Análise: Anime Saga

Já escrevi mais de uma vez por aqui sobre o quanto o Anime Saga, novo jogo do Michael Alves, lançado pela Arcano Games, me agradou. Tanto é assim que acredito que o Turno Extra deva ser o canal com a maior quantidade de conteúdo sobre ele, todos os vídeos estarão devidamente linkados no final deste post. Acho que vou até fazer uma playlist só do Anime Saga lá no canal. Isso sem contar com os textos que já rolaram  por aqui e que o mencionam de alguma forma. Só faltava mesmo a resenha completa, como a que apresento agora.

Setup montado para três jogadores.

Porém, eu não gostei tanto do jogo apenas pela sua temática, ela apenas serviu para despertar o meu interesse. Temas atrativos e arte bonita servem apenas para atrair o jogador, mas o que segura um jogo na coleção e o faz ver mesa constantemente é uma boa combinação de mecânicas, amarradas por regras consistentes.

Mais do um que algumas cartas bonitas e um tema inusitado.

O Anime Saga é um jogo de cartas que utiliza como temática as famosas animações japonesas. Os jogadores são heróis de um mesmo grupo de aventureiros e lutam contra cartas de desafio e inimigo com o objetivo de ganhar pontos de fama para se tornar o protagonista do anime no término da partida.

Dificilmente, um único jogador vai conseguir vencer sozinho uma carta de desafio ou desafio. Assim sendo, o jogo passa um certo clima cooperativo, reforçado pelo fato de não haver combate direto entre os jogadores. Porém, isso não significa ausência de interação. Ela só ocorre de maneira mais indireta, através do sistema compra e devolução de cartas que será detalhando mais a frente neste texto. 

Um sistema de Card Drafting que mantém todas as cartas em jogo.

O Anime Saga não é um jogo com a proposta de emulação fiel do tema através de sua mecânicas. É possível observar o funcionamento do jogo com um abstrato e me parece que seria relativamente fácil encaixar diferentes temas. Ele funciona através de uma mistura singular de Card Drafting com Hand Management e Set Collection. Porém, isso não significa que o tema está “colado com cuspe”.

O jogo representa bem o tema através do ótimo trabalho com os personagens, cada um deles inspirado em um esteriótipo clássico e com poderes e habilidades condizentes. Um detalhe interessante é que a combinação de personagens é o que faz o equilíbrio do jogo, assim sendo não existe aquele personagem reconhecidamente mais forte. Isso vai variar de acordo com as escolhas feitas pelos demais jogadores. O jogo possui um total de 10 personagens, o que garante bastante variabilidade.

Fichas de personagens do jogo.
Olá, Saber! (Famosa personagem da franquia Fate)

O fato de “forçar” os jogadores a trabalharem juntos para superarem os desafios e vilões e não permitir que haja ataque direto entre os jogadores também é bastante temático, já que estamos falando de um grupo que está em uma aventura junto para enfrentar um mesmo inimigo comum.Os personagens seriam amigos, apesar de cada um desejar alcançar maior fama que os demais. Os animes em geral funcionam muito com o esquema grupo de heróis, mesmo existindo um protagonista. No Japão, a coletividade é muito valorizada em detrimento a individualidade.

Outros pontos que reforçam o tema são as cartas em geral com artes inspiradas em diversos animes e as cartas do tipo Fama, que homenageiam os chamados episódios “fillers” presentes em praticamente todo anime. A nomeação dos locais de posicionamento das cartas também foi uma boa sacada: Episódio Atual, Próximo Episódio e Spoiler. Sempre após um episódio de anime são exibidas algumas cenas do próximo. O Spoiler é porque é algo que acontece com qualquer tipo de programa cuja exibição ocorre em episódios. Isso é reforçado nos animes, pois em geral são baseados em material pré-existente, seja mangás ou light novels, então sempre tem muito comentário sobre coisas que ocorrerão bem mais a frente, seja pela fidelidade ou justamente o contrário.

Os famosos “fillers” não foram esquecidos.
Como jogar:

Após cada jogador receber seu personagem, ele vai escolher suas habilidades iniciais de acordo com a pontuação disponível, que é variável de um personagem para o outro. As demais habilidade restantes podem ser destravadas ao longo do partida. É bem comum que ao término quase todas tenham sido ativadas.

Possíveis escolhas de cartas de habilidades para iniciar a partida.

