Segunda Sem Lei

Já faz algumas semanas que a Redbox começou com o evento Segunda Sem Lei, mas eu ainda não tinha tido oportunidade de participar. É complicado porque eu moro longe e preciso acordar cedo no dia seguinte para trabalhar. Por isso, faz tempo que não apareço no Boards & Burgers também, evento que acontecia no Burger King da Rio Branco às terças-feiras, agora eles estão de mudança para o Bob’s da Senador Dantas. O evento de hoje deve ser a despedida e a partir da semana que vem já deve estar na casa nova. Pretendo me esforçar para marcar presença lá.
Mas voltando à Redbox, resolvi aproveitar que estava de folga do trabalho hoje e ir conferir o evento. Estava seca para jogar, porque como trabalhei no final de semana, não pude ir ao Castelo das Peças. Fiquei um pouco chateada por não encontrar o pessoal de sempre lá, no dia que resolvo ir ninguém vai. Cheguei lá um pouco cedo e fui surpreendida por um rapaz que me reconheceu aqui do blog. Foi uma coisa engraçada. A gente bateu um papo e jogou Ninja Dice, infelizmente ele não pode ficar para o evento.
Depois joguei uma partida incompleta de Jaipur com o Felipe, parece que ele não ficou muito feliz em levar uma surra logo de cara, tenho jogado bastante no BGA. Joguei também Coup, enquanto o Felipe ensinava Shift para um amigo que ele encontrou lá por acaso. Então, cai na besteira de jogar Citadels. É um bom jogo, mas demora demais. O pessoal com quem joguei era bem bacana, mas preferia ter embarcado no 7 Wonders que estava rolando na mesa ao lado. 

Enquanto isso, chegou o Wagner com seu Beat’Em Up. Mais um jogo de mesa seguindo na onda dos videogames, tendo Boss Monster como inspiração e Streets Of Rage como principal influência. Se você ainda não entendeu do que se trata, é aquele lance de andar e bater. Devo confessar que não sou muito adepta dos videogames, mas o Felipe (que entende do assunto) jogou e escreveu um texto bem legal no Finalboss. Queria ter jogado, espero ter uma oportunidade em breve.
Apesar de não ter jogado nenhum jogo fora do comum, gostei bastante do evento e recomendo. O ambiente é muito agradável e o pessoal da loja uma simpatia. Achei o preço de R$15 cobrado pela participação bastante justo, o buffet de salgadinhos estava muito bom. Pois é, dessa vez não foram esfihas, o que para mim foi ótimo. Além disso, você tem direito a uma cerveja ou refrigerante. A loja disponibiliza vários jogos, mas os participantes também podem levar os seus próprios livremente.

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Guadalupeças – Especial Ace Studios

Domingo tivemos mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. No evento deste mês tivemos a presença a Ace Studios, desenvolvedora carioca criada pelo game designer Fel Barros. Como sempre, foi muito bom tê-lo conosco, não só pelos seus jogos que são maravilhoso, mas por sua pessoa agradável. Tivemos Warzoo, Gekido, Muffin Games e Agentes do S.A.P.O que viram mesa durante todo o dia. Eu ainda não tinha jogado os dois últimos, então esse foi o momento.

Amei o Muffin Games, ele é simples, rápido e divertido, pelo menos em seu modo básico. Assim como o Warzoo, ele também tem variantes mais complexas. Mas, pelo menos nesse primeiro modo, é o tipo de jogo que acaba uma partida e você já quer começar outra. O tema é muito legal e a arte das cartas também. Esse deve ser o próximo lançamento da Ace Studios, seguindo o exemplo do Gekido com edição limitada direto ao público. O jogo vai vir com caixa da Monster Factory e tokens de coração em acrílico. Não vou entrar em detalhes aqui sobre como é o jogo porque nós gravamos um vídeo com o próprio Fel Barros explicando as regras, seguido de uma partida divertidíssima e emocionante. Muffin Games foi um dos jogos mais jogados do evento.

Outro jogo que também não parou o evento todo foi o Gekido, a galera pirou muito nos dragõeszinhos. Ainda mais que o Fel Barros sempre leva aos eventos a sua versão exclusiva, com as miniaturas um pouco maiores e mais detalhadas. Não que os dragões que são vendidos ao públicos também não sejam incríveis, por isso fiz questão de comprar os meus no lançamento. E sempre deixo claro que só não comprei todos porque não tenho grana, pois ficou um trabalho muito bonito. Para quem é pobre como eu, uma 2ª edição está prevista só com as cartas e dados. Tendo em vista que as miniaturas são charme, não tendo nenhum papel na jogabilidade.

Um lance muito legal que rolou em relação ao Gekido, foi um cara que perguntou de qual empresa era o jogo. Eu expliquei que era da Ace Studios, uma empresa nacional nova, e disse que o criador estava presente no evento, apontando para o local onde o Fel Barros estava. O cara ficou super impressionado, ele achou que o jogo fosse gringo. É muito bom mostrar para quem não conhece ainda, que se faz jogo de qualidade no Brasil.

Nosso evento tem tido muito essa característica de receber um público que não é boardgamer. Talvez por ser realizado na praça de alimentação de um mercado, então sempre temos pessoas conhecendo os jogos modernos. É muito legal ver a admiração delas e mais ainda quando apresentamos um produto desenvolvido aqui no nosso país.

Ainda comentando sobre o Gekido, gostaria de agradecer os feedbacks que recebi sobre o vídeo que a gente gravou. Ficou feliz que o meu jeito meio louco de jogar tenha agradado. Eu sou uma pessoa muito tímida, um dos poucos momentos que me soltou é quando estou jogando. Acho que é por isso que gosto tanto dos jogos de mesa, eles são uma espécie de ponte que me permite interagir com outras pessoas. Normalmente nos eventos, se não for jogando, eu vou ter uma dificuldade enorme de conversar. Então, se me encontrarem por aí, não tenham uma ideia errada achando que eu sou antipática, é só timidez extrema mesmo.

O outro jogo que foi novidade para mim foi o Agentes do S.A.P.O, esse devo confessar que não me agradou tanto. Ele é uma espécie de Sueca modificada, palavras do próprio Fel Barros. Eu não sou boa nesses jogos de cartas tradicionais. O jogo é simples e até divertido, mas não funcionou comigo. Acho que foi uma questão de gosto pessoal mesmo. Jogos com esse lance de cores e números não funcionam comigo. Já tentei jogar Pega 6 várias vezes no BGA e foi a mesma sensação.

Por fim, temos o Warzoo que dispensa apresentações. Foi o jogo através do qual conheci o trabalho do Fel Barros. Com certeza, já faz parte da lista dos grandes jogos nacionais já criados. Não foi por acaso que bateu o recorde de financiamento a atingir a meta em menor tempo. Infelizmente, não joguei dessa vez. O velho drama dos eventos, a gente nunca consegue jogar tudo o quer. Mas daqui a pouco ele estará na minha coleção e com certeza vai rolar vídeo.

Para fechar a onda nacional, Funbox Jogos mais uma vez marcando presença com Cook-off e Coup. Dois jogos excelentes, o primeiro é nacional e o segundo, apesar de gringo, ganhou uma versão que é exclusividade nossa. Ambos são ótimos party games, simples e divertidos. É mais uma empresa brasileira que está fazendo um trabalho admirável. Não vou entrar em detalhes sobre os jogos, pois já escrevi sobre eles anteriormente.

Para completar o dia, joguei um dos indicados ao Spiel des Jahres de melhor jogo de 2014 – Splendor. É um jogo bem legal, tanto que foram duas partidas seguidas, mas nada de muito impressionante. O jogo é simples, administração de recurso e uma boa dose de sorte. São três níveis de cartas, cada uma delas com um recurso que permanecerá com jogador e as vezes uma pontuação. Para pegar as cartas é preciso pagar em recursos, para isso existem as fichas de recurso. Na sua vez o jogador pode: pegar duas fichas de recursos iguais (se houver no mínimo quatro no montante), pegar três fichas de recursos diferentes, pegar uma carta pagando seu custo ou reservar uma carta (recebe uma ficha coringa).

Além das cartas que dão pontos, existem também fichas de personagens que também concedem pontos, conforme seus pré-requisitos sejam alcançados pelos jogadores. Mas essas fichas não podem ser “pagas” com fichas de recurso, apenas com cartas que concedem recursos permanentes. Com o tempo os jogadores vão pegando as cartas “de graça” por causa dos recursos acumulados. Esse é o grande lance do jogo. As fichas são importantes no início, mas quanto antes conseguir diminuir a dependência delas melhor. O jogo acaba quando um jogador faz quinze pontos, então temos mais uma rodada, a menos que o jogador que marcou os quinze pontos seja o último. Porque nisso de rodar mais uma vez, alguém pode pontuar mais e vencer o jogo. Lembrou o esquema do Takenoko.

Um jogo que é certo em praticamente todo evento, mas que eu nunca havia jogado era o Resistance. Engraçado que chegamos a comprar a versão lançada pela Galápagos Jogos, mas vendemos quase de imediato, justamente por esse motivo. Com um mínimo de cinco jogadores, muito difícil jogar em outro lugar que não seja os eventos. O Resistance que joguei foi o Avalon, que o William traz religiosamente em todo Guadalupeças que nos dá o prazer da sua presença. O pessoal que conhece ambos disse que não muda pouca coisa.

