vazias, compramos o Dr. Eureka, lançamento da Mandala Jogos que estávamos de olho desde que foi anunciado.

Nossos parabéns para toda equipe Game Of Boards. Que este tenha sido apenas o primeiro de muito outros anos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Eu curti muito a ideia do Play To Win e pretendo tentar algo na mesma linha em alguma edição futura do Guadalupeças. Eu gosto de promoções que façam as pessoas se envolverem com o hobby. Tenho pensado muito em formas de fazer ações nesse sentido, não apenas dar prêmios para encher evento ou aumentar inscritos e curtidas, mas que promovam interação.

Acho que mais importante do que aumentar os números é conseguir construir um relacionamento com quem consome o nosso conteúdo ou frequenta nosso evento. Eu fico bem feliz com cada comentário que recebo e cada vez que alguém vem falar pessoalmente comigo. Mesmo que, por vezes, eu não consiga demonstrar isso claramente, pois sou extremamente tímida.

Sempre que possível estamos presentes na jogatina de sexta-feira da Game Of Boards. Venha jogar com a gente! Estamos analisando a viabilidade de gravar algumas partidas que jogarmos lá para colocar no canal. É isso aí, mais do que assistir ao Turno Extra, talvez, em breve, seja possível também aparecer no canal.

Confira mais algumas fotos:

Mesa de Dead Men Tell No Tales.
Mesa de Bushido.
Ganhador do sorteio do Tail Feathers.

Confira também o vídeo que gravamos:

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Confira como foi o Guadalupeças 39

Domingo tivemos mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Neste mês contamos com o prazer da visita do pessoal da LudoTable, uma empresa especializada na fabricação de mesas para boardgames. Um dos principais destaques do produto oferecido por eles é o fato de ser facilmente desmontável. Nem todo mundo tem espaço para manter uma mesa montada permanentemente para jogar.

Então, tendo uma mesa da LudoTable, a pessoa pode deixá-la guardada e só montar quando realmente for necessário, naquela reunião de amigos de fim de semana ou feriado para acomodar aqueles jogos mais pesados da coleção. A LudoTable também faz trabalhos personalizados, de acordo com as necessidades individuais de cada cliente.

Querendo aquela mesa bacana para seus boardgames? Converse com o Antonio da LudoTable.
Mesas de qualidade para acomodar confortavelmente seus jogos.

Esta edição do evento foi um pouco mais tranquila que o habitual e por conta disso consegui fazer algo que não conseguia há algum tempo: experimentar jogos diferentes. É engraçado que, no mês passado, que a gente esperava uma diminuição de público, por conta da alteração de data, tivemos mais gente do que o esperado. Mas, talvez, isso ainda seja efeito da mudança, pois resultou em um intervalo de tempo menor entre as edições.

É muito legal quando a gente tem a oportunidade de experimentar jogos que não conhece, pois assim não rola nenhum tipo de julgamento prévio, diferente de um título “hypado” ou de um autor conhecido, que gera aquela expectativa que muitas vezes prejudica a experiência. Eu comecei o dia com World Without End, jogo de Michael Rieneck e Stefan Stadler, que adapta o segundo livro da série Kingsbridge do escritor Ken Follett. Todos os livros da série foram adaptados para o universo dos tabuleiros pelos mesmos designers e lançados pela editora alemã Kosmos. A arte de toda a série fica por conta de Michael Menzel, conhecido por seu belo trabalho em jogos como Legends Of Andor e Stone Age.

World Without End é um Euro médio cuja principal mecânica é o gerenciamento de mão. Todos os jogadores possuem as mesmas 12 cartas de ação e a cada rodada precisam escolher uma para jogar e outra para descartar. O que já provoca aquela angústia saudável que tanto me atrai nesse tipo de jogo. Além disso, durante o turno são abertas cartas de evento, elas concedem bônus para todos, porém o jogador da vez é que será o responsável por definir como isso será distribuído rotacionando a carta, então não é uma escolha livre. A carta de evento ainda possui uma terceira função, a forma como for posicionada irá definir também o quanto o jogador irá andar na trilha de benefícios na parte de baixo do tabuleiro.

Word Without End é um belíssimo trabalho em todos os sentidos.

Todas as mecânicas e regras são muito bem amarradas entre si gerando uma cadeia perfeita de ação-reação. Toda decisão envolve sacrificar algo, a correta avaliação para chegar ao equilíbrio entre perda e ganho é o caminho para vitória. É um jogo relativamente simples de entender o funcionamento, ele possui aquela elegância que nasce da simplicidade de combinações em perfeita sintonia. As cartas de evento adicionam um grau de aleatoriedade ao jogo, um fator importante para rejogabilidade. Elas são determinadas por sorteio na montagem do setup da partida. Porém, não chegam a prejudicar significativamente o planejamento do jogador.

