Entrevista: Arcano Games no Diversão Offline 2017

Michael Alves é um game designer brasileiro que já lançou alguns jogos de destaque no mercado: Anime Saga, Contária e Zona Mágica. Agora ele se preparar para Triora, novo boardgame no estilo “euro” com uma temática bem curiosa. Nesta entrevista falamos deste título e também de possíveis expansões para Anime Saga, além da nova parceria da editora de Michael, a Arcano Games, com a Meeple Br, parceira nacional. Confira, a seguir:

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Tudo o que você precisa saber sobre o Diversão Offline 2017

O Diversão Offline chega a sua terceira edição tendo se firmado como o maior evento de jogos analógicos no Brasil. Um feito que até pouco tempo atrás muitos julgavam impossível, ainda mais aqui no RJ. Alcançando um sucesso que superou até mesmo as expectativas mais otimistas, teremos pela primeira vez uma edição de dois dias. Isso significa que tudo em dobro, inclusive a dificuldade para organizar aquela agenda básica de atividades para não ficar perdido e aproveitar o evento ao máximo. Mas não se preocupe que estamos aqui para te dar aquela força e indicar o que consideramos como os principais destaque da programação.

EDITORAS E LOJAS:

Ace Studios e Ludeka: No estande da editora carioca será possível jogar futuros lançamentos sendo apresentados pelos próprios game designers. Teremos Romulo Marques com Die die DIE e Wu Xing e Humberto Cotta com Creepers, ambos membros do coletivo carioca de game design Mansão das Peças.

Wu Xing é o mais recente trabalho de Romulo Marques, um dos autores de Gekido. Um curioso jogo com temática de alquimia chinesa.

O estande é divido com a Ludeka, conhecida por seus componentes para jogos, que estará abrigando o pessoal da Moby Studios que vem pela primeira vez ao RJ apresentar o Grasse. Uma parada obrigatória para todos os que gostam de apreciar bons jogos nacionais.

Grasse é um Euro sobre criação de perfumes.

Arcano Games e Meeple BR: A parceria entre as duas editoras vem trazendo em primeira mão para apresentar ao público o seu próximo lançamento. O Triora é um Euro com temática de bruxaria. Ainda temos poucas informações sobre ele, mas nossas expectativas são boas devido aos jogos que o Michael Alves já possui disponíveis no mercado.

Belíssima arte de capa do Triora.

Conclave Editora: A editora mineira vem para ser um dos grandes destaques do evento pela terceira edição seguida. Mais uma vez sendo a única editora a trazer um game designer internacional. François Rouze, autor de Room-25, distribuirá autógrafos e jogará com o público no estande da editora em ambos os dias, no horário de 13h às 15h. Além disso, haverá um painel com ele no domingo na Sala de Palestras a partir das 15h.

Conheça o autor de Room-25 no estande da Conclave Editora.

Domingo será um dia especial para a Conclave Editora na Sala de Palestras. Antes do Painel com o François Rouzé, teremos a palestra especial apresentada pelo Cristiano Cuty e Klebber Bertazzo sobre o que rolou na Gen Con 2017 que está marcada para as 14h30. Todas as novidades de uma das maiores feiras internacionais chegando quentinhas para os participantes da maior feira do Brasil.

Saiba tudo que rolou em um dos maiores eventos do hobby.

Para completar, vai rolar ainda uma mesa especial de Rock N Roll Manager, com a presença do game designer Leandro Pires, no sábado às 15h.

Rock N Roll Manager foi lançado oficialmente no Diversão Offline do ano passado.

Galápagos Jogos: A editora ocupará sozinha uma sala inteira localizada no Mezanino. Assim como na edição anterior, não haverá venda, apenas demonstração dos próximos lançamentos. Tem muita coisa boa para conferir no espaço deles, mas você só vai saber indo lá e conferindo já que os títulos dos jogos estão sendo guardados a sete chaves. Infelizmente, não podemos revelar nada com antecedência.

Galápagos Jogos cheia de segredos.

Game Maker: A empresa carioca que revolucionou a maneira de produzir protótipos e estabeleceu um novo padrão de qualidade no segmento, vem com novidade uma incrível novidade. Eles estão se lançando o serviço de Print On Demand, facilitando ainda mais a relação de game designers iniciantes e independentes com o público.