O jogo é bacana, mas nada que seja essencial para coleção. Fiquei ainda mais certa que foi uma boa coisa vender. O Felipe Simões comentou sobre isso, mas no caso dele, é Munchkin que está parado. Esse é outro jogo que tem em todo evento e precisa de bastante gente. Além do mais, na minha opinião, perde a graça rápido. É sensacional nas primeira vezes, mas depois você já conhece todas piadas. Outro fator bem ruim, é o tempo de jogo que em geral acaba sendo terrivelmente longo. Porque fica um jogador sacaneando o outro e ninguém faz os dez pontos. É um vai e volta do caralho na pontuação. Fiquei traumatizada na última vez que joguei.

Voltando ao Resistance, eu fiquei do lado dos malvados. É difícil jogar sem revelar os outros membros do seu time. Blefar ou ser o traidor sozinho é muito mais fácil. Em geral, eu gosto de jogar nessa posição, como o jogador que sacaneia os outros. Nós conseguimos vencer, porque o pessoal do bem acabou se atrapalhando. É legal esse lance da acusação, só os maus se conhecem e o Merlin que conhece todo mundo. A galera do bem fica mais perdida que cego em tiroteio, o que é engraçado. Talvez jogando outras vezes, minha opinião sobre o jogo melhore.

O último jogo do dia, não só para mim, mas do evento todo, foi uma emocionante partida de Boss Monster. Começamos jogando em três pessoas, mas logo ficou só eu e o Felipe Simões. A princípio, pensei que ele venceria facilmente, mas depois fui conseguindo boas cartas de Room e minha Dungeon ficou bem forte. Porém, o Felipe investiu muito em Spell desde o princípio e foi assim que ele impediu minha vitória. Quando eu ia pontuar as dez almas, ele descarregou as Spells todas em mim. Depois foi só assistir impotente a vitória dele. Boss Monster é sensacional, mecânica e temática muito bem encaixadas e uma curva de aprendizagem baixa, sem perder com isso a complexidade. O Felipe não tirou nenhuma foto da gente jogando, mas teve uma que ele tirou de um outro pessoal que ficou muito boa. Esse jogo tem sido sucesso, todo mundo que conhece fica viciado.

Obrigada a todos que compareceram em mais uma edição do Guadalupeças. Espero encontrar a todos em 05 de outubro, onde estaremos prestigiando o trabalho do Filipe Cunha com a Pensamento Coletivo, que está trazendo para o Brasil o jogo Uruk: O Berço da Civilização, que apesar de gringo, vai seguir o mesmo exemplo do Coup e chegar para gente com arte nacional exclusiva. Eu já vi o Filipe fazendo playteste do jogo em vários eventos, inclusive no próprio Guadalupeças, mas nunca tive oportunidade de jogar. Mas já li o manual e jogo parece ser muito legal. Fiquem atentos as novidades curtindo o FB do Turno Extra e do Guadalupeças. Até a próxima, galera!!!

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Gekido: Texto + Vídeo

Está chegando mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Para quem não sabe, o evento ocorre todo primeiro domingo do mês e, geralmente, tem um tema em destaque. Já tivemos, por exemplo, Futebol na época da Copa do Mundo e Game Of Thrones no final da temporada da série de TV. Agora, estamos tentando fazer parceria com desenvolvedoras nacionais para que venham mostrar seu trabalho em nosso evento. No mês passado fizemos o Vaporaria, jogo da Riachuelo Games que está para entrar em financiamento coletivo. E agora em setembro, teremos a Ace Studios. Uma desenvolvedora de jogos criada por Fel Barros junto com outros grandes nomes da cena carioca. Eles tem feito um trabalho incrível, mostrando muita criatividade e talento. Seus jogos são rápidos, bonitos, divertidos e viciantes.

Podemos dizer que o “carro-chefe” da Ace Studios é o Warzoo, que bateu o recorde de meta alcançada mais rapidamente no Catarse. É um jogo muito bacana, tivemos o prazer de tê-lo presente em nosso evento para playteste. Fazer um evento com foco em um jogo ou empresa nacional é algo que nos deixa muito feliz, pois mostra o forte crescimento do mercado nacional. Mas que fique claro que estaremos sempre aberto para o trabalho autoral independente. Se você tem um jogo e quer playtestar no nosso evento é só entrar em contato.

A Ace Studios tem trabalhado rápido e forte, além do Warzoo que foi um super sucesso. Já tivemos também o Gekido, o charmoso dice rolling de batalha entre dragões. Essa primeira edição é especial e vem com belíssimas miniaturas artesanais. Adquiri o meu no lançamento que ocorreu no final de julho na loja Redbox. Infelizmente, só pude comprar 2 miniaturas, das 6 que foram lançadas. Para quem quiser saber mais informações, é só dar uma conferida no texto que escrevi sobre o assunto. Além da “cobertura” do lançamento, tem também uma entrevista bem bacana com o Fel Barros. É um dos post com o maior número de visualizações aqui no blog, no meio de gigantes do universo de LoTR e GoT. Além do post sobre o lançamento, Gekido também já apareceu por aqui quando o joguei pela primeira vez, ainda na fase de playteste no evento Castelo das Peças.

 

Apesar dessas duas aparições, eu ainda não havia escrito sobre as regras dele. Quem acompanha o blog, sabe que esse é o nosso foco principal. Então, como um esquenta para o Guadalupeças Especial Ace Studios vamos a um post completo sobre Gekido, com direito a vídeo mostrando o desenrolar de uma partida.

Gekido é um jogo de batalha entre dragões para 2 jogadores. Cada dragão vem acompanhado por uma carta que traz do lado direito suas opções de ataque e do lado esquerdo seus poderes especiais. A vida dos dragões é marcada por 5 dados D6. Os dados de ataque tem em cada uma de suas fases uma joia diferente. Isso ocorre porque de acordo com a história do jogo, Jikan o dragão mais poderoso que existe e senhor de todas as joias, temendo ser superado por seus filhos resolve devorá-los para se ver livre da ameaça. Porém, os dragõeszinhos começam uma batalha em seu estômago para se libertarem, o vencedor tomará o lugar de seu pai.

Fel Barros mais uma vez utilizando ótimas referências. Já tínhamos a Revolução dos Bichos em Warzoo, agora vem Gekido com a Teogonia. Cada dragãozinho tem a sua própria joia símbolo que é correspondente a sua cor. No seu turno, cada jogador irá rolar os dados de jóia e separar os resultados que lhe interessarem. Então, deverão apostar em um dos possíveis ataques. O primeiro número é o dano que aquele ataque vai dar em caso de sucesso e o segundo número é o dano que irá tomar em caso de falha. O jogador terá mais duas rolagens para tentar atingir o resultado pretendido.

Cada vez que toma dano e perde um dado, o mesmo é alocado a esquerda, na área dos poderes especiais. Sempre tem um poder que é livre e dois que são limitados. Um poder livre pode receber quantos dados o jogador quiser, já o poder limitado recebe apenas um dado com o número de vezes que poderá ser utilizado. E as joias de cada dragão? Bom, elas atrapalham no golpe de cinco diferentes, porque não podem ser contadas no resultado.

É um joguinho super rápido e divertido, dá para jogar várias vezes seguidas sem cansar. Seria legal fazer um campeonato para ver qual seria o dragão campeão que iria roubar a soberania de Jikan. Além do Gekido e do Warzoo, teremos também Muffin Games e Agente do S.A.P.O. Pelo menos, esses são os confirmados, porque no ritmo que essa galera está trabalhando não duvido que apareçam com mais algum outro jogo surpresa.

Chega de papo e confiram a minha partida com o Felipe. Quem vocês acham que ganhou?

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Ninja Dice: Locations Cards + Vídeo completo do jogo

No post em que comentei sobre Ninja Dice, reclamei bastante de não ter entendido o funcionamento das Locations Cards. De maneira geral, achei toda a parte de explicação de regras do jogo bem confusa. Mas nada que um pouco de esforço mental a mais não resolva, se conseguimos entender o jogo porque o mesmo não aconteceria com a expansão? Não era possível que fosse algo tão complicado assim. Depois de algum tempo olhando as benditas cartas, finalmente consegui entender. O engraçado é que depois que a gente descobre como algo funciona, fica aquela sensação de “mas era tão óbvio”.

Eu já tinha achado Ninja Dice um dice rolling bem interessante pela sua inovação na questão de posicionamento de dados e rolagem simultânea, as Locations Cards tornam as coisas ainda melhores, acrescentando mais desafio ao jogo. Elas são divididas pelos três turnos, aumentando gradativamente o nível de dificuldade. Os três decks de Locations devem ser embaralhados e o número de cartas abertas será igual ao de jogadores mais um.

Seguindo a ordem normal do turno, cada jogador irá escolher uma carta e fazer sua ação. As cartas em geral trazem o número de dados de casa que deverão ser rolados, mais dados fixos e/ou efeitos adicionais. O valor no canto superior direito é a recompensa que o jogador irá ganhar se conseguir passar pelo desafio, além do valor normal por derrotar a casa.