World Without End se desenvolve ao longo de 4 turnos com 6 rodadas cada um, ao termino de cada um dos turnos é necessário realizar o pagamento de tributos: alimento, fé e impostos. Os dois primeiros possuem um valor fixo, o último, no entanto, é determinado no dado. Mais um fator sorte estrategicamente posicionado. Apesar de não ser um jogo com grande carga temática, o que não surpreende em se tratando de um Euro, achei que esses pontos tem uma identificação no tema. Ele é basicamente um jogo sobre sobreviver na Idade Média. O sabor do livro está nos eventos. Tem uma parte de peste negra que eu achei bem interessante e carrega também algum nível de incerteza. Outra parte legal do jogo são as construções que vão entrando aos poucos na partida de acordo com os eventos.

As cartas de evento gerenciam todo o andamento do jogo, concedendo e retirando oportunidades conformes são reveladas. Então, é um jogo que exige bastante capacidade de planejamento e antecipação, mas também exige capacidade de adaptação. Nem sempre uma estratégia que inicialmente parece boa vai permanecer assim ao longo da partida. É preciso manter em mente caminhos alternativos e reavaliar as opções constantemente.

Eu investi no caminho da medicina, mas quando a peste negra surgiu não se mostrou tão vantajosa. As casas afetadas são determinadas pelos eventos e aconteceu de sair muitos números repetidos, então não houve uma grande expansão, não possibilitando o uso ostensivo de ação de cura para obtenção de pontos e outros benefícios. Tive a sensação que a ação de construção foi a mais vantajosa, acho que todos os monumentos entraram em jogo.  Outras opções do tabuleiro era o comércio de lã/tecido e o aluguel de casas, não consegui fazer muito do primeiro, já o segundo foi um bom investimento, uma forma de garantia de renda fixa.

 

Quero jogar de novo. <3

Gostei demais de World Without End e fiquei bastante curiosa com os demais jogos da série já que são dos mesmos game designers, achei que a simplicidade das mecânicas e a forma como são tão eficientemente combinadas dão ao jogo uma elegância que verdadeiramente impressiona. É um jogo complexo nas possibilidades oferecidas sem impor uma barreira alta de entrada. Alguns dos Euros mais pesados que eu gosto acabam não sendo tão atrativos para novos jogadores por seu conjunto de conhecimento inicial requerido. Tantas regras para lembrar combinadas com muitas possibilidades estratégicas pode gerar um resultado altamente frustrante.

Angústia é algo que para mim faz parte do prazer de determinados tipos de jogos, porém a frustração é sempre um sentimento altamente indesejado, algo que leva a uma experiência negativa de jogo. A frustração de não conseguir compreender o processo lógico por trás de um determinado conjunto de regras ou a incapacidade de ação que essa falta de compreensão pode provocar, é aquela sensação de estar jogando de maneira aleatória sem saber conscientemente o que está fazendo.

Uma outra forma de experimentar frustração para mim é jogo com alto fator PvP e jogadores altamente competitivos ou que gostam de simplesmente prejudicar o amiguinho. Foi basicamente o que aconteceu com o segundo jogo do dia. Domaine, de Klaus Teuber, o famoso game designer de Catan, é um Cerco de Área com Gerenciamento de Mão.

Cada jogador começa posicionando seus 3 conjuntos de castelo e cavaleiro no tabuleiro. É importante tentar posicionar nas pontas e perto de minas, pois é desejável fechar uma área com minas o mais rápido possível para garantir mais facilmente a renda necessária para pagar o custo das cartas. É através delas que todas as ações são realizadas no jogo: colocar barreiras, cavaleiros, expandir território, fazer aliança e deserção. Na falta de dinheiro para baixar cartas, o jogador pode vendê-las, neste caso ela ficará aberta a disposição de um próximo  que queira comprá-la, normalmente a compra é feita no final da vez de um deck fechado.

Nem só de Catan vive Klaus Teuber.

Quando o jogador não consegue fechar um cerco rápido com mina para geração de renda, ele acaba ficando preso a vender cartas, o que acaba se tornando um círculo vicioso difícil de romper. O progresso da partida é determinado pelo avanço dos jogadores em seus cercos. A pontuação toda ocorre na hora de acordo com os elementos presentes no cerco fechado ou expandido, ao chegar ou ultrapassar 30 pontos a partida acaba.  O jogo é bem rápido, pois as ações se resumem a jogar uma carta ou vender uma carta. São apenas 3 cartas na mão e não há uma grande diversidade de ações para que ocorra muita dúvida sobre o que fazer.

O que pode gerar demora no turno dos jogadores é a análise da situação do tabuleiro, Domaine é um jogo que exige uma boa visão espacial, quanto mais avançada a partida, maior a quantidade de variáveis a serem analisadas: expandir território, trabalhar para fechar cerco, colocar cavaleiro para defender/atacar e a ação do desertor que muda o cavaleiro do oponente de lado.