Era dos Piratas e Bushido, ambos do excelente game designer Sanderson Virgolino.

Confira a agenda do estande e aproveite a oportunidade de conhecer o jogo diretamente com o autor, se gostar já pode comprar a sua cópia e levá-la autografada para casa.

Sábado e Domingo

10h às 12h: Rasher com Alexander Francisco.

12h às 14h: Bushido e Era dos Piratas com Sanderson Virgolino.

Sábado

14h às 16h: Futcards com Frederico Nemetala.

16h às 18h: Unfairy com Guilherme Marques.

Domingo:

14h às 16h: Unfairy com Guilherme Marques.

Legion e Arca dos Jogos: As duas lojas de Niterói abrem as portas de seu estande compartilhado para os paulistas da Potato Cat. Durante os ambos os dias de evento será possível jogar e comprar o Cartas A Vapor com os autores. Além disso, eles estarão apresentando Café Express, seu novo jogo, que já está disponível em PNP no Studio Teia de Jogos e tem previsão de entrar em financiamento coletivo ainda este ano.

Conheça os jogos da Potato Cat.

Mandala Jogos: O estande da editora paulista vai contar com a presença de Warny Marçano que estará, no sábado de de 14h às 16h, apresentando a recém divulgada nova versão do Sapotagem da Ace Studios, agora batizada de Pot-de-Vin, e situado no mesmo universo do fenômeno Coup. O jogo está previsto para ser lançado simultaneamente com a ThunderGryph Games em novembro deste ano.

Saem os sapos e entram os nobres.

Já no domingo, quem visitar o estande da Mandala Jogos terá a oportunidade de trocar uma ideia com a lenda do game design nacional Sergio Halaban. Vai ser uma sessão de autógrafo que vai rolar de 13h às 14h. Marque esse horário na sua agenda. No sábado, a partir das 14h40, tem palestra com ele falando sobre a sua experiência, com certeza será uma verdadeira aula.

Quem essa pessoa ao lado do Sergio Halaban na imagem divulgada pela Mandala Jogos?

Mitra: Uma editora que faz um trabalho maravilhoso com jogos clássicos e que eu acho que mais pessoas precisam conhecer. Além de lançar títulos incríveis dos mais diversos lugares do mundo, uma verdadeira aula de sobre os primórdios dos boardgames, todos os jogos são produzidos com um material muito bonito e de alta qualidade. A Mitra também é uma opção sensacional para quem tem filhos, pois eles têm bastante jogos para crianças, inclusive com uma linha de jogos gigantes. Não deixe de conferir o belo e variado catálogo da editora para conhecer mais.

Um dos meus sonhos de consumo é a Enciclopédia de Jogos da Mitra.

Redbox Editora: A editora carioca cada vez mais tem abraçado os jogos nacionais e traz a programação de seu estande amplamente voltada para a divulgação de seus próximos lançamentos, com a presença dos próprios game designers apresentando seus jogos. Confira os horários abaixo:

Primeiro financiamento de jogo nacional realizado pela Redbox Editora. Previsão de lançamento: Novembro.

Sábado:

10h às 12h: Tsukiji com Leandro Pires e Cangaço com Sanderson Virgolino.

12h às 14h: Papertown com Rodrigo Rego e Labyrinx com Thiago Mattos e Daniel Braga.

14h às 16h: Tsukiji com Leandro Pires e DP6 com Nordan Manz.

16h às 18h: Papertown com Rodrigo Rego e Labyrinx com Thiago Mattos e Daniel Braga.

Domingo:

10h às 12h: DP6 com Nordan Manz e Cangaço com Sanderson Virgolino.

12h às 14h: Tsukiji com Leandro Pires e Labyrinx com Thiago Mattos e Daniel Braga.

14h às 16h: Cangaço com Sanderson Virgolino e DP6 com Nordan Manz.

16h às 18h: Tsukiji com Leandro Pires e Papertown com Rodrigo Rego.

PALESTRAS:

Sábado:

11h30 às 12h30: Representatividade Feminina nos Board Games
Participantes: Aline Costa (Turno Extra), Vanessa (Funbox), Priscila Terra (Board Games Girls) e Patricia Nate (Lady Lúdica).

14h40 às 15h30: Compartilhando Experiências: Sergio Hallaban
Participantes:  Sergio Hallaban (Quartz, Matryoshka e Sheriff of Nottingham).