Agora que sei como utilizar as Locations Cards não pretendo mais jogar sem elas, pois são um acréscimo realmente significativo ao jogo. Talvez jogue sem elas só para explicar para alguém que seja novato no jogo. Além disso, as cartas são todas muito bonitas, acho que elas ajudam a dar mais ambientação.

Na primeira partida utilizando Locations Cards obtive mais uma vitória esmagadora contra o Felipe. Eu consegui vencer todas as três cartas, enquanto o Felipe só conseguiu vencer uma. Agora, quando fomos jogar para gravar o vídeo, eu perdi miseravelmente. Fizemos, na verdade, duas partidas: Uma só o jogo sem expansão e a outra já com as Locations Cards. Na primeira consegui uma vitória tranquila. Mas, na segunda, apesar de nenhum dos dois ter conseguindo passar por nenhuma das Locations Cards, o Felipe soube administrar melhor seus resultados e conseguiu roubar mais dinheirinhos de mim. Foi justo, uma vitória para cada lado.

Como eu já havia dito, a ideia era fazer um gameplay em primeira pessoa sem tanto foco em explicação. O primeiro que gravamos não me agradou muito, como eu comentei no post anterior. Eu tentei gravar usando um suporte de cabeça, o que fez com que as imagens balançassem e eu também achei que a explicação não ficou muito boa. Acho que eu tenho uma tendência ao exagero. Agora, nós gravamos usando um tripé simples e como já tínhamos a experiência da tentativa anterior, a explicação saiu melhor. Consegui manter mais ou menos a ideia da primeira pessoa, talvez em um jogo maior isso não seja possível. Mas vamos com calma, a ideia é ir fazendo jogos pequenos e aumentar gradativamente.

Por fim, quero reforçar a ideia, que os vídeos deverão servir como um complemento dos textos aqui do blog. Sugestões e críticas são sempre muito bem-vindas. Então é isso, fiquem aí com o nosso primeiro vídeo.

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Castelo das Peças

A edição deste mês do Castelo das Peças foi super agitada. Tivemos campeonato de Catan, demonstração do badalado Masmorra de Dados, Riachuelo Games com Vaporaria e Fortaleza de Berdolock, Fel Barros da Ace Studios com Gekido e Muffin e os mineiros simpáticos da Conclave com Nosferatu e Midgard. Era muita opção bacana para um tempo bem curto, ainda mais que chegamos um pouco mais tarde que o habitual.
Queria muito ter jogado o Masmorra de Dados, que está em financiamento coletivo, para saber se é isso tudo que estão dizendo. Mas, infelizmente, quando chegamos não havia nenhuma cópia livre. O Felipe está bem empolgado para comprar, mesmo sem ter jogado, só assistido vídeo. O mesmo ocorreu com Vaporaria, que apesar de já conhecer, sempre quero jogar. Até porque ainda não experimentei o lado dos Tripedem e o pessoal da Riachuelo Games levou as peças pintadas, fiquei babando, estão muito bonitas.

Catan não é minha praia. O próximo Guadalupeças vai ser especial Ace Studios e eu já tenho o Gekido (espero conseguir fazer um vídeo dele até lá), então o Muffin ficou para o evento. Assim, chegamos aos jogos da Conclave. Comecei o dia jogando Nosferatu e Midgard.

Foram duas partidas de Nosferatu, que já pegamos no financiamento coletivo. A primeira foi meio sem graça porque o vampiro foi descoberto muito rápido. A segunda foi mais longa e eu fiquei com o papel de morder os pescocinhos, o que foi bem mais divertido. O jogo é bacana, mas não achei nada de tão incrível não. O Felipe gostou bem mais do que eu, até porque ele já tinha jogado antes.

Nosferatu é mais um cardgame rápido de blefe. Um jogador é o vampiro, os demais são caçadores e existe o Renfeld, que é o único na mesa que sabe o papel de cada um. Ele funciona como um “organizador” do jogo. Cada jogador começa a partida com duas cartas e mais duas serão compradas no início de cada turno. Das quatro cartas na mão, uma carta deverá ser entregue para o Renfeld e a outra descartada aberta. Após isso, será aperto o deck de dia e noite. Sendo noite, o jogo segue para o próximo jogador até chegar ao último. Só então o Renfeld irá revelar as cartas de sua mão e aplicar os efeitos. Se for dia, as cartas são reveladas imediatamente e entra em jogo a estaca. Sendo dia, o jogador que estiver com ela pode tentar matar o vampiro. Quando é noite, a estaca só vai mudando de dono.
São quatro cartas possíveis: mordida, noite, rumor e componentes. As duas primeiras são boas para o vampiro. A terceira é indiferente para ambos os lados. A última é a que interessa aos caçadores, pois permite que eles realizem os rituais, cartas de efeito que ficam abertas na mesa. Mas isso é bem difícil, pois quando reveladas as cartas na mão do Renfeld, todas precisam desse mesmo tipo. Não me lembro o que todos fazem, mas um deles curava uma mordida.

O vampiro precisa distribuir um cinco mordidas para vencer o jogo e os caçadores precisam descobrir sua identidade e matá-lo antes que isso aconteça. O Renfeld é uma figura interessante do jogo, porque aparentemente ele só “organiza”, suas jogadas são poucas e muito sutis. É fácil esquecer que ele também é um participante e que trabalha para ajudar o vampiro. Acredito que deva ser o papel mais legal do jogo, porém é preciso já ter alguma experiência nos demais.

Acho que tenho jogado cardgames demais no mesmo estilo e talvez por isso Nosferatu não tenha me conquistado tanto. Talvez jogando mais vezes, minha opinião sobre ele melhore. Mas por enquanto ainda acho Coup e Love Letter melhores opções.

Depois veio o surpreendente Midgard. O Felipe pediu que o pessoal da Conclave falasse um pouco sobre o jogo, pois ele tinha dúvidas quanto a comprar ou não por ter ouvido algumas opiniões ruins. Na época do financiamento coletivo, nós ainda estávamos começando no hobby. Eu, pessoalmente, tinha o “pé atrás” com o jogo, porque a minha primeira experiência com cardgame nacional não foi das mais satisfatórias. Mas melhor do que qualquer opinião é simplesmente sentar e jogar. E que jogo foda! Não vou entrar em detalhes porque ele logo fará parte da coleção e com certeza vai rolar um texto completo sobre ele aqui no blog.

O próximo jogo foi o curioso Japanese The Game, um cardgame que o Felipe pegou no Kickstarter. As cartas trazem uma palavra com sua classificação gramatical e o objetivo é formar frases. O que eu achei divertido é que elas não precisam fazer sentido, basta estarem corretas gramaticalmente. Joguei com o Marco Curvello, que sabe japonês de verdade e foi muito divertido assistir a revolta dele. Não vou detalhar muito também não porque quero fazer um texto só para ele depois.

Para fechar o dia: Ninja Dice. Eu escrevi sobre ele no post passado e ainda vai rolar um outro post só sobre a expansão Locations Cards. Minha ideia é gravar o primeiro vídeo aqui para o blog com ele. Na verdade, já até gravei. Mas estou em dúvida se vou utilizar essa gravação ou se farei uma outra. A ideia de gravar em primeira pessoa é boa na teoria, mas se mostrou um pouco desconfortável na prática. 

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Jogatina de final de semana: Jaipur, Ninja Dice e Go

Um dos grandes problemas lá em casa é o grande acúmulo de jogos sem ver mesa. O Felipe é muito empolgado para comprar, agora na hora de sentar e jogar, aí já é outra história. Nossos jogos ficavam empilhados em cima de três estantes. Com a coleção crescendo rapidamente, logo ficou impraticável guardá-los daquela forma. Além do problema de espaço, as caixas estavam começando a ficar danificadas e era complicado pegar qualquer coisa para jogar, porque tinha que praticamente tirar tudo do lugar e depois colocar novamente.

 A foto é meio antiga, só para dar uma ideia. A situação estava bem pior.

A solução era comprar um armário só para os jogos. Passei meses falando no ouvido dele sem sucesso. Não tínhamos onde colocá-lo, nosso apartamento é bem pequeno. Eu queria me livrar de um sofá-cama meio inútil que a gente tem para abrir espaço, mas ele foi contra. As viagens a trabalho para fora do Brasil só pioraram a situação, porque a mala sempre voltava carregada de mais jogos. A solução veio com a troca do PS3 pelo PS4 e a consequente venda da bateria do Rock Band.
 

Com o novo espaço, compramos o armário e veio a promessa de que jogaríamos mais. Pois, agora seria bem mais fácil pegar e guardar os jogos. Apesar de que não coube tudo, alguns cardgames maiores ainda ficaram de fora (AN, LOTR, GOT…). Aproveitando esse papo de móveis, acho que nunca comentei aqui sobre a compra da nossa mesa. Também foi em função dos jogos, bem no início do hobby, ainda não tinha criado o blog. Para vocês terem uma ideia, a gente mediu o tamanho da mesa pelo tabuleiro do Zombicide. O tempo passa tão rápido, parece que faz tanto séculos isso, mas tem só pouco mais de um ano.