Eu comecei levando um bloqueio logo no início da partida, eu estava trabalhando para fechar o primeiro cerco para garantir uma mina, mas tinha um castelo oponente perto de mim e ele me bloqueou totalmente. Foi uma ação muito desnecessária, faltou um certo fair-play, não tinha porque realizar um ataque tão direto. Meus outros castelos não estavam tão bem posicionados, então passei o restante do jogo travada sem conseguir fechar cerco e alternando automaticamente entre vender cartas para ganhar dinheiro e tentativas de ação para conseguir algum avanço na partida. Basicamente, eu mais assisti do que joguei.

Apesar disso, gostei de conhecer o jogo, ele é bem diferente do que estou acostumada a jogar. Foi bom conhecer um outro trabalho do Klaus Teuber, um game designer que acabou ficando marcado por um único jogo, o fenômeno Catan, considerado como um dos títulos fundamentais do boardgame moderno. Só não sei se jogaria novamente, talvez em uma mesa mais amigável.

Confira outros jogos que rolaram nesta edição do Guadalupeças:

O competitivo Star Wars Destiny, lançamento Galápagos Jogos.
O inusitado Cartas a Vapor, lançamento Potato Cat.
O popular Coup, lançamento Mandala Jogos.
O divertido Contra o Tempo, lançamento Grow.

Agradecemos a todos pela presença em mais uma edição do Guadalupeças   e espero reencontrar a todos no próximo mês. Estamos preparando uma ação especial relacionada ao Outubro Rosa, fiquem ligados aqui no blog e em nossas redes sociais para saber mais informações a respeito, assim como futuras possíveis novidades. Mais uma vez lembramos que somos um evento totalmente aberto a protótipos. Apenas pedimos, se possível, um contato prévio para que possamos divulgar com antecedência. Estamos abertos também a propostas para realização de eventos especiais de editoras e game designers, basta entrar em contato para analisarmos a viabilidade. Assim como eventos temáticos, qualquer frequentador pode deixar a sua sugestão. A partir da próxima edição, teremos uma caixinha para facilitar o nosso processo de comunicação com o público.

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Guadalupeças 39: o que teremos por lá?

Neste domingo, dia 17 de setembro, é dia de mais um Encontro de Games: Guadalupeças, no Shopping Jardim Guadalupe. Após a agitação do Diversão Offline 2017, e de uma edição fora de nossa data normal, voltamos ao terceiro domingo do mês, para trazer mais diversão e jogos de tabuleiro para você, visitante. Mas o que teremos por lá nesta data?

O evento ocorre no Espaço Games, dentro do Shopping Jardim Guadalupe

Para a edição 39 do evento, nos concentramos em oferecer uma experiência mais voltada para “jogo na mesa”, com poucos convidados e mesas especiais. Isso tem dois motivos: 1) Estamos concentrados em organizar a edição de outubro, que promete ser temática de um jeito especial e 2) Queremos promover alguns jogos em específico, para que você tenha uma tarde inesquecível dentro do evento.

Mas, afinal, o que você vai encontrar no Encontro de Games: 39º Guadalupeças?

Convidado especial: LudoTable

A LudoTable é uma empresa especializada em produzir mesas voltadas para jogos de tabuleiro. Eles fazem sob medida e prontas para seu espaço. As mesas são modulares e apresentam até mesmo modelos que se transformam em móveis para o jantar, com espaço para copos e tampão reversível.

LudoTable demonstrará sua mesa no evento

Neste Guadalupeças eles estarão presentes e você vai poder jogar em uma das mesas feitas para este objetivo, com centro forrado e espaço para componentes nas beiradas. Como eles vendem por encomenda, será fácil falar com um dos sócios para garantir a sua, se desejar, e receber em casa, em data posterior ao evento!

Mesa especial: Star Wars Destiny

O jogo Star Wars Destiny é a estrela deste mês no Guadalupeças. Se você quer aprender como se joga e os principais truques, saiba que o evento é o local certo para isso.

Star Wars Destiny terá mesa fixa no evento

Controle um dos lados na luta pelo futuro da galáxia e seja o líder nas forças esmagadoras do Império ou Primeira Ordem… Ou no papel da esperança com a Rebelião e a Resistência. O game de cartas e dados tem mecânicas inovadoras e é altamente viciante.

Mesa especial: Game of Thrones Trivia Game

Acha que é um especialista em Game of Thrones? Então venha testar seus conhecimentos no Guadalupeças! Em parceria com a loja Game of Boards, estaremos com uma mesa especial do divertido jogo de perguntas e respostas sobre o seriado da HBO.

Venha testar seus conhecimentos em Game of Thrones

O jogo é para até quatro jogadores e as partidas são bem rápidas. Chegue cedo para aproveitar! Vale o aviso: este game está apenas em inglês e requer certo conhecimento no idioma para aproveitar.

Novos jogos

No Guadalupeças você também aproveitará novos jogos no catálogo do evento, incluindo lançamentos recentes do mercado: Dwar7s Outono com expansões, Vale dos Mercadores, Arte Moderna, Bushido, Taverna, entre outros! Além deles, você também contará com boa parte do nosso acervo já conhecido. Os convidados também são livres para trazer seus próprios jogos!