Domingo:

 10h30 às 11h20: Ilustração no Mercado de Jogos Analógicos
Participantes: Annita “Amedyr” Wright , Daniel Lustosa e Lucas Rodrigues.

11h30 às 12h30: Painel Editorial: Licenciamento de Board Games
Participantes: Aguardando confirmação.

13h20 às 14h20: Painel Editorial: Fatores que Determinam a Precificação de um Jogo
Participantes: Rodrigo Gyodai (Galápagos Jogos), Valdney Rocha (Grow), Cristiano Cuty (Conclave Editora), Jorge Takehara (Mitra), Antonio Pop (Redbox Editora).

14h30 às 15h20: GenCon 2017: O que rolou?
Participantes: Cristiano Cuty (Conclave Editora) e Kleber Bertazzo (Conclave Editora).

15h10 às 16h10: Painel Internacional: Conclave Editora
Participantes: François Rouzé (Room 25).

ÁREA DE PROTÓTIPOS:

Na edição deste ano do Diversão Offline, o Catarse está sendo o responsável pela área de protótipos e está promovendo um concurso, que será decidido por avaliação popular, que irá premiar o jogo mais votado com os primeiros mil reais para ajudar a cumprir a meta da campanha de financiamento coletivo que for realizada através da plataforma. São 14 mesas inscritas e vocês podem conferir a lista completa e detalhada sobre participantes no site do evento.

SALA CARD GAME:

O espaço será administrado pela Copag, Wizard Of The Coast e a Magic Store Brasil e trará nos dois dias de evento torneios diversos de Magic, Pokémon e Battle Scenes. Pensando nos jogadores iniciantes, haverá instrutores preparados para ensinar as regras do jogo de qualquer um dos três jogos. Além disso, a Wizard Of The Coast irá sortear 500 kits para iniciantes de Magic. Confira todos os detalhes de horários e formatos dos torneios no site do evento.

MAPAS DO EVENTO:

PROMOÇÃO TURNO EXTRA NA GAME OF BOARDS:

A cada jogo comprado no estande da loja Game Of Boards, no sábado até às 17h, você ganhará um cartão nosso com um número para o sorteio que será realizado no mesmo dia às 17h30. O ganhador precisa estar presente no local no momento do sorteio, em caso de ausência outro número será sorteado. A Game Of Boards será o maior estande de loja presente no Diversão Offline 2017, toda a estrutura da loja física será desmontada e transportada integralmente para o evento. Não deixe de passar lá para comprar seus jogos favoritos com super descontos e ainda correr o risco de levar esse presentão do Turno Extra. Saiba todos os detalhes da promoção aqui.

A MAIOR COBERTURA DO DIVERSÃO OFFLINE – TURNO EXTRA + GAME FM

Desde a primeira edição do evento sempre nos esforçamos para realizar a melhor cobertura possível, o que resultou em consequência na maior quantidade de vídeos produzidos. Confira as playlists da cobertura das edições anteriores feitas pelo nosso canal.

O fato de termos um jornalista na equipe do Turno Extra torna natural pensar em uma estrutura cada vez mais profissional para cobrir o evento, com uma preocupação maior na informatividade do conteúdo produzidos, por isso um nosso foco principal são as entrevistas.

Este ano além de contar com a experiência jornalistica de Felipe Vinha, veterano de coberturas de eventos internacionais como Blizzcon e E3, teremos também o suporte da galera da GameFM, um grande site de videogames, altamente acostumado a cobrir grandes eventos.

Então fiquem ligados aqui no nosso blog e não deixe de se inscrever também no nosso canal no Youtube. Outra novidade é que vamos publicar sobre o evento ao vivo no nosso perfil no Instagram, siga a gente lá para acompanhar tudo em tempo real.

ASSISTA TAMBÉM O NOSSO VÍDEO DE DICAS SOBRE O DIVERSÃO OFFLINE:

E A NOSSA ENTREVISTA COM A FERNANDA SERENO, UMA DAS ORGANIZADORAS DO EVENTO:

 

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Análise: Anime Saga

Já escrevi mais de uma vez por aqui sobre o quanto o Anime Saga, novo jogo do Michael Alves, lançado pela Arcano Games, me agradou. Tanto é assim que acredito que o Turno Extra deva ser o canal com a maior quantidade de conteúdo sobre ele, todos os vídeos estarão devidamente linkados no final deste post. Acho que vou até fazer uma playlist só do Anime Saga lá no canal. Isso sem contar com os textos que já rolaram  por aqui e que o mencionam de alguma forma. Só faltava mesmo a resenha completa, como a que apresento agora.