O que determina a duração da partida é o deck montado a partir da combinação de cartas de desafio e vilão, o tamanho irá variar de acordo com a quantidade de jogadores. As cartas sempre serão posicionadas de maneira intercalada e a última será um Senhor das Trevas, que é o chefão final do jogo. Os jogadores só podem enfrentar as cartas do Episódio Atual, as demais abertas servem apenas para que os jogadores saibam o que enfrentaram mais adiante e possam se preparar.

Todas as cartas de Desafio disponíveis no jogo.
Todas as cartas de Inimigos disponíveis no jogo.
Todos os Senhores das Trevas disponíveis no jogo.

Os jogadores começam com uma mão inicial de quatro cartas, podendo chegar a um limite de até dez cartas. As demais cartas são distribuídas aleatoriamente pelos cinco espaços indicados no tabuleiro formando as pilhas de compras, a parte mais interessante do jogo.

Todas as cartas de ação disponíveis no jogo.

Na sua vez, o jogador deve escolher uma das quatro ações possíveis no jogo: Recuperar vida, Comprar cartas, Contribuir para Desafio ou Enfrentar Inimigo e Realizar ação de cartas. Todas as ações são realizadas de maneira bem simples fazendo com que o jogo tem um downtime bem baixo. Isso porque também é difícil ficar em dúvida sobre o que fazer.

A prioridade é sempre os Desafios e Inimigos, então os jogadores compram cartas para isso. Realizar uma ação de cartas ocorre quando no processo de compras acabasse montando o Set Collection, o momento da utilização vai do andamento da partida. Por exemplo: O jogador não vai usar cura se estiver com a vida cheia, então vai ser melhor guardar as cartas para utilizar em um momento de maior necessidade. O Recuperar vida é uma ação quase não usada, pois recupera apenas um de vida, porém é ação obrigatória quando a vida do personagem é zerada. Anime Saga não possui eliminação de jogadores.

Detalhamento das ações:

Comprar cartas: O jogador deve escolher umas das cinco pilhas disponíveis e pegar todas as cartas nela presente para si. Todas as cartas de ação estão sempre em jogo o tempo todo, seja nas pilhas ou na mão dos jogadores. Elas ficam em constante circulação, pois ao serem utilizadas são devolvidas as pilhas novamente. Começando a distribuição sempre pela pilha com a menor quantidade. Caso haja empate, então o jogador escolhe em qual delas a carta será posicionada. Sendo um jogo no qual uma das mecânicas principais é o Set Collection, para mim esse sistema de Card Drafting se torna o coração estratégico do Anime Saga. O que eu acho muito legal nele também é que nunca tinha visto nada assim em nenhum outro jogo, se não for algo inédito, ao menos é algo pouco usado. Isso para mim conta alguns pontos favoráveis, eu gosto bastante de novas formas de implementação de mecânicas.

O sistema de compra e devolução de cartas é o grande destaque na mecânica do jogo.

Enfrentar Desafios: Para enfrentar tal tipo de carta, os jogadores utilizam cartas que possuam os Atributos solicitados. Existem quatro tipos possíveis e a carta sempre exigirá uma combinação de dois deles. O jogador pontua pela quantidade de cartas jogadas e o progresso no cumprimento do Desafio é marcado em uma carta específica para esse fim. Todo Desafio vem ainda com um Requisito a ser cumprido para evitar um efeito negativo, sendo a combinação de cartas dos tipos exigidos.

Exemplo de jogada para contribuir para um Desafio.
Controlando o avanço no Desafio.

Enfrentar Inimigos: Para enfrentar tal tipo de carta, os jogadores utilizam seus poderes de ataque acrescidos de quaisquer bonificações concedidas por cartas de habilidade, valor rolado no dado e cartas do tipo Combate que forem jogadas. O jogador pontua de acordo com o dano que infringiu efetivamente no inimigo, descontado o valor de defesa fixo que ele possui. Após isso, será a vez do jogador ser atacado. Todavia, o valor de ataque do inimigo, assim como a defesa, é fixo. O jogador tem bonificações também na defesa, além de seu valor fixo, que advém de cartas de habilidade ativas e valor rolado no dado. Assim como nas cartas de Desafio, aqui também temos a exigência de cumprimento de Requisito para evitar Efeito Negativo, porém aqui o solicitado são os Atributos das cartas.

Exemplo de combate com Inimigo.