Dwar7s Outono, um dos novos jogos do evento

Como chegar? Onde é?

O Encontro de Games: Guadalupeças é gratuito! Ficamos no primeiro piso do Shopping Jardim Guadalupe (Av. Brasil, 22155), no Espaço Games, ao lado do Rei do Mate, entre 14h e 20h! Para a próxima edição, estamos preparando grandes surpresas, incluindo uma estreia no evento. Venha neste mês para saber o que é!

Ficamos no Shopping Jardim Guadalupe. Fácil de chegar!
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Como foi o 38º Guadalupeças

Excepcionalmente em agosto, o Guadalupeças ocorreu no quarto domingo, em virtude do Diversão Offline. Por esse motivo, esperávamos uma edição mais vazia do que o habitual. E realmente, sentimos a ausência de várias pessoas que costumam estar mensalmente com a gente. Porém, apesar disso, tivemos um bom público. Várias pessoas que conheceram o evento por serem frequentadoras do shopping marcaram presença. Algumas já nos seguem nas redes sociais e viram o aviso sobre a mudança de data.

Bom público, apesar da alteração excepcional de data

Nesta edição do evento praticamente só levamos os jogos adquiridos e recebidos mais recentemente. Os títulos gentilmente doados pela Grow ao nosso acervo fizeram bastante sucesso, como já era esperado, tendo em vista que temos um crescente número de participantes que estão conhecendo agora os jogos modernos, além de pais com crianças e famílias em geral.

Galera se divertindo com Pictopia Disney.

Outro título que fez bastante sucesso foi Attack On Titan: The Last Stand. O jogo tem agradado bastante em todas as mesas pelas quais têm passado. É um cooperativo com overlord bem simples, porém com um detalhe de assimetria interessante. O jogador que controla o titã utiliza a mecânica de hand management, enquanto os demais que assumem o papel dos personagens do anime que lutam contra sua ameaça utilizam as mecânicas de dice rolling e press your luck. As partidas são bem rápidas. Sinto que vai ser muito jogado pelos próximos meses.

Potencial para se tornar um dos jogos mais jogados do evento nos próximos meses.

O Guadalupeças é um evento que não apenas acolhe os jogos nacionais, sejam eles protótipos ou já lançados, como também incentiva para eles sejam jogados. Portanto, tivemos mais uma edição em que a grande maioria de tudo o que foi jogado era de autores brasileiros. Legal é que cada vez mais isso vem acontecendo naturalmente. Contamos com a presença de 3 mesas de protótipo: Ira das Lendas, Sereias e Grasse. Todos são muito bem-vindos a apresentar livremente seus jogos no evento, só pedimos se possível para sermos avisados antes, por questões de logística e até para realizar a divulgação.

Ira das Lendas.
Sereias.
Grasse.

Além disso, tivemos também mesas de Bushido e Unfairy, dois dos jogos recém-lançados pelo sistema de print on demand da Game Maker, que estavam a venda no Diversão Offline. Tivemos mesas de Piratas e Por Favor! Não Corte Minha Cabeça, ambos da editora Geek N Orcs. Tendo o último o atrativo adicional da bela arte de Vitor Caffagi, mais conhecido por seu trabalho em MSP Turma da Mônica.

Bushido.
Por Favor! Não Cortem Minha Cabeça.

Confira mais alguns jogos que rolaram na edição de agosto do Guadalupeças:

Bohnanza – Papergames
Dwar7s Outono – Mandala Jogos.
Anime Saga – Arcano Games.

Obrigada a todos que estiveram presente a mais uma edição do Guadalupeças, espero poder rever a todos na edição de setembro, que volta a ser realizada terceiro domingo do mês. Nos acompanhe em nossas redes sociais para ficar sabendo antecipadamente o que esperar do evento, seja novos títulos disponíveis no catálogo ou protótipos que participarão. Se você gostaria de playtestar seu jogo com a gente entre em contato para divulgarmos com antecedência. Todos os jogos disponíveis no Guadalupeças, e que foram lançados no Brasil, você pode adquirir na Game Of Boards, a casa do jogador de boardgame no RJ.

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Principais destaques do Diversão Offline 2017

Nos dias 19 e 20 de agosto, a atenção dos fãs de jogos analógicos de todo país estava voltada para o Rio de Janeiro, mais especificamente para o Centro de Convenções SulAmérica, local que recebeu a terceira edição do Diversão Offline, a primeira a contar com dois dias de duração. Tendo se estabelecido como o maior evento do Brasil voltado ao nosso hobby, o Diversão Offline contou com um público de cerca de 3 mil pessoas circulando pelos 27 estandes disponíveis no evento, segundo informações da organização. Além dos estandes, o público pode desfrutar ainda de uma grande área de protótipos, sala de cardgame e sala de palestras. A oferta de opções dentro da programação foi extensa e diversificada para agradar aos gostos mais variados.