Enfim, voltando ao armário. Ele já completou o seu primeiro mês em casa e ainda nada de começarmos a colocar em prática o combinado. Como eu já disse, o Felipe é meio compulsivo por comprar jogos e as viagens só facilitaram as coisas. O resultado são pilhas de jogos intactos. Então, sábado de tanto perturbar, consegui estrear dois jogos: Jaipur e Ninja Dice. o/

Jaipur é um cardgame muito divertido, fácil e rápido. Cada jogador é um mercador indiano disputando para provar ser o melhor e conseguir se tornar o comerciante pessoal do Maharaja. Para isso é necessário saber negociar suas mercadorias para ter mais lucro que o seu adversário. A cada final de rodada, quem tiver sido mais bem sucedido ganha um selo de excelência, o primeiro a conseguir dois desses marcadores ganha o jogo.
A primeira vista, não é um jogo dos mais atrativos. Eu tomei conhecido dele através do Heitor alguns meses atrás e o Felipe trouxe uma cópia da França, o que também já tem um tempinho. Em Jaipur, nós temos seis tipos de mercadoria: Diamante, Ouro, Prata, Tecido, Especiarias e Couro. Os três primeiros são os mais valiosos e não podem ser vendidos sozinhos, é necessário no mínimo dois. Cada mercadoria tem uma determinada quantidade de fichas de valor. Começando com um valor mais alto e decrescendo aos poucos. É uma questão de oferta e demanda. É bom tentar vender os produtos menos valiosos o mais rápido possível para pegar as fichas correspondentes de maior valor.

Além das cartas de mercadoria, existem também os camelos. No início do jogo, são posicionadas três cartas desse tipo no meio da mesa, que representa o mercado. Os jogadores recebem cinco cartas, o que for camelo será posicionado aberto na frente do jogador. O restante das cartas vai formar o deck de compras. Serão retiradas dele duas cartas para completar o mercado, que deverá ter sempre cinco cartas disponíveis.

Na sua vez, o jogador tem a opção de: comprar, vender ou trocar mercadorias. Na compra é escolhida uma das cartas disponíveis no mercado (o limite da mão é sete cartas). Na venda é descartada quantas cartas de mercadoria o jogador desejar, pegando as fichas de valor correspondentes (só pode ser vendido apenas um único tipo de mercadoria de cada vez). Quando ocorre a venda de três, quatro ou cinco mercadorias de uma única vez, além das fichas de valor, é recebida também uma ficha de bônus. Na troca é onde entram os camelos na história. Só é possível pegar mais de uma carta no mercado através de troca. Para isso, pode-se utilizar cartas da mão e/ou então os camelos. É claro que utilizá-los é muito mais vantajoso. Importante: se for pegar camelos no mercado, é obrigatório levar todos os disponíveis. Existe uma ficha de bônus por maior quantidade de camelos no final da rodada, que tem duas formas de acabar: Quando as fichas de valor de três mercadorias acabam ou quando o deck de compras acaba.

O Felipe venceu por 2X0, mas ambas as rodadas foram bem equilibradas. Na primeira, ele vendeu muita mercadoria de valor mais elevado e pegou o bônus dos camelos. Achei que fosse ficar bem atrás na pontuação, mas depois de contar vimos que a diferença foi justamente a ficha bônus dos camelos. Na segunda, eu fiquei com ela e ainda peguei uma outra ficha bônus de venda cinco. Mas, novamente, ele vendeu mercadorias de maior valor e venceu. Não consegui fazer uma venda de diamantes. ¬¬

É um bom jogo para duas pessoas. Como eu já disse antes: é rápido, fácil e divertido. Além de ter uma visual bastante agradável e componentes de qualidade. As fichas de valor de mercadoria são bem bonitas, as cartas tem uma boa gramatura e o insert é muito funcional, além de ser uma graça. Se ainda resta alguma dúvida sobre a excelência do jogo. Jaipur está na lista recentemente publicada pelo Fel Barros no Redomanet dos melhores jogos para duas pessoas e ele é uma autoridade no assunto. Além disso, o jogo está em 10º no Family e 106º no Geral do BGG.

Depois disso, foi a vez do complicadinho Ninja Dice, mais um joguinho de Kickstater. Ele tem uma embalagem fofa demais e confesso que esse foi um dos principais motivadores para querer jogá-lo. Afinal, nem o tema nem a mecânica despertaram grande interesse. A dificuldade começou com o Felipe lendo o manual e não conseguindo entender. Se não me engano, ele já tinha tentado jogar com o Shamou sem sucesso no último Guadalupeças. Começou então a procura por vídeos, mas o pouco que encontramos, a maioria era só review sem gameplay. Então, chegamos ao Tom Vasel, sempre salvador.

Mesmo assim foi difícil. Ele via um pouco do vídeo e parava para olhar o manual. Assim foi até o final. Você deve estar se perguntando: Afinal, qual a dificuldade tão grande que pode existir em um Dice Rolling? Bom, a questão é que em Ninja Dice temos rolagem de dados simultânea e regras de posicionamento dos dados, que interferem um no resultado do outro.

O jogo que se desenvolve em três turnos. Cada jogador é um ninja invadindo uma casa para roubar o tesouro. A casa é representada pelos dados pretos, no primeiro turno são rolados quatro dados e mais um é adicionado para cada novo turno. Nos dados da casa temos fechadura, guardas e residentes. Nos dados do ninja temos fight, stealth, pick, wild, fortune e block. E ainda temos os dados que são rolados por outro jogador para atrapalhar que são arrow, block e hourglass. Os dados da casa são rolados primeiro e os demais simultaneamente. Cada jogador começa com três de dinheiro.

Para passar por um dado de guarda ou residente, o jogador precisa de um dado de fight ou stealth, porém precisam ser iguais. Se são dois dados de guarda, não é possível passar com um dado de fight e outro de stealth. Para as fechaduras é preciso pick. O wild serve como coringa, só não pode ser utilizado como fortune. Fortune tem o poder de quadruplicar o dado que está a sua frente. Nisso a distinção guarda e residente pode atrapalhar, até onde pude perceber é o único efeito prático.

O block é para evitar o arrow de outro jogador. Se um dado arrow é rolado na frente de qualquer outro dado que não seja block, o jogador perde um de dinheiro para o seu adversário. Isso tanto vale para o jogador ativo que está sendo atacado quanto para os demais jogadores que também são atacantes. É a guerra dos ninjas, todo mundo tentando atrapalhar todo mundo. O hourglass é posicionado ao lado da casa, se forem completados quatro e o jogador ativo ainda não tiver conseguido passar pela casa, ele perde e sai sem ganhar nada.

Enquanto não saírem os quatro hourglass, o jogador ativo pode re-rolar seus dados quantas vezes quiser em busca do resultado mais favorável. Ele pode utilizar um determinado dado na casa e rolar novamente o resto, mas também pode desistir se achar que não irá conseguir ou que está perdendo muito nos ataques inimigos. Quando desiste o jogador ganha um de dinheiro para cada dado utilizado. Quando consegue vencer a casa é um de dinheiro para cada dado da casa  e respectivamente por turno um, dois e três de bônus.

 

 

 

Demorei um pouco para entender o jogo e ainda tenho um pouco de dificuldade com a posição dos dados. Mas achei bem bacana essas inovações, são enriquecedoras. Dice Rolling é uma mecânica bem repetitiva e que está muito em evidência. Toda hora temos jogos desse tipo sendo lançados, então é preciso um diferencial. Já disse que a embalagem do jogo é fofa, né? As moedinhas também são muito lindinhas. Só os dados que são meio sem graça, mas aí acho que já era querer demais.

Minha grande crítica é vai para o manual, que é confuso. Os criadores do jogo podiam ter feito vídeos de  gameplay também. O jogo veio com uma expansão de acrescenta Locations Cards, mas a gente não conseguiu entender direito como funciona porque mais uma vez a explicação é falha. Custava muito colocar a imagem de uma carta como exemplo e detalhar cada item?

Ah! Esse eu ganhei de lavada, fiz mais que o dobro de pontos que o Felipe. É muito Can’t Stop no BGA. Acho que eu tenho um bom equilíbrio entre continuar e parar, a menos que role muito azar nos dados. O fator sorte também está presente no Jaipur e me prejudicou bastante, porque as mercadorias boas sempre saiam quando era a vez dele.

Foram dois joguinhos pequenos, mas foi um início. Até porque, esse final de semana, eu estava de plantão no trabalho. No domingo, não jogamos em casa porque fomos à Festa do Japão. Estava tendo um workshop bem legal de Go lá. Mais uma vez tomei uma surra do Marco Curvello. Uma pena que não pude chegar mais cedo. Queria ter jogado mais, gosto muito Go, apesar de ser péssima.

 

Voltando ao assunto jogatinas caseiras, agora é tentar aumentar o ritmo ou pelo menos manter, estreando os inéditos e não deixando os demais abandonados. É legal ter um armário cheio de jogos, porém é ainda mais bacana colocá-los na mesa. Jogar em eventos é bom, mas eu gosto muito de jogar em casa também. É um ambiente mais tranquilo, uma boa forma de relaxar depois de um dia estressante.