Realizar ação de cartas: O jogador deve baixar cartas de um mesmo tipo, porém de Atributos (cores) diferentes. Através dessa ação é possível: ganhar pontos de fama, curar e destrancar novas habilidades. Só é permitido realizar uma dessas ações por vez. Quanto mais cartas utilizadas (até o limite de quatro), melhor será o efeito. As cartas de Combate funcionam pela mesma regra de Set Collection, porém são utilizadas na ação de Enfrentar Inimigos.

Exemplo de jogada para utilização de ação de Cura com Set Collection completo.

A diferença entre os conceitos de Tipo e Atributo podem parecer um pouco confusas em um primeiro contato com o jogo. Porém, depois de uma ou duas partidas fica bem claro. Esse é o único ponto que acredito possa gerar alguma dificuldade para novos jogadores.

Um Tipo específico funciona de uma forma diferente das demais, servindo como uma espécie de Coringa. A carta de Troca deve ser utilizada antes da ação do jogador no turno e serve para pegar qualquer carta livremente escolhida. No lugar da carta selecionada é colocada a carta de Troca. Não existe limite de quantidade de cartas desse Tipo que podem ser utilizadas em um mesmo turno.

Olá, Saitama-sensei! (Protagonista de One Punch Man, dos animes mais atuais é o mais famoso)
Conclusão:

Por ter como proposta a conquista de novos jogadores, a complexidade do Anime Saga me surpreendeu um pouco, pois eu esperava algo mais simples. Porém, foi uma boa surpresa, pois não deixa de ser um título interessante para o público mais heavy gamer, não ficando limitado apenas a um gateway.  Eu não joguei tanto o Anime Saga quanto gostaria, mas tive a oportunidade de ensinar bastante e observar ele rodando entre jogadores novatos e vi que a complexidade não é uma barreira significativa de entrada. Depois de alguns turnos em geral os jogadores já estão bem a vontade com as mecânicas, restando apenas dúvidas mais pontuais.

Evento de lançamento do Anime Saga na loja Game Of Boards no RJ.

Como eu já disse antes, a questão da mecânica me conquistou muito. Gostei bastante do esquema de Card Drafting com Hand Management pensado pelo Michael. Nunca tinha visto nada parecido em nenhum outro jogo. Ele é simples de entender, mas complexo para dominar, o que oferece possibilidades de aprofundamento estratégico. Isso dá ao jogo uma curva interessante de aprendizado sem colocar uma barreira de entrada.

Por fim, o que eu considero o ponto mais fraco do jogo. Apesar de ter gostado bastante das referências. Foi bem prazeroso procurar identificá-las. Algumas realmente estão ligadas a personagens específicos, mas a maioria pode ser relacionada com mais de um anime, pelo jogo trabalhar muito com esteriótipos. Eu achei a arte inconsistente, desejando um pouco a desejar. Não chega a ser feia, mas pelo tema esperava algo mais bonito.

Uma arte bem foda. (Imagem retirada do manual)
Uma arte bem mais ou menos. (Imagem retirada do manual)

Mas, eu sou o tipo de pessoa que abandona anime por causa de traço/animação feios, se não tiver uma história realmente muito boa que me prenda a atenção. Assim como, também sou capaz de continuar assistindo um anime por causa de traço/animação bonitos, desde que a história seja minimamente interessante.

Sobre qualidade de componentes, não tenho do que reclamar. Acredito que a Arcano Games já conseguiu estabelecer um padrão elogiável nesse sentido. Duas marcas positivas da editora, na minha opinião, tem sido a boa qualidade material do produto entregue e o respeito aos prazos. Acho que foi a entrega mais rápida de FC que eu já vi.

Marcadores de plástico e dados em detalhe.

Acho que a única ressalva que eu faria em relação aos componentes do Anime Saga é quanto a caixa que achei pequena para comportar o jogo. Fica tudo muito certinho, quase sem nenhuma folga. Não dá para guardar os componentes correndo de qualquer maneira sem que a caixa fique estufada. Eu gastei algumas tentativas para pegar o jeito de como acomodar tudo confortavelmente, é preciso aprender a posição certa de cada componente. Outro ponto é que eu achei a tampa um pouco frouxa demais, fazendo com que a caixa abra com muita facilidade espalhando seu conteúdo ao ser transportada virada.

Componentes arrumados na caixa.