ÁREA DE PROTÓTIPOS

A melhor e mais bem organizada de todas as edições já realizadas do Diversão Offline. Foi um dos pontos que mais evoluiu e merece amplos elogios, com certeza um dos maiores acertos da organização do evento. A parceria com o Catarse proporcionou um nível de profissionalismo até então inédito ao espaço.

Pela primeira vez, houve uma competição entre os jogos participantes da área de protótipos, com premiação pelo próprio Catarse de R$1000,00 iniciais na campanha de financiamento coletivo que seja realizada através da plataforma e R$500 de crédito na Game Maker para confecção de um protótipo bacana para ajudar no processo de divulgação. O vencedor foi escolhido através de votação popular.

O grande vencedor foi Sobrevivência na Amazônia.

A área de protótipo ficou localizada bem na entrada do evento, sendo uma das primeiras coisas que o público via logo ao entrar no Diversão Offline. O espaço ficou bastante movimentado durante os dois dias de evento. No flyer entregue a todos na entrada havia uma lista dos jogos disponíveis na área de protótipos com uma breve descrição, informação que também estava acessível através do site do evento. Eu achei isso muito positivo, pois já ajudava de uma maneira simples a despertar um interesse inicial.

Algo que me chamou atenção nesta edição do Diversão Offline foi a participação de game designers de outros estados, o que promoveu uma espécie de vitrine do que está sendo desenvolvido pelo Brasil. É difícil para novos game designers circularem seus protótipos fora de seus estados de origem, então o conhecimento do que está sendo produzido acaba ficando muito restrito localmente. O máximo de informação que conseguimos acaba sendo através de fotos e publicações na internet. Alguns utilizam ferramentas como tabletopia ou tabletop simulator para promover o acesso a jogadores distantes, porém a experiência digital não se compara a poder ter a experiência do jogo fisicamente na mesa.

Éderson Ayres veio de RS apresentar o Teseu.
Tabuleiro em MDF chamou atenção e despertou bastante interesse.

Espero que a cada nova edição do Diversão Offline a área de protótipo continue a melhorar cada vez mais, atraindo a participação de novos game designers de todo Brasil para que haja troca de conhecimento e experiência, diversificação de público de playteste e contato com editoras e demais profissionais da área, ampliando assim significativamente os horizontes. É um ganho para todos os envolvidos. Talvez vejamos nos próximos anos um fluxo estabelecido de jogos que passaram pela área de protótipo do Diversão Offline sendo lançados pelas editoras.

Sereias foi outro protótipo muito bem comentado.

EDITORAS

A disposição dos estandes das editoras ficou bem próxima daquela que já havia sido utilizada na edição passada do evento, o que mudou foi o aumento na quantidade de participantes, praticamente todas as editoras vieram ao Diversão Offline deste ano. Apenas a Devir (como sempre) e a Papergames ficaram de fora. Entre as que vieram pela primeira vez ao evento, acho que vale destacar a presença da Grow e da Mitra. Apesar de muito diferentes, as duas editoras possuem bastante história e contribuem para diversificar o mercado.

A Grow é alvo de constantes reclamações em razão de sua suposta falta de atenção aos jogos modernos, só tendo se voltado mais recentemente ao segmento, tentando se recuperar do atraso trazendo títulos de prestígio como Puerto Rico, Istambul e Castle Of Burgundy. Não cito aqui Catan por ver seu lançamento como parte de um momento anterior, um primeiro passo ainda tímido.

O investimento da Grow em jogos modernos tem se concentrado em títulos consagrados.

Muito se critica a Grow por ainda investir no lançamento das mais diversas variações de War, porém como foi explicado por Valdney Rocha, gerente de promoções e eventos da empresa, é um produto que possui uma enorme demanda por parte do público. Com foco no jogador casual, a escolha de títulos sempre leva em consideração a recepção desse público. Porém, apesar de mais lento do que o desejado, é visível que a Grow tem feito um esforço para atender a demanda por uma atualização e diversificação de seu catálogo, porém sem abandonar a sua base de consumidores casuais. Não é um processo fácil de conciliação.

Confira a entrevista com a Grow no nosso canal no Youtube.

Já o caso da Mitra é interessante por ser uma editora com foco mais pedagógico, por isso a base de seu catálogo consiste em jogos clássicos milenares. Considero que o conhecimento de tais jogos é fundamental para todos que gostam de jogos de tabuleiro, pois é onde encontramos a origem do que temos nos tão amados jogos modernos. Na Enciclopédia de Jogos, a principal linha da editora, encontramos os jogos mais relevantes dos mais diferentes países ao longo da história. Uma verdadeira aula.

Os jogos clássicos estavam muito bem representados pela Mitra.

O processo de confecção dos jogos é bastante artesanal, eles são produzidos todos em MDF. Isso gera um gargalo que impede realização de produção em grande escala. Porém, devido ao seu público-alvo ser restrito não resulta em um problema significativo. Apesar de que eu realmente gostaria de encontrar os jogos da Mitra mais facilmente. Parte da questão foi resolvida com recente lançamento da loja online, mas eu gosto mesmo é de comprar jogos em loja física.