Tenho pensando em algumas coisas para o blog. A ideia de fazer vídeos não morreu, apesar dos problemas que praticamente inviabilizaram o Guerra do Anel. Acho que tentei começar muito do alto. Estou querendo tentar coisas mais simples, jogos rápidos que não precisem de edição ou que sua necessidade seja mínima. Tudo com câmera em primeira pessoa, para quem estiver assistindo tenha a mesma visão que teria se estivesse jogando. A ideia seria focar mais em gameplay do que em explicação de regra. Sou melhor escrevendo do que falando, mesmo que seja para uma câmera. Os vídeos funcionariam como complemento dos textos.

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Pacotão Funbox: Coup, Cook-off e Shift

A Funbox é uma conhecida locadora de jogos de São Paulo, que entrou ano passado no ramo de publicação. O primeiro lançamento foi o divertidíssimo party game nacional Cook-off do Luis Francisco. Nessa experiência inicial como editora, a Funbox parecia estar testando o mercado com um jogo despretensioso. O que, na minha opinião, foi uma decisão bastante acertada. Depois disso, veio o fenômeno Coup. Mais um party game, porém gringo e trazendo um diferencial que foi certeiro na estratégia de marketing: uma arte própria e exclusiva. Devo confessar, que torci o nariz, a princípio, para essa mudança. Mas hoje até prefiro a nossa arte, tem um estilo forte, com personalidade. Não é por acaso que a galera lá de fora ficou louca por ela.

Pegamos na pré-venda o pacote do Coup com o Cook-off, que ainda não tínhamos comprado em razão do número mínimo de jogadores ser muito alto. Mas como o preço estava ótimo, resolvemos não perder a oportunidade. Depois, ainda entrou o Shift na história, um cardgame bem incomum em que os jogadores lutam utilizando uma única carta. Foi mais um dinheirinho para complementar.

Quando recebemos o pacote fomos incrivelmente surpreendidos com a excelente qualidade do material. O Felipe falou que estava se sentindo dando prejuízo à Funbox e acho que isso resume bem nosso nível de satisfação. Não há do que reclamar, todos os componentes estão sensacionais. O único problema que tivemos foi com os sleeves, que vieram um pouco pequenos. Em razão disso, uma carta foi danificada. Mas tão logo entramos em contato para relatar o problema, eles nos mandaram novos sleeves e uma outra cópia da carta.
 
Agora chega de elogios à Funbox e vamos tratar dos jogos. Começando pelo Coup, o principal do pacote, que é um gateway muito bom. Ele é bem fácil, rápido e divertido. Em geral, sempre rolam várias partidas seguidas. O blefe é seu principal elemento, o que faz com que ocorra bastante interação entre os participantes. O jogo é composto por três cópias de cinco personagens diferentes. Cada jogador recebe duas cartas e duas moedas. Durante o turno apenas uma das ações possíveis pode ser escolhida, são elas: Pegar uma moeda, Pegar duas moedas (pode ser bloqueado pelo Duque), Eliminar uma carta de alguém pagando sete moedas (não pode ser impedido e se juntar dez moedas, essa ação é obrigatória) ou fazer uma ação de personagem.

A ação de personagem pode ser de qualquer um que o jogador quiser, independente de tê-lo ou não na mão. Porém, se for contestado terá que mostrar a carta para provar que é quem diz ser. Se for pego na mentira perde uma carta, mas se estiver falando a verdade quem perde a carta é o jogador que contestou. Quem fica sem cartas na mão é eliminado, vence aquele que sobreviver por último. Acho que a vantagem do Coup quando comparado com outros jogos de mesmo estilo, como Love Letter e Mascarade, é que ele é mais agressivo e direto, além da maior relevância do fator habilidade sobre a questão sorte.

Continuando na linha “atrapalhar o coleguinha” está na hora de Cook-off. Um divertido party game nacional criado pelo Luis Francisco. Adorei esse jogo, é também bem rápido e simples. Porém no lugar do blefe entra a sabotagem. Aqui cada jogador é um chefe de cozinha, que tenta atrapalhar os concorrentes enquanto luta para conseguir preparar seus próprios pratos. São dez turnos, em cada um deles os jogadores escolhem secretamente três cartas de ação, colocando-as na ordem em que devem ser realizadas. Depois que todos já tiverem posicionado suas cartas, a primeira é revelada e seus efeitos aplicados. Antes de revelar a próxima, os jogadores tem a opção de mudar a ordem de suas cartas restantes.

As cartas são: Preparar, Cozinhar, Pegar Ingredientes, Dobrar e Sabotar. As duas primeiras são verdes e as três últimas vermelhas. Um jogador quando utiliza uma ação de carta verde não pode ser sabotado. Cada um tem o seu tabuleiro individual que representa a sua cozinha, todos começam o jogo com uma carne e dois vegetais. A ação de Preparar passa um dos ingredientes para o fogão e Cozinhar faz com que um dos ingredientes fique pronto e possa ser convertidos em pontos de vitória. A carne precisa Cozinhar duas vezes e só pode ser feita no grill. A ação de Dobrar é muito boa para conseguir finalizar uma carne no mesmo turno. Essa ação permite fazer duas vezes a ação da próxima carta. Ela é boa também para Sabotar.

Existem dois tipos de sabotagem: 1- Roubar um ingrediente da panela ou do grill (não vai para o jogador que fez a sabotagem, mas para o estoque geral) e 2- Inutilizar uma panela ou grill. A segunda é a pior, principalmente se for o grill. A carne vale seis pontos, enquanto os vegetais valem apenas dois. Os jogadores só recebem os ingredientes iniciais, após isso é necessário utilizar a ação Pegar Ingredientes para poder preparar novos pratos e ganhar mais pontos.

Para se livrar das sabotagens é necessário fazer a ação de Limpar, para isso o jogador perde um turno inteiro. O tabuleiro individual fica virado para baixo indicando tal ação. Cada sabotagem bem sucedida dá um ponto de vitória. Se o jogador terminar o jogo com o grill ou panelas sabotadas perde dois pontos para cada sabotagem. Os vegetais dão menos pontos durante o jogo, porém quem tiver mais deles no final ganha três pontos extras e o critério de desempate também é por maior quantidade desse tipo de alimento.

Eu gostei muito desse jogo, tem um tema diferente e um visual muito bonito. A única pena é precisar de um mínimo de quatro pessoas, acho que só jogarei em eventos. Cook-off é extremamente agradável, os turnos passam em um piscar de olhos. Achei o jogo com uma mecânica bem fechadinha com a temática, algo que valorizo bastante. Tinha ouvido algumas críticas que diziam que o jogo era “zoneado”, um lance meio Munchkin. Isso não poderia estar mais longe da verdade. Existe sacanagem com o coleguinha, mas nada que se compare. Até porque o problema do Munchkin não é esse, mas a forma como isso pode tornar o tempo de jogo extremamente longo. Além das piadas que se desgastam muito rápido, só tem graça nas primeiras vezes, quando ainda é novidade.

Continuando no assunto cardgame, chegamos ao Shift, mas aqui a zoeira fica limitada só a aparência das cartas. A mecânica é bem séria, não se deixe enganar pelo tamanho. Shift é uma batalha em que cada jogador utiliza apenas uma carta. Cada lado trás informações de ataque, defesa e poderes diferentes. Eles são numerados e chamados de gear, a ação chamada de shift é justamente para subir para a próxima gear. Quando essa ação é feita não pode haver ataque, a menos que se queime um espírito para isso.

Cada jogador tem cinco marcadores espirituais, a medida que vai tomando dano, eles podem ser utilizados para queimar o espírito. Além de permitir a realização de shift e ataque no mesmo turno, também são utilizados na defesa, é o que chamamos Defesa Espiritual. Ela utiliza o valor de uma gear acima. Existe também a Defesa Ativa, que soma o valor da sua gear atual com o de uma gear abaixo. Após a realização de ataques ou defesas (ativas ou espirituais) é realizado o Downshift, que é quando os jogadores voltam à gear inicial.

Cada gear tem poderes diferentes que podem ser ativados durante o ataque. O jogador escolhe um desses poderes, chamados Modificadores e que são divididos em: Alfa, Beta e Ômega. Para realizar a ativação de um poder é necessário uma rolagem de dados para verificar o sucesso. Existe também o poder Delta, mas esse é passivo, ele fica ativo só de o jogador estar naquela gear. O que pode ocorrer é uma dependência de eventos para um Delta ser válido.

Alguns modificadores vem acompanhados de um símbolo de poder adicional que chamamos Crítico. Para ativá-lo é necessário que o resultado da rolagem de dados ocorra na mesma ordem mostrada na carta. Na ativação “normal” a ordem dos dados não importa, tanto faz T+H ou H+T. Porém, se o modificador tem um Crítico e a ordem mostrada é T+H, então um resultado H+T ativa o modificador, mas não o Crítico.