Os problemas que eu vejo no Anime Saga são extremamente pontuais e muito fruto de gostos pessoais. No geral, o jogo tem uma boa qualidade de componentes e regras consistentes que proporcionam uma boa experiência tanto para jogadores novatos quanto para os mais experientes. Para quem gosta do tema, acho um título indispensável na coleção, pois é algo raro. Para quem não é ligado no tema, vale a pena dar uma chance por sua combinação interessante de mecânicas. O jogo está por R$150 na Game Of Boards, nossa loja parceira aqui do canal. Não está muito acima do valor do FC e está justo considerando a quantidade de componentes.

Confira abaixo os vídeos que já publicamos sobre o Anime Saga:

 

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Gekido: Texto + Vídeo

Está chegando mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Para quem não sabe, o evento ocorre todo primeiro domingo do mês e, geralmente, tem um tema em destaque. Já tivemos, por exemplo, Futebol na época da Copa do Mundo e Game Of Thrones no final da temporada da série de TV. Agora, estamos tentando fazer parceria com desenvolvedoras nacionais para que venham mostrar seu trabalho em nosso evento. No mês passado fizemos o Vaporaria, jogo da Riachuelo Games que está para entrar em financiamento coletivo. E agora em setembro, teremos a Ace Studios. Uma desenvolvedora de jogos criada por Fel Barros junto com outros grandes nomes da cena carioca. Eles tem feito um trabalho incrível, mostrando muita criatividade e talento. Seus jogos são rápidos, bonitos, divertidos e viciantes.

Podemos dizer que o “carro-chefe” da Ace Studios é o Warzoo, que bateu o recorde de meta alcançada mais rapidamente no Catarse. É um jogo muito bacana, tivemos o prazer de tê-lo presente em nosso evento para playteste. Fazer um evento com foco em um jogo ou empresa nacional é algo que nos deixa muito feliz, pois mostra o forte crescimento do mercado nacional. Mas que fique claro que estaremos sempre aberto para o trabalho autoral independente. Se você tem um jogo e quer playtestar no nosso evento é só entrar em contato.

A Ace Studios tem trabalhado rápido e forte, além do Warzoo que foi um super sucesso. Já tivemos também o Gekido, o charmoso dice rolling de batalha entre dragões. Essa primeira edição é especial e vem com belíssimas miniaturas artesanais. Adquiri o meu no lançamento que ocorreu no final de julho na loja Redbox. Infelizmente, só pude comprar 2 miniaturas, das 6 que foram lançadas. Para quem quiser saber mais informações, é só dar uma conferida no texto que escrevi sobre o assunto. Além da “cobertura” do lançamento, tem também uma entrevista bem bacana com o Fel Barros. É um dos post com o maior número de visualizações aqui no blog, no meio de gigantes do universo de LoTR e GoT. Além do post sobre o lançamento, Gekido também já apareceu por aqui quando o joguei pela primeira vez, ainda na fase de playteste no evento Castelo das Peças.

 

Apesar dessas duas aparições, eu ainda não havia escrito sobre as regras dele. Quem acompanha o blog, sabe que esse é o nosso foco principal. Então, como um esquenta para o Guadalupeças Especial Ace Studios vamos a um post completo sobre Gekido, com direito a vídeo mostrando o desenrolar de uma partida.

Gekido é um jogo de batalha entre dragões para 2 jogadores. Cada dragão vem acompanhado por uma carta que traz do lado direito suas opções de ataque e do lado esquerdo seus poderes especiais. A vida dos dragões é marcada por 5 dados D6. Os dados de ataque tem em cada uma de suas fases uma joia diferente. Isso ocorre porque de acordo com a história do jogo, Jikan o dragão mais poderoso que existe e senhor de todas as joias, temendo ser superado por seus filhos resolve devorá-los para se ver livre da ameaça. Porém, os dragõeszinhos começam uma batalha em seu estômago para se libertarem, o vencedor tomará o lugar de seu pai.

Fel Barros mais uma vez utilizando ótimas referências. Já tínhamos a Revolução dos Bichos em Warzoo, agora vem Gekido com a Teogonia. Cada dragãozinho tem a sua própria joia símbolo que é correspondente a sua cor. No seu turno, cada jogador irá rolar os dados de jóia e separar os resultados que lhe interessarem. Então, deverão apostar em um dos possíveis ataques. O primeiro número é o dano que aquele ataque vai dar em caso de sucesso e o segundo número é o dano que irá tomar em caso de falha. O jogador terá mais duas rolagens para tentar atingir o resultado pretendido.