Todos os jogos da Mitra possuem um belo trabalho artesanal em MDF.

O estande da Mitra ficou muito bacana, eles trouxeram a linha de jogos gigantes, o que serviu para chamar a atenção do público e atraí-los ao estande para conhecer outros títulos. O jogo mais comentado e jogado do Diversão Offline foi o Jenga gigante, a cada queda era uma enorme comoção ouvida por todos os presentes no Mezanino. O estande ficou bastante movimentado durante os dois dias de evento. A grande procura do público surpreendeu os donos da editora que não esperavam despertar tamanho interesse entre fãs de jogos modernos.

Tensão a cada retirada de peça. Sempre tinha gente parada assistindo com expectativa.

Outra editora estreante no Diversão Offline e que se destacou bastante foi a Game Maker. Na edição passada do evento, eles ainda nem existiam. Enxergando uma lacuna no mercado, eles surgiram, como uma startup dentro de uma grande gráfica, com a proposta de solução rápida, fácil e de qualidade para confecção de Protótipos e PNP, rapidamente se tornando uma referência no segmento e estabelecendo um padrão. Tamanho sucesso levou a Game Maker a se lançar no serviço de Print On Demand, que foi o grande destaque de seu estande.

A Game Maker disponibilizou em seu estande os jogos produzidos através do novo serviço. sendo ensinados pelos seus próprios game designers, para serem jogados pelo público. Todos os jogos estavam a venda no estande, então os jogadores tinham a possibilidade de conhecer o jogo e já levar uma cópia dele autografada para casa.

Guilherme Marques, autor do Unfairy, apresentado seu jogo.

Como se isso já não fosse suficiente para levar a Game Maker a ganhar o merecido destaque, todos os jogos estavam em mesas da LudoTable, que produz mesas especialmente pensadas para atender as especificidades dos jogadores de jogos analógicos. A empresa que também é nova no mercado surgiu igualmente para atender uma demanda.

Mesas pensadas para tornar as jogatinas mais confortáveis.

Game Maker e LudoTable são uma mostra do quanto o nosso mercado está aquecido e acelerado, duas empresas que surgiram e tem crescido movidas pelas necessidades demonstrada pelo público, oferecendo soluções que são complementares a atividade principal que é a publicação de jogos.

O jogos nacionais tiveram um amplo destaque nesta edição do Diversão Offline, outra editora que também organizou uma agenda para oferecer a possibilidade de conhecer jogos diretamente com o game designer foi a Redbox Editora. Eles disponibilizaram a programação em um grande adesivo colado na lateral do estande. A editora carioca tem aumentado consideravelmente seu investimento no lançamento de jogos de autores brasileiros.

Leandro Pires apresentando Tsukiji, próximo na lista de lançamentos nacionais da Redbox Editora.

Outro estande que era parada obrigatória para os apreciadores do game designer nacional foi o estande da Ace Studios, onde era possível conhecer vários futuros lançamentos da editora. O espaço foi divido com a Ludeka que abriu espaço para os autores do Grasse, um Euro bem bacana sobre criação e comercialização de perfumes com mecânicas de work placement e mancala. No estande da Legion logo ao lado ainda era possível encontrar o pessoal da Potato Cat para jogar Cartas a Vapor e Café Express.

Wu Xing, novo jogo de Romulo Marques.
Vanessa Hellen, uma das figuras femininas mais importantes do boardgame nacional, conhecendo o Grasse.
Sergio Halaban, o maior nome do game design nacional, conhecendo o Café Express.

Outra editora que se destacou nesta edição do Diversão Offline foi a Galápagos Jogos, que desta vez ocupou uma sala inteira do Mezanino, disponibilizando seus próximos lançamentos para o público poder conhecer em primeira mão. Foi uma participação que enfim fez jus ao porte da empresa, já que a participação anterior tinha deixado bastante a desejar. Foram dois dias de revelações de novos títulos. Uma coisa legal que eles fizeram foi proibir a entrada de celulares na sala, todos tinham que ser deixados em sacos lacrados na entrada, pois a editora não queria que imagens dos lançamentos fossem publicadas antes dos anúncios oficiais. Porém, isso resultou também em jogadores muito mais atentos a explicação das regras dos jogos, facilitando assim bastante o trabalho da equipe de monitoria, segundo relatos do próprio pessoal que trabalhou lá.

Única foto possível com a Galápagos Jogos. O sempre simpático Gabriel Caropreso.

Esta foi a edição com o maior equilíbrio de atrações entre o Mezanino e o Térreo, a presença da Galápagos Jogos ajudou bastante para que isso ocorresse, já que todas as outras grandes editoras estavam agrupadas no Térreo. Já é padrão que os estandes principais fiquem na parte de baixo, deixando o piso superior para estandes de editoras e outras empresas pequenas, o que acaba levando a um menor circulação de público. Porém, nesta edição a presença da Galápagos Jogos aliado ao bom trabalho da Game Maker e da Mitra mantiveram um fluxo bastante satisfatório de pessoas.