O jogo termina quando um dos jogadores recebe mais um ataque após já ter recebido cinco de dano e já ter queimado todos esses espíritos. Lembrando que o tomar dano, o jogador perde um marcador espiritual, mas que esse fica disponível para ser queimado. É uma ação espiritual, como uma espécie de esforço maior que o personagem faz. Existem poderes de cura no jogo, tanto para desvirar um marcador já queimado, quanto para retornar um marcador da área de dano para a área inicial.

Dos três jogos, esse último é certamente o mais complexo e tanto o manual quanto a iconografia dele não ajudam muito. Foi o que eu menos gostei, achei que ele é desnecessariamente complicado. Além de ser um pouco repetitivo. Mas é um jogo rápido e compacto, bom para matar o tempo, se não tiver nada melhor. Ele é para dois jogadores, mas tem uma regra no site da Funbox para jogar em dupla. Também pensei que deve ser interessante jogar no estilo TodosXTodos, deve ser o caos. Talvez, um dia eu tente.

Todos os jogos estão disponíveis no site da Funbox com preços muito bons. Além dos citados no texto, ainda tem o For Sale, que peguei na época que ainda era Meeple Virus, também um ótimo party game; Bullfrogs que peguei no financiamento, mas dá para comprar como pré-venda e agora o Neuroshima Hex, que ainda não decidi se pego. Afinal, não dá para comprar tudo. Mas é perceptível a evolução da Funbox como editora, começando a pegar jogos mais pesados. Já temos anunciados como próximos lançamentos Flash Point e Ascension.

Torcendo muito para que continuem assim, evoluindo sempre e mantendo a qualidade. Minha única crítica é o aparente abandono dos nacionais, só tivemos o Cook-off e mais nada. Eu entendo a complicação envolvida no negócio. Um lançamento gringo é muito mais seguro e rentável, porque geralmente é um jogo já conhecido e querido pelo público. Enquanto que um nacional é tiro no escuro, é necessário começar o trabalho do zero. 

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Gran Circo

Gran Circo foi o responsável por me fazer descobrir que se produzia jogos com nível internacional no Brasil. Foi um dos primeiros da minha coleção e o que me fez começar a prestar atenção ao mercado nacional. Eu sou uma grande admiradora do trabalho do Marcos Macri com a sua MS Jogos, os lançamentos são em tiragens limitadas para manter o alto padrão de qualidade e o excelente preço.  Em geral, são jogos em formato Euro com dificuldade entre leve e moderada.

Não sei como pude depois de mais de 6 meses de blog e chegando ao post 50, ainda não ter escrito sobre nenhum jogo desse game designer incrível que é o Marcos Macri. Mas estamos corrigindo isso agora, pois chegou agora no início do mês de agosto a 2ª edição do Gran Circo. Se você, caro amigo leitor, deixou passar a 1ª edição, chegou a hora de corrigir o seu erro.

A primeira vez que o Felipe apareceu com esse jogo em casa, não levei muito fé, pois não sou muito fã da temática. Aqui cada jogador é um dono de circo disputando com os demais para ver quem será o mais bem sucedido. É necessário contratar os melhores artistas, realizar melhorias, colocar barraquinhas e fazer propaganda. Mas você não estará só, existem os parceiros para ajudar. São quatro turnos, no segundo e no último, são realizados os espetáculos. São eles que determinaram as pontuações e o vencedor, os outros turnos funcionam como uma espécie de preparação.

Em Gran Circo, temos o tabuleiro principal representando um picadeiro, onde vai acontecer a maior parte das ações e cada jogador tem seu tabuleiro individual. Além disso, temos o mini tabuleiro da cooperativa, que também traz também a tabela de renda e uma espécie de lembrete do que faz cada parceiro. O número de artistas e parceiros irá variar de acordo com a quantidade de participantes do jogos que comporta de 3-5 pessoas. A 2ª edição vem com regra para 2 pessoas, mas essa e outras novidades serão comentadas depois.

Os artistas devem ser embaralhados e arrumados em 4 pilhas iguais viradas para baixo. As melhorias, propagandas e barraquinhas também devem ser embaralhadas e organizadas em pilhas separadas igualmente viradas para baixo. Cada jogador irá receber 3 fichas de artistas, elas vem com um valor numérico que irá determinar sua renda no turno. A qualidade do artista é determinada pela quantidade de estrelas que ele possui.

O dinheiro serve para comprar as propagandas, melhorias e barraquinhas que ficam devidamente posicionadas no centro do tabuleiro principal. Depois vem a escolha dos parceiros, começando do jogador inicial (que tem sempre um critério aleatório, aqui é o último que assistiu um espetáculo circense) e rodando em sentido horário cada jogador irá escolher um parceiro. Na escolha do segundo parceiro roda ao contrário, começando pelo último e terminando no primeiro jogador. Não é permitido pegar dois parceiros iguais.  
Agora o jogo começa, cada  jogador deve colocar um artista na área do picadeiro que representa o circo de outro jogador. Para colocar em seu próprio circo só utilizando o parceiro Caça-Talentos, isso é bom quando você tem um artista 3 estrelas na mão. Os circos não podem ter artistas repetidos, é aqui que começa a sacanagem dessa fase do jogo. É a parte que eu mais gosto, porque é o momento atrapalhar os coleguinhas. Ao término da distribuição, cada circo deve ter três artistas. Aqueles que estiverem repetidos deverão ser colocados na Cooperativa. Mas ainda existe uma salvação, o parceiro Empresário. Ele permite trocar um artista seu com o de qualquer outro jogador. Não pode ser impedido. Só não pode trocar artista que tenha sido colocado utilizando Caça-Talentos.

  
Terminada a distribuição, os jogadores colocam os artistas em seus tabuleiros individuais. Alguns artistas possuem uma faixa atrás de si, o que permite que formem duetos quando colocados lado a lado, o que dá mais pontos no espetáculo. Sempre que novos artistas forem chegando é permitido reorganizar a ordem em que os mesmos estão posicionados. A distribuição dos artistas vai ficando cada vez mais tensa a cada novo turno, pois a regra da repetição inclui todos os artistas em seu circo.
Depois vem a fase das compras, começando pelo jogador inicial e rodando para a esquerda, cada jogador pode comprar um item, que pode ser uma das fichas dispostas no picadeiro ou um artista da cooperativa pelo seu preço +1. O parceiro Investidor permite comprar por -1 no picadeiro e -2 fora dele, pois as peças que sobrarem depois que todos tiverem efetuados suas compras, são colocadas a parte. Mas só poderão ser compradas em um próximo turno e apenas com esse tipo de parceiro. O parceiro Sócio permite comprar sem pagar custo um artista da Cooperativa. Não há limite para comprar, o jogador pode gastar todo o dinheiro que tiver a sua disposição ou então comprar só o que lhe interessar, guardando o restante para o outro turno. O dinheiro é acumulativo.

No próximo turno, depois das fases já descritas acima, teremos o primeiro espetáculo. Para contar a pontuação o manual sugere começar pelos artistas, cada estrela vale um ponto. Depois confira os duetos, eles também valem um ponto. A pontuação das propagandas é variável, mas é fácil de identificar graças a excelente iconografia. Com a pontuação das melhorias ocorre o mesmo, mas existem dois tipos: ligadas a artistas, não considero muito vantajosas e as chamadas Especiais, essas sim, são muito boas.

As barracas podem causar uma certa dificuldade de entendimento. Primeiro ponto, elas não podem ser repetidas. Depois, elas não são acumulativas. O valor que será recebido é o correspondente a última barraca. Cada local de barraca tem um valor em dinheiro e um valor de estrelas. Elas não pontuam muito, mas dão bastante dinheiro. O que compensa, pois são bem baratas. Além disso, no último espetáculo todo dinheiro acumulado é revertido em pontos na proporção 3X1. As propagandas e barracas são retiradas de jogo e devolvidas à caixa depois do primeiro espetáculo. Para o próximo, novas precisarão ser adquiridas.

O vencedor do jogo é aquele que somar mais pontos com seus dois espetáculos, em caso de empate temos critérios para desempate, são eles respectivamente: mais artistas, mais melhorias e mais dinheiro.

Agora, vamos às novidades da 2ª edição. Além da já citada regra para 2 jogadores, o jogo foi originalmente pensado para ser 3-5 participantes e funciona muito bem com essa quantidade, temos também uma nova arte de capa e 3 mini expansões: Administradora, Apresentador e Bônus por Melhorias.

Começando pela nova arte da caixa, ela está bem bonita, trazendo em destaque o Apresentador e com alguns artistas. Não curti muito o tom rosa utilizado no lado esquerdo e substituiria o Domador por algum outro artista, sou contra animais em circos e zoológicos (é uma questão pessoal). Enfim, prefiro a capa da 1ª edição. Tem uma boa combinação de cores (azul e vermelho) com as letras amarelo e laranja combinando com a roupa do único artista na capa, o Homem-Bala. É uma capa mais sóbria e harmoniosa, na minha opinião.

Vamos as expansões: a administradora é uma ficha coringa que todo mundo possui, podendo ser utilizada uma única vez no jogo para uma de três finalidades especificas: Na fase de compra, ela pode dar desconto de -3 ou permitir uma barraca de cor repetida. Durante o espetáculo, conquistar os 3 pontos de uma melhoria especial sem que os pré-requisitos necessários tenham sido cumpridos.