Setup montado para três jogadores.

Porém, eu não gostei tanto do jogo apenas pela sua temática, ela apenas serviu para despertar o meu interesse. Temas atrativos e arte bonita servem apenas para atrair o jogador, mas o que segura um jogo na coleção e o faz ver mesa constantemente é uma boa combinação de mecânicas, amarradas por regras consistentes.

Mais do um que algumas cartas bonitas e um tema inusitado.

O Anime Saga é um jogo de cartas que utiliza como temática as famosas animações japonesas. Os jogadores são heróis de um mesmo grupo de aventureiros e lutam contra cartas de desafio e inimigo com o objetivo de ganhar pontos de fama para se tornar o protagonista do anime no término da partida.

Dificilmente, um único jogador vai conseguir vencer sozinho uma carta de desafio ou desafio. Assim sendo, o jogo passa um certo clima cooperativo, reforçado pelo fato de não haver combate direto entre os jogadores. Porém, isso não significa ausência de interação. Ela só ocorre de maneira mais indireta, através do sistema compra e devolução de cartas que será detalhando mais a frente neste texto. 

Um sistema de Card Drafting que mantém todas as cartas em jogo.

O Anime Saga não é um jogo com a proposta de emulação fiel do tema através de sua mecânicas. É possível observar o funcionamento do jogo com um abstrato e me parece que seria relativamente fácil encaixar diferentes temas. Ele funciona através de uma mistura singular de Card Drafting com Hand Management e Set Collection. Porém, isso não significa que o tema está “colado com cuspe”.

O jogo representa bem o tema através do ótimo trabalho com os personagens, cada um deles inspirado em um esteriótipo clássico e com poderes e habilidades condizentes. Um detalhe interessante é que a combinação de personagens é o que faz o equilíbrio do jogo, assim sendo não existe aquele personagem reconhecidamente mais forte. Isso vai variar de acordo com as escolhas feitas pelos demais jogadores. O jogo possui um total de 10 personagens, o que garante bastante variabilidade.

Fichas de personagens do jogo.
Olá, Saber! (Famosa personagem da franquia Fate)

O fato de “forçar” os jogadores a trabalharem juntos para superarem os desafios e vilões e não permitir que haja ataque direto entre os jogadores também é bastante temático, já que estamos falando de um grupo que está em uma aventura junto para enfrentar um mesmo inimigo comum.Os personagens seriam amigos, apesar de cada um desejar alcançar maior fama que os demais. Os animes em geral funcionam muito com o esquema grupo de heróis, mesmo existindo um protagonista. No Japão, a coletividade é muito valorizada em detrimento a individualidade.

Outros pontos que reforçam o tema são as cartas em geral com artes inspiradas em diversos animes e as cartas do tipo Fama, que homenageiam os chamados episódios “fillers” presentes em praticamente todo anime. A nomeação dos locais de posicionamento das cartas também foi uma boa sacada: Episódio Atual, Próximo Episódio e Spoiler. Sempre após um episódio de anime são exibidas algumas cenas do próximo. O Spoiler é porque é algo que acontece com qualquer tipo de programa cuja exibição ocorre em episódios. Isso é reforçado nos animes, pois em geral são baseados em material pré-existente, seja mangás ou light novels, então sempre tem muito comentário sobre coisas que ocorrerão bem mais a frente, seja pela fidelidade ou justamente o contrário.

Os famosos “fillers” não foram esquecidos.
Como jogar:

Após cada jogador receber seu personagem, ele vai escolher suas habilidades iniciais de acordo com a pontuação disponível, que é variável de um personagem para o outro. As demais habilidade restantes podem ser destravadas ao longo do partida. É bem comum que ao término quase todas tenham sido ativadas.

Possíveis escolhas de cartas de habilidades para iniciar a partida.