ATRAÇÕES INTERNACIONAIS

Dois dias de evento nos possibilitou nesta edição do Diversão Offline também duas atrações internacionais: Robert Schwalb, autor do RPG Shadow Of The Demon Lord, lançado no Brasil pela Pensamento Coletivo, e François Rouzé, autor do boardgame Room-25, lançado no Brasil pela Conclave Editora. As edições anteriores contaram apenas com uma atração internacional, na primeira edição tivemos Christopher Boilinger, autor de Dungeon Twister Card Game, também lançado pela Conclave Editora, e no segundo ano tivemos John Wick, autor do RPG 7th Sea, lançado pela New Order Editora. Assim sendo, nas duas edições anteriores, apenas um grupo foi atendido. Agora foi diferente, com fãs de RPG e de boardgame sendo atendidos igualmente.

Apesar de não jogar RPG, fiz questão de bater uma foto com o Robert Schwalb. Foi um privilégio ter tido a oportunidade de trabalhar na revisão do Shadow Of The Demon Lord.

Espero que em edições futuras tenhamos cada vez mais atrações internacionais. Imagino que não deva ser fácil trazer autores estrangeiros para cá, sendo preciso um esforço conjunto da organização do evento e da editora responsável pela publicação do jogo no Brasil. Porém, é um diferencial significativo ao conceder ao público uma oportunidade única de conhecer pessoalmente grandes nomes do nosso segmento. O bacana é que o contato com eles em todas as edições têm sido bastante tranquilo, sendo possível encontrá-los pelos corredores, bater foto, trocar ideia e até mesmo jogar com eles.

Uma oportunidade única de jogar com o próprio François Rouzé.

ORGANIZAÇÃO DO EVENTO

A organização do Diversão Offline está mais uma vez de parabéns, sempre muito solícitos com todos que os procuravam, era bem fácil encontrá-los pelos corredores. A estrutura do evento funcionou perfeitamente, sendo o único problema registrado mais culpa do local que abrigou o evento do que da organização, que foi a questão da comida, que mais uma vez trouxe aborrecimento. Infelizmente, o Centro de Convenções SulAmérica insiste em dificultar ao máximo o acesso de empresas de fora que forneçam alimentação, para privilegiar os estabelecimentos já existentes no local. Todavia a falta de concorrência leva a um serviço caro e de má qualidade.

Foi anunciado que a próxima edição do Diversão Offline ocorrerá nos dias 10 e 11 de março em São Paulo, o que me gerou bastante preocupação, para dizer o mínimo, pois por mais que a organização insista em afirmar que a edição carioca do evento continuará ocorrendo normalmente no mês de agosto. Entretanto, esse é um filme que já vimos antes e é impossível evitar a sensação de deja vu em virtude do trauma causado pelo caso da Brasil Game Show. Sabemos que a edição paulista do evento será muito maior do que a nossa, pois lá tem muito mais público e uma facilidade bem maior de infraestrutura. Por mais triste que seja admitir, entendemos os desafios de fazer um evento de grande porte no Rio de Janeiro. Porém, esperamos que a organização do Diversão Offline não esqueça de nós e mantenha uma edição aqui conforme prometido.

CONCLUSÃO

Eu fui em todas as três edições do Diversão Offline, sempre fazendo a cobertura do evento para o Turno Extra. Talvez, por isso, acho que prestei mais atenção em detalhes que o público geral deixa passar mais batido. O evento evoluiu bastante, principalmente da primeira para segunda edição, vi esta terceira como um aprofundamento dessa evolução, um Diversão Offline mais profissional.

A área de protótipos ampliada e com o merecido destaque, foi um acerto muito grande a parceria com o Catarse. A ideia da promoção do concurso foi ótima, só acho que talvez em próximas edições seria interessante aliar um juri técnico a votação popular. Também acho que game designers com jogos já publicados não deveriam competir com os game designers novatos, uma solução poderia ser a divisão em duas categorias.

Organizadores: Alexandre, Allan e Fernanda

Ainda dentro da questão de protótipos e novos game designers, acho que o evento poderia investir em oficinas nos quais certas questões poderiam ser tratadas de maneira mais prática. Seria incrível algo em que as pessoas pudessem desenvolver seus jogos durante o evento com a mentoria de game designers experientes.

As palestras em geral são muito boas, mas acho que o evento deveria investir em diversificar, incluindo experiências mais praticas para o público. Uma oficina sobre criação de jogos seria interessante até mesmo para quem é apenas jogador. Poderia haver até a descoberta de talentos escondidos. Poderia haver opções livres, abertas a qualquer pessoa, e opções com pré-inscrição para questões mais especializadas.

O aumento na participação de editoras é muito positivo e o esforço de trazer uma experiência diferente para o público como a Galápagos Jogos fez, porque sentar jogar qualquer evento mensal já proporciona. Os estandes precisam oferecer algo único no evento, a possibilidade de jogar futuros lançamentos é um bom atrativo, mas há espaço para fazer mais ou fazer de uma maneira diferente.