O apresentador vem em uma quantidade de 10 fichas, sendo de 5 tipos diferentes. Eles devem ser embaralhados e separados em uma relação 2X1 de acordo com número de jogadores. Depois da escolha dos parceiros, cada jogador pode escolher pagar 2 de dinheiro para contratá-lo. Após o espetáculo, ele é retirado de jogo, assim como as barracas e propagandas. Durante a partida, cada jogador só poderá contratar no máximo dois apresentadores, um para cada espetáculo. Mais uma vez a iconografia das fichas não deixa dúvida sobre o que cada tipo faz.

Os bônus são 4 fichas numeradas de 1 a 4 e que o jogador ganha ao comprar sua sexta melhoria. O primeiro vai ganhar a de maior valor e assim vai indo sucessivamente. A quantidade de fichas bônus em jogo deverá ser proporcional ao número de jogadores, sendo retiradas em caso de necessidade as de menor valor. Em um jogo com 5 jogadores, o último a realizar sua sexta melhoria ganha um ponto na hora. A pontuação das fichas bônus só é contabilizada no final do jogo.

Agora, vamos as primeiras impressões: Achei a administradora fraca, por ser uma peça de uso único no jogo, acho que ela tinha que fazer alguma ação mais apelona. Só vejo vantagem no desconto de -3. O apresentador é o melhor, ele realmente acrescenta algo novo. Ele é uma espécie de melhoria especial só que em forma de personagem, mais barato e com potencial de gerar mais lucro. O fato dele ser eliminado depois do espetáculo é para equilibrar. Estou bem curiosa para experimentá-lo. Já os bônus de melhoria parece ser mais um incentivo, talvez pela razão que eu apontei mais acima, quando comentei esse item do jogo. Tirando as melhorias especiais, as restantes não oferecem tanta vantagem.

Deixei para o final a regra de 2 jogadores, desde que foi anunciada fiquei super curiosa e ansiosa por ela. Qualquer jogo com mínimo de 3 jogadores é um pouco problemático lá em casa, pois em geral, jogamos sempre só eu e Felipe. Jogos com mais gente só em eventos ou quando recebemos visitas. No primeiro caso, preferimos jogos que não temos. No segundo caso, geralmente acaba rolando jogos mais casuais. Porém, ao ler a primeira linha da regra uma onda de decepção veio sobre mim: “Em uma partida com dois jogadores, haverá um terceiro jogador imaginário.”

Como assim, um jogador imaginário? Que tipo de regra é essa? Achei extremamente forçado. Também deve ser bem chato, porque os jogadores ficam se revezando no controle desse fantasma. O jogo segue todas as regras de uma partida de três, com algumas exceções: Nosso amigo Gasparzinho não tem parceiros, portanto só haverá um de cada tipo em jogo. Ele possui uma renda fixa de 6 e suas ações são sempre primeiro e de uma vez só. Ele coloca todos os seus artistas no picadeiro e compra sempre o máximo que puder, se sobrar dinheiro, o mesmo é devolvido para caixa.

Marcos Macri é um excelente game designer e também mágico profissional, ainda assim não tem como fazer essa regra encaixar na mecânica do jogo, sem que ele fique parecendo deformado. Imagino que deva ter ocorrido reclamações quanto do mínimo de 3 jogadores e por isso tenha sido criada essa regra de 2, mas ela é um grande e infeliz equívoco.

Agora deixando esse fato de lado, recomendo fortemente Gran Circo. É um dos melhores jogos nacionais que já joguei, muito divertido e com material de ótima qualidade, além de bem bonito. Sua curva de aprendizagem não é muito alta, então é tranquilo juntar na mesma mesa jogadores novatos e experientes. A temática leve e o bom nível de interação ajudam na receptividade. O tempo de jogo também é outro fator que considero positivo. Não tem como ficar arrastado ou chato, ele mantém o ritmo do início ao fim. Comprando até o dia 11, o frete é grátis. Então, esse jogaço vai sair por menos de R$100. Está esperando o quê? Lembrando que a edição é limitada, são apenas 200 cópias.

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Guadalupeças – Especial Vaporaria

Ontem rolou mais um Guadalupeças, o destaque desse mês foi Vaporaria da Riachuelo Games. O jogo está em sua reta final de criação e o início do financiamento coletivo no Catarse está previsto para Outubro. A versão apresentada no evento ainda está longe da que deverá ser oferecida ao público, mas já deu para sentir um gostinho a mais. As miniaturas estão muito bonitas. Os Tripedens, que são os alienígenas inimigos, estão finalizados. Já os Mechas, robôs gigantes utilizados pelos humanos, ainda sofrerão adaptações. Para completar, teve também o prédio da Monst3r Factory que está lindão. Hoje, o pessoal da Riachuelo Games, colocou em seu site um texto recheado de informações.
Além do Vaporaria, eles trouxeram também o Fortaleza de Berdolock com várias minis e acessórios pintados. O jogo é um print and play que será oferecido gratuitamente, mas se você quiser montar aquela mesa bonita é só comprar os componentes. O trabalho da Riachuelo Games com miniaturas é muito bom, como se pode ver pelas fotos, e o preço bem acessível. 
Tanto Vaporaria quanto Fortaleza de Berdolock fizeram bastante sucesso e tiveram mesa cheia durante todo o dia. Fiquei só na porradaria Mechas X Tripedens mesmo, esses lances de grupo de Heróis invadindo Masmorra não é comigo não. Se bem que estava tão bonito que deu até vontade de experimentar.

Comecei meu dia jogando um Boss Monster básico, meu vício atual. Quanto mais eu jogo, mais eu gosto dele. É rápido e fácil, sem ser bobo. Tem um bom equilíbrio entre sorte e estratégia. Depois fui de Vaporaria, mais uma vez com os humanos. Da próxima, vou querer jogar com os alienígenas para sentir a diferença. Após a partida conversamos um pouco e fiquei sabendo sobre boa parte do que foi divulgado hoje. Se eu não fosse tão preguiçosa podia ter “feito uma exclusiva” publicando o post ontem.
Depois do almoço nada mais temático do que um Cook-off, um party game nacional muito divertido. O jogo é uma disputa entre chefes de cozinha. Eu adoro o Gordon Ramsay e os realitys de culinária em geral, imagina se os participantes pudessem sabotar uns aos outros. A gente pegou ele junto com o Coup, que foi o próximo a ver mesa. Outro jogo rápido e divertido com bastante sacanagem com os amiguinhos, só que agora com muito blefe. O objetivo é eliminar os oponentes, segue a linha de Love Letter e Mascarade, só que mais direto e agressivo. O trabalho da Funbox em ambos os jogos foi sensacional, depois vou ver se faço um post só para falar sobre eles.

Fechei meu dia com o fantástico The Castles Of Burgundy, um Eurão que tem como diferencial a rolagem de dados como componente central da sua mecânica. O jogo é super tenso do início ao fim porque sorte e estratégia andam lado a lado. O tabuleiro principal é divido em 6 áreas onde ficam as construções e mais uma área a parte de onde é possível pegá-las utilizando dinheiro. Quando você pega, elas vão para uma área intermediária do seu tabuleiro individual, que é divido em cores diferentes de acordo com o que se pode colocar ali. Além disso, cada espaço possui um número, é preciso tirar um valor igual no dado e ainda já ter algo construido adjacente. Claro que existem modificadores, mas mesmo assim é bem complicado, porque é tudo muito limitado. A dificuldade para fazer as coisas já é uma característica normal dos Euros, a utilização dos dados potencializa isso ainda mais.
Nessa edição também tivemos mais uma vez a presença do pessoal do GoT de tabuleiro. Eles conheceram o jogo na edição passada, disseram que iam voltar nessa para jogar mais e realmente voltaram. Espero que venham sempre e comecem a se interessar por outros jogos.
Meu muito obrigada a todos pela presença em mais um Guadalupeças. Agradecemos a presença da Riachuelo Games, que estará novamente conosco no mês que vem junto com a Ace Studios do Fel Barros, criador do Warzoo, do Gekido e de outros jogos. Vai ser uma edição recheada de nacionais, o que é bem empolgante. Quem me conhece sabe que eu gosto de prestigiar o trabalho nacional e tem tanta coisa boa surgindo. O Guadalupeças e o Turno Extra sempre estará de portas abertas para divulgação do que estiver rolando de bacana. Se você que está lendo esse texto é Game Designer e quiser playtestar seu jogo com a gente, estamos aí. Até mês que vem!!!

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Lançamento do Gekido na Redbox + Entrevista com Fel Barros

Em uma noite de segunda-feira bastante fria, para os padrões cariocas, Fel Barros e seus dragõezinhos conseguiram atrair dezenas de pessoas à Redbox. Foi o lançamento do Gekido, novo jogo do criador do Warzoo. Claro que eu fui lá garantir o meu, já que é edição limitada e havia poucas unidades, graças ao grande sucesso alcançado na Anime Friends.