O que determina a duração da partida é o deck montado a partir da combinação de cartas de desafio e vilão, o tamanho irá variar de acordo com a quantidade de jogadores. As cartas sempre serão posicionadas de maneira intercalada e a última será um Senhor das Trevas, que é o chefão final do jogo. Os jogadores só podem enfrentar as cartas do Episódio Atual, as demais abertas servem apenas para que os jogadores saibam o que enfrentaram mais adiante e possam se preparar.

Todas as cartas de Desafio disponíveis no jogo.
Todas as cartas de Inimigos disponíveis no jogo.
Todos os Senhores das Trevas disponíveis no jogo.

Os jogadores começam com uma mão inicial de quatro cartas, podendo chegar a um limite de até dez cartas. As demais cartas são distribuídas aleatoriamente pelos cinco espaços indicados no tabuleiro formando as pilhas de compras, a parte mais interessante do jogo.

Todas as cartas de ação disponíveis no jogo.

Na sua vez, o jogador deve escolher uma das quatro ações possíveis no jogo: Recuperar vida, Comprar cartas, Contribuir para Desafio ou Enfrentar Inimigo e Realizar ação de cartas. Todas as ações são realizadas de maneira bem simples fazendo com que o jogo tem um downtime bem baixo. Isso porque também é difícil ficar em dúvida sobre o que fazer.

A prioridade é sempre os Desafios e Inimigos, então os jogadores compram cartas para isso. Realizar uma ação de cartas ocorre quando no processo de compras acabasse montando o Set Collection, o momento da utilização vai do andamento da partida. Por exemplo: O jogador não vai usar cura se estiver com a vida cheia, então vai ser melhor guardar as cartas para utilizar em um momento de maior necessidade. O Recuperar vida é uma ação quase não usada, pois recupera apenas um de vida, porém é ação obrigatória quando a vida do personagem é zerada. Anime Saga não possui eliminação de jogadores.

Detalhamento das ações:

Comprar cartas: O jogador deve escolher umas das cinco pilhas disponíveis e pegar todas as cartas nela presente para si. Todas as cartas de ação estão sempre em jogo o tempo todo, seja nas pilhas ou na mão dos jogadores. Elas ficam em constante circulação, pois ao serem utilizadas são devolvidas as pilhas novamente. Começando a distribuição sempre pela pilha com a menor quantidade. Caso haja empate, então o jogador escolhe em qual delas a carta será posicionada. Sendo um jogo no qual uma das mecânicas principais é o Set Collection, para mim esse sistema de Card Drafting se torna o coração estratégico do Anime Saga. O que eu acho muito legal nele também é que nunca tinha visto nada assim em nenhum outro jogo, se não for algo inédito, ao menos é algo pouco usado. Isso para mim conta alguns pontos favoráveis, eu gosto bastante de novas formas de implementação de mecânicas.

O sistema de compra e devolução de cartas é o grande destaque na mecânica do jogo.

Enfrentar Desafios: Para enfrentar tal tipo de carta, os jogadores utilizam cartas que possuam os Atributos solicitados. Existem quatro tipos possíveis e a carta sempre exigirá uma combinação de dois deles. O jogador pontua pela quantidade de cartas jogadas e o progresso no cumprimento do Desafio é marcado em uma carta específica para esse fim. Todo Desafio vem ainda com um Requisito a ser cumprido para evitar um efeito negativo, sendo a combinação de cartas dos tipos exigidos.

Exemplo de jogada para contribuir para um Desafio.
Controlando o avanço no Desafio.

Enfrentar Inimigos: Para enfrentar tal tipo de carta, os jogadores utilizam seus poderes de ataque acrescidos de quaisquer bonificações concedidas por cartas de habilidade, valor rolado no dado e cartas do tipo Combate que forem jogadas. O jogador pontua de acordo com o dano que infringiu efetivamente no inimigo, descontado o valor de defesa fixo que ele possui. Após isso, será a vez do jogador ser atacado. Todavia, o valor de ataque do inimigo, assim como a defesa, é fixo. O jogador tem bonificações também na defesa, além de seu valor fixo, que advém de cartas de habilidade ativas e valor rolado no dado. Assim como nas cartas de Desafio, aqui também temos a exigência de cumprimento de Requisito para evitar Efeito Negativo, porém aqui o solicitado são os Atributos das cartas.

Exemplo de combate com Inimigo.