Cada vez que toma dano e perde um dado, o mesmo é alocado a esquerda, na área dos poderes especiais. Sempre tem um poder que é livre e dois que são limitados. Um poder livre pode receber quantos dados o jogador quiser, já o poder limitado recebe apenas um dado com o número de vezes que poderá ser utilizado. E as joias de cada dragão? Bom, elas atrapalham no golpe de cinco diferentes, porque não podem ser contadas no resultado.

É um joguinho super rápido e divertido, dá para jogar várias vezes seguidas sem cansar. Seria legal fazer um campeonato para ver qual seria o dragão campeão que iria roubar a soberania de Jikan. Além do Gekido e do Warzoo, teremos também Muffin Games e Agente do S.A.P.O. Pelo menos, esses são os confirmados, porque no ritmo que essa galera está trabalhando não duvido que apareçam com mais algum outro jogo surpresa.

Chega de papo e confiram a minha partida com o Felipe. Quem vocês acham que ganhou?

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Ninja Dice: Locations Cards + Vídeo completo do jogo

No post em que comentei sobre Ninja Dice, reclamei bastante de não ter entendido o funcionamento das Locations Cards. De maneira geral, achei toda a parte de explicação de regras do jogo bem confusa. Mas nada que um pouco de esforço mental a mais não resolva, se conseguimos entender o jogo porque o mesmo não aconteceria com a expansão? Não era possível que fosse algo tão complicado assim. Depois de algum tempo olhando as benditas cartas, finalmente consegui entender. O engraçado é que depois que a gente descobre como algo funciona, fica aquela sensação de “mas era tão óbvio”.

Eu já tinha achado Ninja Dice um dice rolling bem interessante pela sua inovação na questão de posicionamento de dados e rolagem simultânea, as Locations Cards tornam as coisas ainda melhores, acrescentando mais desafio ao jogo. Elas são divididas pelos três turnos, aumentando gradativamente o nível de dificuldade. Os três decks de Locations devem ser embaralhados e o número de cartas abertas será igual ao de jogadores mais um.

Seguindo a ordem normal do turno, cada jogador irá escolher uma carta e fazer sua ação. As cartas em geral trazem o número de dados de casa que deverão ser rolados, mais dados fixos e/ou efeitos adicionais. O valor no canto superior direito é a recompensa que o jogador irá ganhar se conseguir passar pelo desafio, além do valor normal por derrotar a casa.

Agora que sei como utilizar as Locations Cards não pretendo mais jogar sem elas, pois são um acréscimo realmente significativo ao jogo. Talvez jogue sem elas só para explicar para alguém que seja novato no jogo. Além disso, as cartas são todas muito bonitas, acho que elas ajudam a dar mais ambientação.

Na primeira partida utilizando Locations Cards obtive mais uma vitória esmagadora contra o Felipe. Eu consegui vencer todas as três cartas, enquanto o Felipe só conseguiu vencer uma. Agora, quando fomos jogar para gravar o vídeo, eu perdi miseravelmente. Fizemos, na verdade, duas partidas: Uma só o jogo sem expansão e a outra já com as Locations Cards. Na primeira consegui uma vitória tranquila. Mas, na segunda, apesar de nenhum dos dois ter conseguindo passar por nenhuma das Locations Cards, o Felipe soube administrar melhor seus resultados e conseguiu roubar mais dinheirinhos de mim. Foi justo, uma vitória para cada lado.

Como eu já havia dito, a ideia era fazer um gameplay em primeira pessoa sem tanto foco em explicação. O primeiro que gravamos não me agradou muito, como eu comentei no post anterior. Eu tentei gravar usando um suporte de cabeça, o que fez com que as imagens balançassem e eu também achei que a explicação não ficou muito boa. Acho que eu tenho uma tendência ao exagero. Agora, nós gravamos usando um tripé simples e como já tínhamos a experiência da tentativa anterior, a explicação saiu melhor. Consegui manter mais ou menos a ideia da primeira pessoa, talvez em um jogo maior isso não seja possível. Mas vamos com calma, a ideia é ir fazendo jogos pequenos e aumentar gradativamente.

Por fim, quero reforçar a ideia, que os vídeos deverão servir como um complemento dos textos aqui do blog. Sugestões e críticas são sempre muito bem-vindas. Então é isso, fiquem aí com o nosso primeiro vídeo.

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