O jogo depois será comercializado sem as miniaturas, que foram feitas artesanalmente e são lindas demais. O que vai fazer o preço abaixar muito, tendo em vista que essa edição teve um valor bem elevado, na minha opinião. A compra só foi possível pelo poder mágico do parcelamento no cartão de crédito e não comprei o kit completo não, só dois dragões.

 

Um ponto que achei negativo foi o fato do jogo não ter caixa, ele vem em um saquinho genérico, nem uma personalização rolou. Na minha ignorância sobre artesanato e afins, achei que as miniaturas fossem feitas de biscuit ou algo do tipo, então pensei que todo cuidado era pouco. Levei as minhas para casa dentro do estojo da câmera, que é acolchoado. Já imaginando a complicação para levá-las aos eventos e planejando fazer caixas por conta própria.

Mas o Gabriel Ferrarezi, um dos administradores da MD Dragons, a empresa que fez os dragões para o Gekido, deixou um comentário aqui no post para esclarecer minha ideia equivocada, que acredito ser uma confusão bastante comum entre pessoas leigas no assunto. Ele informou que os dragões não são feitos de biscuit, mas utilizando uma massa de polímero da FIMO, produto importado. Bastante resistente a impactos,  os dragões dificilmente quebrarão. O que pode acontecer são encaixes de cor diferentes  desprenderem com manuseio brusco e quedas, mas que são relativamente fáceis de consertar.

Não dúvido da palavra do Gabriel e agradeço pelo esclarecimento, mas continuarei com o plano de fazer as caixas para guardar meus dragõezinhos e tentarei tomar todo cuidado para que não sejam de forma alguma danificados.

Infelizmente, não pude ficar muito tempo, só joguei uma partidinha de Gekido para relembrar. Já tinha jogado na edição passada do Castelo das Peças e estreei meu Coup da Funbox com o sempre  simpático Marco Curvello. Em breve, vai ter post sobre esse jogo, a qualidade está incrível.

Tive a oportunidade de conferir as cartas do Warzoo em sua versão praticamente finalizada e babei com a caixa que a Monst3r Factory fez para o Muffin Games, isso sem comentar os marcadores de acrílico em formato de coração. Cheguei a brincar com o Fel dizendo que os jogos dele possuem um apelo feminino irresistível. São todos muito bonitinhos e fofinhos.

Enquanto escrevia esse post, algumas perguntas vieram a minha mente e resolvi enviá-las para o Fel, que as respondeu com uma prontidão admirável. Desde já quero agradecer por ter sido tão atencioso e gentil. Eu nunca entrevistei ninguém antes, mas acho que para uma primeira vez até que ficou bom.

Confiram aí mais algumas informações sobre Gekido e outros jogos da Ace Studios.

TE: Esgotou com o lançamento de ontem na Redbox? Caso não, como será a venda das unidades restantes?

FB: Não esgotou. Provavelmente, em função da parceria com a Redbox, vamos passar a vender por lá. No mesmo preço.

TE: Já foi divulgado que essa edição com miniaturas foi limitada e que elas não farão parte de uma futura próxima edição do jogo. Confirma essa informação?

FB: Com certeza as miniaturas não aparecerão mais. Quem quiser comprar agora, terá que ser parecido com o que eu fiz para a minha coleção pessoal, pedir um dragão sob encomenda pra Maga.

TE: Se não me engano, também foi divulgado que uma nova edição dependeria de uma questão de demanda. Confirma essa informação? Já foi possível mensurar isso? Haverá uma nova edição sem as miniaturas? Caso sim, já existe previsão de lançamento e valor?

FB: Confirmo e confirmo que teremos uma nova edição também. A recepção ao jogo foi incrível e acima das nossas expectativas. Similar ao que aconteceu com o Warzoo. Sou muito ruim em expectativas. Lançaremos esse ano ainda, com certeza. O valor, como eu falei no Facebook, depende de muitas variáveis, então prefiro não falar nada pra galera não me cobrar depois. Só afirmo que será muito mais barato do que a limitada.

TE: Um fato que me chamou atenção, e causou certa decepção, foi a (falta) embalagem do jogo. Essa edição do Gekido não foi barata e as miniaturas são frágeis. Eu entendo que o fato de terem sido feitas artesanalmente tenha pesado muito no preço. Foi por isso que não houve caixa ou, pelo menos, saquinhos personalizados?

FB: O saquinho personalizado foi só questão de timing. Para a Anime Friends, não conseguimos um prazo seguro para montar os kits. Eu ainda faço (quase) tudo sozinho. O Rômulo, co-designer, e o Cacá ajudaram bastante e ainda assim ficou apertado. A caixa era impossível porque estragaria os dragões no impacto. Essa edição foi pensada para o Anime Friends. Como o público de board mostrou bastante interesse, acabamos ampliando os horizontes, mas esses pormenores não eram nosso objetivo. Agora serão.

TE: Por que a opção por um lançamento direto ao público ao invés de um financiamento coletivo como foi no caso do Warzoo? 

FB: Como eu falei na anterior, o Gekido foi pensado como um “jogo para complementar as miniaturas” o custo de produção e a tiragem seriam baixos e a gente testaria o interesse pelo jogo durante a feira. Fizemos 200 cópias e temos cerca de 30 disponíveis. Acho que o saldo foi bastante positivo e a Ace, salvo algo muito fora da realidade, só usará plataforma de pré-venda de agora em diante.

TE: Quais são os planos para os próximos lançamentos da Ace Studios? Teremos lançamentos direto ou financiamentos coletivos? 

FB: A gente já tem o Muffin Games, o Agentes do S.A.P.O e o Gekido na fila para 2014. Para 2015 temos o Palmares e mais algumas surpresas (autorais também). Provavelmente, tudo por pré-venda.

TE: Achei linda a caixa da Monst3r Factory para o Muffin Games e os marcadores em formato de coração feitos de acrílico, mas por uma questão de custo acredito que aquele não será o produto final. Estou certa? Caso sim, qual a finalidade do protótipo? Se eu estiver enganada, como vocês pretendem lançar o produto por um preço viável?

FB: Será algo bem perto daquilo o produto final sim. Ainda estamos decidindo se ele será uma opção de colecionador (limitado a 100 cópias) junto com a tiragem de mil ou se faremos algo na linha do Gekido, com uma tiragem única de 100 cópias e dependendo da reação da galera, faremos a tiragem grande depois. (mais provável a 2a opção).

TE: Como está o andamento de Agentes do S.A.P.O?

FB: O S.A.P.O está finalizado. Mecanicamente agradou bastante e a arte também está pronta. O projeto visual dele é bastante complexo por ser um jogo de vaza com set collection, mas o pessoal do Otacoiza com a ajuda do Luis Francisco estão fazendo um trabalho fantástico.

TE: Como está o andamento do Warzoo? Dentro do cronograma? Já dá para confirmar a previsão para Outubro ou ainda é cedo? 

FB: O Warzoo é um gigante. A gente tem 40 artes com um ilustrador só, um manual de regras enorme cheio de histórias pro Groo diagramar. A gente achou que de promo, chegaríamos no máximo até as Panteras e no final tivemos que criar mais coisa pra galera. Ainda estamos no cronograma, mas eu não posso cravar a previsão ainda não. O que eu posso assegurar é que sai em 2014. E por isso que se chama previsão, é uma tentativa de data, infelizmente, nem sempre é possível ser tão preciso.

TE: Ainda sobre o Warzoo, aquelas miniaturas misteriosas que você andou mostrando por aí, qual a finalidade delas? Existe algum plano de comercialização ou promoção que as envolva? 

FB: Eu cheguei a pensar numa versão do Warzoo com biombos e você usar a miniatura no lugar da carta (com um player aid pra falar os poderes), mas ficou meio clunky. Como a nossa parceria com a MD Dragons é muito frutífera, a gente deve oferecer algo promocional para os apoiadores sim, mas sem spoilers, por enquanto.

TE: A Ace Studios está uma máquina de produção de jogos. Qual é o próximo lançamento? O que podemos esperar de novidades até o final do ano?

FB: Em ordem, Gekido 2a edição, S.A.P.O e Muffin. Ainda esse ano anunciaremos outros três que estão sendo feitos. Máquina é um termo forte, mas a Ace é full time desenvolvimento de jogos. Eu playtesto/pesquiso e desenvolvo diariamente. Em breve, o Daniel Araújo estará conosco full time na ilustração e aí andaremos mais rápido ainda. É claro que precisaremos espaçar os lançamentos para publicidade e promoção, mas tem muita coisa saindo. Acredito bastante que podemos mudar esse cenário de gente torcendo nariz pro game design nacional e a Ace Studios tem essa missão de oferecer o melhor possível em termos de game design. Cada lançamento, cada ciclo de jogo, aprendemos mais e vamos melhorando. Espero que em 2-3 anos a gente esteja com jogos ainda melhores do que o Warzoo e o Gekido.

Espero que vocês tenham gostado da entrevista. O Guadalupeças de agosto é especial Vaporaria da Riachuelo Games, mas em setembro já estamos agendando um especial Ace Studios. Até lá já deve ter mais novidade rolando para compartilhar com vocês. Ainda não joguei o S.A.P.O e o Muffin, quando forem jogados com certeza serão comentado aqui.

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