Realizar ação de cartas: O jogador deve baixar cartas de um mesmo tipo, porém de Atributos (cores) diferentes. Através dessa ação é possível: ganhar pontos de fama, curar e destrancar novas habilidades. Só é permitido realizar uma dessas ações por vez. Quanto mais cartas utilizadas (até o limite de quatro), melhor será o efeito. As cartas de Combate funcionam pela mesma regra de Set Collection, porém são utilizadas na ação de Enfrentar Inimigos.

Exemplo de jogada para utilização de ação de Cura com Set Collection completo.

A diferença entre os conceitos de Tipo e Atributo podem parecer um pouco confusas em um primeiro contato com o jogo. Porém, depois de uma ou duas partidas fica bem claro. Esse é o único ponto que acredito possa gerar alguma dificuldade para novos jogadores.

Um Tipo específico funciona de uma forma diferente das demais, servindo como uma espécie de Coringa. A carta de Troca deve ser utilizada antes da ação do jogador no turno e serve para pegar qualquer carta livremente escolhida. No lugar da carta selecionada é colocada a carta de Troca. Não existe limite de quantidade de cartas desse Tipo que podem ser utilizadas em um mesmo turno.

Olá, Saitama-sensei! (Protagonista de One Punch Man, dos animes mais atuais é o mais famoso)
Conclusão:

Por ter como proposta a conquista de novos jogadores, a complexidade do Anime Saga me surpreendeu um pouco, pois eu esperava algo mais simples. Porém, foi uma boa surpresa, pois não deixa de ser um título interessante para o público mais heavy gamer, não ficando limitado apenas a um gateway.  Eu não joguei tanto o Anime Saga quanto gostaria, mas tive a oportunidade de ensinar bastante e observar ele rodando entre jogadores novatos e vi que a complexidade não é uma barreira significativa de entrada. Depois de alguns turnos em geral os jogadores já estão bem a vontade com as mecânicas, restando apenas dúvidas mais pontuais.

Evento de lançamento do Anime Saga na loja Game Of Boards no RJ.

Como eu já disse antes, a questão da mecânica me conquistou muito. Gostei bastante do esquema de Card Drafting com Hand Management pensado pelo Michael. Nunca tinha visto nada parecido em nenhum outro jogo. Ele é simples de entender, mas complexo para dominar, o que oferece possibilidades de aprofundamento estratégico. Isso dá ao jogo uma curva interessante de aprendizado sem colocar uma barreira de entrada.

Por fim, o que eu considero o ponto mais fraco do jogo. Apesar de ter gostado bastante das referências. Foi bem prazeroso procurar identificá-las. Algumas realmente estão ligadas a personagens específicos, mas a maioria pode ser relacionada com mais de um anime, pelo jogo trabalhar muito com esteriótipos. Eu achei a arte inconsistente, desejando um pouco a desejar. Não chega a ser feia, mas pelo tema esperava algo mais bonito.

Uma arte bem foda. (Imagem retirada do manual)
Uma arte bem mais ou menos. (Imagem retirada do manual)

Mas, eu sou o tipo de pessoa que abandona anime por causa de traço/animação feios, se não tiver uma história realmente muito boa que me prenda a atenção. Assim como, também sou capaz de continuar assistindo um anime por causa de traço/animação bonitos, desde que a história seja minimamente interessante.

Sobre qualidade de componentes, não tenho do que reclamar. Acredito que a Arcano Games já conseguiu estabelecer um padrão elogiável nesse sentido. Duas marcas positivas da editora, na minha opinião, tem sido a boa qualidade material do produto entregue e o respeito aos prazos. Acho que foi a entrega mais rápida de FC que eu já vi.

Marcadores de plástico e dados em detalhe.

Acho que a única ressalva que eu faria em relação aos componentes do Anime Saga é quanto a caixa que achei pequena para comportar o jogo. Fica tudo muito certinho, quase sem nenhuma folga. Não dá para guardar os componentes correndo de qualquer maneira sem que a caixa fique estufada. Eu gastei algumas tentativas para pegar o jeito de como acomodar tudo confortavelmente, é preciso aprender a posição certa de cada componente. Outro ponto é que eu achei a tampa um pouco frouxa demais, fazendo com que a caixa abra com muita facilidade espalhando seu conteúdo ao ser transportada virada.

Componentes arrumados na caixa.