Em feiras internacionais é muito comum vermos versões gigantes de jogos populares, a organização chegou a comentar que isso foi tentado para essa edição sem sucesso. É um tipo de atração que agrega um diferencial ao evento e atrai o público, principalmente o mais casual. Se ainda havia alguma dúvida quanto isso, o sucesso do Jenga gigante da Mitra fechou a questão. Talvez seja necessário uma parceria mais estreita com as editoras para viabilização.

Outra coisa comum nas grandes feiras internacionais são aquelas mesas gigantes de cenários, mais comumente Warhammer 40k. Seria muito legal algo nesse sentido no Diversão Offline e ainda poderia ser algo para unir tanto jogadores de boardgame quanto de RPG, pois ambos os grupos fazem utilização de cenários customizados em alguma medida. Talvez trazer alguém de Wargame. Poderia ter até alguma oficina relacionada ao assunto. Para ensinar aos interessados dicas de pinturas de miniaturas, por exemplo.

Essas foram apenas algumas ideias de coisas que poderiam ser feitas para dar ao público experiências novas e garantir cada vez mais o crescimento do evento. O Diversão Offline teve um bom desenvolvimento ao longo de suas três edições, porém é necessário estar atento para pensar sempre em novidades e não acabar estagnado, se sentido confortável com o sucesso alcançado.

Infelizmente, não foi possível comentar sobre tudo o que rolou no Diversão Offline 2017, portanto foquei apenas nos pontos que mais me chamaram atenção. Porém, conforme o prometido, o Turno Extra promoveu a maior cobertura realizada do evento. Acesse nosso canal no Youtube e assista nossos vídeos – são mais de 20. Muito conteúdo pensado para trazer o máximo de informação para todos que nos acompanham.

Então é isso. Acabou. Até o ano que vem! 🙂
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Neste domingo tem: Encontro de Games: 38º Guadalupeças; saiba as novidades

No próximo domingo, dia 27, a partir das 14h, teremos o Encontro de Games: 38º Guadalupeças, mais uma edição do evento organizado pelo Turno Extra. Nele você vai poder conferir novidades do mercado, jogar com amigos antigos ou novos amigos, conversar com autores e se reunir em um espaço exclusivamente dedicado aos jogos, dentro do Shopping Jardim Guadalupe. A entrada é gratuita! Vamos às novidades desta edição:

Novos jogos

Nesta edição teremos um “UP” no nosso acervo. Além de jogos que compramos no Diversão Offline 2017, teremos ainda alguns títulos enviados por editoras, como a Mandala Jogos com seu Dwar7es Outuno e Taverna, além de Fields of Green, da Flick Game Studio. Uma das principais novidades, porém, fica a cargo de Attack on Titan The Last Stand, de Antoine Bauza, que chegou em nosso acervo nesta semana.

Protótipos

Nesta edição temos pelo menos dois protótipos confirmados: o primeiro deles é Grasse, de Bianca Melyna e Moisés Pacheco. Os dois designers são de fora do Rio de Janeiro, mas deixaram seu jogo emprestado conosco, em forma de protótipo, para testar nos eventos e no canal. O game é no estilo “euro” e a temática envolve a produção de perfumes. Curioso, não? É só chegar e conferir!

O outro protótipo presente será o Ira das lendas, um jogo com temática do folclore brasileiro no estilo ameritrash. Este jogo também esteve no Diversão Offline e seus autores estarão presentes, para explicar as regras e interagir com o público.

É possível que mais autores apareçam com seus jogos, mas ainda não recebemos confirmações.

Artes

O artista Renan Oliveira retornará ao evento para demonstrar suas artes de escultura e pintura. São itens ideias para quem joga RPG ou quer decorar a casa com miniaturas de boardgames em cenários adequados. Ele já veio na última edição e trará novas peças.

Mesa Game of Boards

Nossos apoiadores, a loja Game of Boards terá uma mesa com um jogo especial dela, do acervo da própria loja, que você poderá conhecer para depois comprar. Teremos uma pequena “tenda de jogos” no local. Se curtir alguma coisa, já pode sair de lá com um joguinho novo! Títulos ainda a confirmar.

Jogos para crianças (e todas as idades!)

Por fim, mas não menos importante, teremos ainda a estreia de alguns jogos da GROW, famosa editora brasileira, especializada em jogos clássicos. Os novos games adicionados ao catálogo são voltados para um público mais infanto-juvenil, mas podem ser jogados por pessoas de todas as idades. Porém, se você tiver filhos ou filhas, traga-os que teremos ótimas opções para que eles se divirtam!

Isso tudo, claro, somado ao nosso crescente acervo de jogos e os monitores, que explicarão regras e te darão atenção necessária, ao longo do evento. O Guadalupeças é realizado no primeiro piso do Shopping, no Espaço Games, ao lado do Rei do Mate. O Shopping Jardim Guadalupe fica na Avenida Brasil, 22155, bem próximo do Metrô Coelho Neto, das 14h às 20h!

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