Os problemas que eu vejo no Anime Saga são extremamente pontuais e muito fruto de gostos pessoais. No geral, o jogo tem uma boa qualidade de componentes e regras consistentes que proporcionam uma boa experiência tanto para jogadores novatos quanto para os mais experientes. Para quem gosta do tema, acho um título indispensável na coleção, pois é algo raro. Para quem não é ligado no tema, vale a pena dar uma chance por sua combinação interessante de mecânicas. O jogo está por R$150 na Game Of Boards, nossa loja parceira aqui do canal. Não está muito acima do valor do FC e está justo considerando a quantidade de componentes.

Confira abaixo os vídeos que já publicamos sobre o Anime Saga:

 

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Temas para atrair novos jogadores: animes

Como fã de animações japonesas em geral, fiquei bem entusiasmada quando soube que o Michael Alves, da Arcano Games, lançaria um jogo com esse tema. Mais legal ainda para mim foi saber que o Anime Saga era um projeto visando alcançar um público fora do nosso nicho. Como eu já escrevi por aqui anteriormente, percebo bem pouco sendo realizado nesse sentido. Muito se fala na necessidade de ampliar o público do hobby, mas há uma falta de ações concretas, porque isso significa assumir riscos.
O Anime Saga faz referência aos mais diversos animes em sua arte.
O máximo que temos visto são ações que visam conquistar o público nerd mais amplo, com grandes franquias sendo usadas como temas de jogos. Eu mesma fui atraída para o hobby na época do lançamento do Game Of Thrones LCG pela Galápagos Jogos. E um dos primeiros jogos que joguei, sendo até hoje um dos meus favoritos, foi Battlestar Galactica. Diversos títulos da minha coleção foram adquiridos em virtude da proposta de trazer para mesa a experiência de uma determinada história, entre os mais queridos por mim, estão ainda: Firefly e War Of The Ring.
Battlestar Galactica é um dos jogos mais imersivos que já joguei na vida.

Estão se tornando cada vez mais populares também adaptações analógicas inspiradas em grandes sucessos dos videogames. A versão de tabuleiro para StarCraft produzida pela Fantasy Flight tornou-se um título quase lendário, sendo vendida por valores bem altos por estar fora de impressão, uma vez que a editora não possui mais os direitos de publicação. Um título recente que também tem provocado também grande agitação é Mechs vs Minions, inspirado no fenômeno League Of Legends, sendo produzido pela própria Riot Games. 

StarCraft é o título mais valiosos da coleção, apesar de não estar entre os favoritos.
Porém, os fãs de animes e mangás são tidos como um nicho dentro de outro nicho, quase nada é lançado visando esse público. Geralmente, os jogos que utilizando o tema acabam ficando limitados a adaptações de grandes franquias, que conseguiram superar a barreira do preconceito e atingiram certa popularidade com o público nerd mais geral. Um exemplo recente disso, é a excelente adaptação que a Cryptozoic fez de Attack On Titan para o seu sistema Cerberus de Deck-Building.
Pequenas adições deixaram o jogo bastante temático sem descaracterizar o sistema.

Infelizmente, a maioria das produções japonesas ainda enfrenta problemas de aceitação junto ao grande público, que acaba olhando com um certo desprezo esse tipo de produto. Alguns taxam simplesmente como algo infantil, creio que contribua bastante para essa percepção o fato de sermos uma geração que cresceu assistindo programas como Cavaleiros do Zodíaco e Pokémon. Porém, acho que vale refletir um pouco sobre porque a mesma linha de pensamento não é aplicada aos super-heróis da Marvel e DC, que tem crescido em popularidade nos últimos anos graças ao trabalho realizado nos cinemas e na TV.

Goku vs Superman. Qual deles têm maior chance de te fazer ganhar aquela olhada de lado?

Existe também aqueles que acham que animação japonesa é uma coisa esquisita. Nesse caso, temos uma questão de choque cultural, que acaba vindo acompanhado de um certo preconceito. A pessoa acaba rejeitando quase que de forma automática qualquer anime, desconsiderando que existem variados estilos que são indicados para públicos diferentes, além de se recusar a fazer qualquer mínimo esforço no sentido de entender o contexto por trás de uma determinada obra. Um exercício de raciocínio bastante interessante, pois nos ajuda a enxergar melhor a nossa sociedade através do contraste com outra bastante diferente.

É engraçado notar o quanto a produção japonesa influencia diversas produções ocidentais elogiadas e de grande aceitação por parte do público. Um grande exemplo disso é Avatar: A Lenda de Aang. O elogiado desenho da Nickelodeon traz um forte conteúdo oriental em sua história e estética, mas utilizando de um modo narrativo mais direto. O sucesso foi tanto que gerou a continuação Avatar: A Lenda de Korra, que se aprofunda ainda mais em diversos elementos da cultura oriental, além de se aventurar em uma narrativa mais complexa fazendo uso de forma mais extensa de simbolismos.

O mais próximo que um desenho ocidental já chegou de parecer com um anime.

Outro grande sucesso que possui grande influencia da forma narrativa dos animes, fazendo grande uso de quebra de linearidade e elementos simbólicos para desenvolver uma história com alto grau de complexidade e múltiplas camadas interpretativas é Adventure Time. O grande fenômeno da Cartoon Network tem ao longo dos anos arrebanhado uma legião de fãs e inaugurou todo um estilo muito próprio de fazer desenhos.

Não por acaso existe uma grande quantidade de fanarts estilo anime.

As perspectivas de ampliação da receptividade de animes no ocidente ganhou um reforço de peso. O Netflix, serviço líder no setor de streaming, anunciou um forte investimento no segmento em evento recente destinado a divulgação para impressa de seus próximos projetos. Além do já amplamente comentado reboot de Cavaleiros do Zodíaco. Para o próximo ano, temos Kakegurui e Fate/Apocrypha já anunciados, dois animes muito populares da temporada atual, e a exibição exclusiva no ocidente de Violet Evergarden, título muito aguardado por todos os fãs de animes. Vale destacar também o lançamento de Blame, como produção original (de verdade), eles que anteriormente já haviam feito o elogiado Knights Of Sidonia, ambos do mangaká Tsutomu Nihei.

Netflix investindo cada vez em animes. O Brasil é um dos maiores mercados consumidores.

Diversos animes utilizam cardgames como tema, como o famoso Yu-Gi-Oh. Existem também aqueles que apesar de não ter cardgame como tema acabam gerando jogos de sucesso, como o popular Pokémon. Praticamente todos os animes de sucesso recebem um jogo nesse formato, graças ao sistema Weiß Schwarz criado pela editora japonesa Bushiroad.

Trial Deck de Weiß Schwarz Love Live School Idol Festival.
Além disso, ainda existem animes que tratam especificamente de jogos clássicos de tabuleiro e cartas como Hikaru no Go (que como o nome indica é sobre Go), Saki (é um anime sobre Mahjong) e, mais recentemente, Sangatsu no Lion (é um anime sobre Shogi, que é Xadrez japonês). Poderia citar também o já mencionado anteriormente Kakegurui, já que ele trata sobre disputas entre alunos em diversos jogos analógicos, principalmente de cartas.
Cena de Sangatsu no Lion que explica as regras do Shogi usando música e gatinhos fofos.
Yumeko Jabami, a protagonista de Kakegurui.

Então, temos um público significativo que poderia ser atraído para o hobby mais facilmente através de ações especificas e que tem sido praticamente ignorado. E isso não é apenas em termos de mercado nacional, mesmo lá fora muito pouco é feito pensando nesse público, usei o exemplo do Anime Saga apenas para desencadear a reflexão sobre um assunto que acredito mereça a nossa atenção.

O mercado de boardgames no Brasil está em uma expansão incrível nos últimos anos. Saímos de décadas de trevas aprisionados a War, Monopoly e Clue para descobrir que existe todo um universo gigantesco de outras opções. Todo dia vemos surgir novas editoras, game designers, lojas, eventos, produtores de conteúdo… Porém, a pergunta que me preocupa é: Todo esse crescimento é sustentável? Minha opinião é não. Penso que é preciso parar de olhar só para dentro e procurar maneiras de conquistar novos jogadores.

Este é o meu primeiro artigo de opinião e ele nasceu de maneira completamente espontânea quando comecei a escrever o que deveria ser apenas uma introdução para minha resenha do Anime Saga. Porém, acabou crescendo quase como se tivesse vida própria e se tornando um texto separado. Espero que ele seja informativo e ajude a suscitar reflexão. Deixe uma opinião sobre o assunto. Vocês gostariam de outros textos neste formato? 

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